<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133</id><updated>2011-12-25T14:47:30.379-03:00</updated><title type='text'>Pescotexto</title><subtitle type='html'>Contos, Crônicas e Pescotextos de Augusto Malbouisson e Barbara Kahane</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>54</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133.post-8261012389262742455</id><published>2011-12-13T21:16:00.014-03:00</published><updated>2011-12-15T11:58:17.959-03:00</updated><title type='text'>Ditongos #3</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-qPFienL-&lt;br /&gt;LKA/TuiboEKnPYI/AAAAAAAAAmI/oUT15hkAPV0/s1600/padr%25C3%25A3o_2.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 373px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-qPFienL-LKA/TuiboEKnPYI/AAAAAAAAAmI/oUT15hkAPV0/s400/padr%25C3%25A3o_2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5685965642170580354" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Austin, Ricardo de Albuquerque, Encantado, Queimados, Jacaré... O jovem casal circulava simpaticamente entre as estantes do terceiro andar da livraria,  listando no que parecia uma livre adedanha ocasional, bairros ao léu. Leblon, Leme, Laranjeiras, Lapa, Madureira, Maracanã. Não lembro mais, um deles disse, ocupado em apontar para um livro: ""100 receitas de carne", por Silvio Lancelotti. Seus cucurutos arrepiados eram como barbatanas temidas de um tubarão-cliente que circunda o vendedor circunscrito em silêncio, observando-os serenamente desfilar entre coroas, desviarem-se de outros jovens e ultrapassarem jovens e velhos janotas em hora de almoço. Uma leoa fêmea falava ao celular enquanto passava o código de barras de um dvd do Phill Collins pelo leitor ótico: “Mas se a ferida não sara, pode infeccionar e virar um câncer. Ela tem que desistir desse piercing!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Senhor Furacão, de terno impecável e óculos grossos de aros pretos, tinha os fios de cabelos agregados em pincéis de brilhantina e ares de diplomata recém espanado de uma repartição ressuscitada. Poderia se chamar Alvarenga. Averigua minuciosamente as sinopses, as capas e os boxes de dvds, realocando-os numa ordem que lhe é própria. Pilhas da coleção Lume na gaveta de filmes de guerra, filmes nacionais na sessão de musicais, ordens não menos curiosas do que a matemática dos passos dos transeuntes da Sete de Setembro ao meio dia. O Gordo e o Magro, Os anões também começaram pequenos, Demência 13, Um Maluco Genial, ultraje a rigor. O Senhor Furacão, me coube imageinar, fora ministro do Planejamento, pásmem, entre 69 e 79. Tenho vontade de lhe perguntar o que ele acha de uma frase surrealista que li numa crônica do Paulo Mendes Campos: “Os elefantes são contagiosos.” Mas acabo não perguntando, achei mais prudente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Lembrar de comprar o Little Black Book do Leonard Cohen no final do mês. Lembrei, mas já o haviam levado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diálogos:&lt;br /&gt;- Tem “Um tira em apuros”?&lt;br /&gt;- Não&lt;br /&gt;- E “Um tira sem vergonha”?&lt;br /&gt;- Também não&lt;br /&gt;- E “Um homem sério?”&lt;br /&gt;- Deixa eu ver... (vejo no computador). Não. Não tem.&lt;br /&gt;- E “Um homem sem passado”?&lt;br /&gt;- Talvez. Deixa eu pesquisar... Não&lt;br /&gt;- Tem “A hora do pesadelo”? O cinco?&lt;br /&gt;- Nâo, só o um.&lt;br /&gt;- Não adianta, já tenho, só falta o cinco.&lt;br /&gt;- Você tem “A última noite”?&lt;br /&gt;- Só em Blue Ray.&lt;br /&gt;- O que é Blue Ray?&lt;br /&gt;- A imagem é melhor, a resolução é melhor.&lt;br /&gt;- A  imagem não me interessa, me interessa a história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num sábado de manhã, uma senhora: – Eu pensei que era uma coisa histórica, didática, fui ver com meus netos, mas aí tem umas cenas terríveis! Deviam colocar uma advertência na capa! Posso trocar? - Pode, minha senhora, pode. “Calígula”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-_40X14WDFn0/TuoK8YHRYQI/AAAAAAAAAmg/OStNMlQnhT0/s1600/antena%2Bcom%2Bxicara.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 281px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-_40X14WDFn0/TuoK8YHRYQI/AAAAAAAAAmg/OStNMlQnhT0/s400/antena%2Bcom%2Bxicara.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5686369511890051330" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Johnny Cash:&lt;br /&gt;“Sometimes I am two. Johnny is the good one. Cash cause all the troubles. They fight”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vocês aqui tem CDs de piada? Tipo Costinha? &lt;br /&gt;- Temos 500 anos de piadas de português e “Nâo quero ver você ficar careca e as piadas mais sacanas do Brasil”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um senhor assez malhado de bigodes espessos e camiseta regata verde apertada me cutuca o ombro já me chamando pelo nome visto no crachá:&lt;br /&gt;- Augusto, você tem aí liberdade para matar?&lt;br /&gt;- Olha, acho que não... O senhor sabe de quem é?&lt;br /&gt;- George Peppard, vê com dois pês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-9WklUDmAkmY/TuoJuewE52I/AAAAAAAAAmU/Zu-I98r2t-Q/s1600/ilha%2Bcom%2Bturbinas.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 251px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-9WklUDmAkmY/TuoJuewE52I/AAAAAAAAAmU/Zu-I98r2t-Q/s400/ilha%2Bcom%2Bturbinas.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5686368173642016610" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Signifrito Figueiroa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34439133-8261012389262742455?l=pescotexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/8261012389262742455/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34439133&amp;postID=8261012389262742455&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/8261012389262742455'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/8261012389262742455'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/2011/12/austin-ricardo-de-albuquerque-queimados.html' title='Ditongos #3'/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-qPFienL-LKA/TuiboEKnPYI/AAAAAAAAAmI/oUT15hkAPV0/s72-c/padr%25C3%25A3o_2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133.post-1620387626574312494</id><published>2011-12-04T11:57:00.006-03:00</published><updated>2011-12-25T14:47:30.386-03:00</updated><title type='text'>vento de memória</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-_xzdQC4fg8c/Ttyu0NPWezI/AAAAAAAAAlY/sdLtAVTM1Xc/s1600/ilha%2Bcom%2Bpernas.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 251px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-_xzdQC4fg8c/Ttyu0NPWezI/AAAAAAAAAlY/sdLtAVTM1Xc/s400/ilha%2Bcom%2Bpernas.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5682609041765202738" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vento quente de memória me desperta às cinco horas&lt;br /&gt;Por ser seco tantos frios nomes vínculos espalha&lt;br /&gt;Olhos beijos doidos coitos mortos siflam me chamando&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trem de longe de outros cheiros, trampos, roças, namorar&lt;br /&gt;Cenas críveis, jambo, vinho, mil cidades, pés de lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá é tudo já vivido, trompas rios bar em bar.&lt;br /&gt;Vem a moça, já perdida, que me atira “vou casar”,&lt;br /&gt;Ela é câncer casca doce, núcleo duro de extirpar&lt;br /&gt;Poça pêra em feira voa, capa de papel laranja.&lt;br /&gt;Coca explode em gradiente, beijo as horas petrifico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vento é feito na madrugada e ronca na aurora&lt;br /&gt;Estranho colo em que me achava, tão nítido, sem buzinas, tão longo, sem geradores de luz, tão perto dos grilos &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embaralhada, a contracapa do Gutierez vira letra de assombração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Signifrito Figueiroa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34439133-1620387626574312494?l=pescotexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/1620387626574312494/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34439133&amp;postID=1620387626574312494&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/1620387626574312494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/1620387626574312494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/2011/12/vento-de-memoria.html' title='vento de memória'/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-_xzdQC4fg8c/Ttyu0NPWezI/AAAAAAAAAlY/sdLtAVTM1Xc/s72-c/ilha%2Bcom%2Bpernas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133.post-1075642269722896706</id><published>2011-07-14T16:15:00.002-03:00</published><updated>2011-07-14T16:30:53.741-03:00</updated><title type='text'>VERDURA INDIE</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-kGcVwGMjVuw/Th9DigqFdtI/AAAAAAAAAlM/6X_4Mw3kNxM/s1600/facinho.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 376px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-kGcVwGMjVuw/Th9DigqFdtI/AAAAAAAAAlM/6X_4Mw3kNxM/s400/facinho.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5629292319397476050" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;E eis que na noite de karaokê indie, dançando Ramones na pista 02, rodeada de crianças de no máximo vinte anos de vida que me olham achando que estou dançando uma música da minha época, me cutuca um menino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois terços da minha idade assim como dois terços do meu tamanho.  Acima do peso, aparelho nos dentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Posso falar com você?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(&lt;em&gt;hey, ho let´s GO, hey ho, let´s GO, hey ho let´s GO&lt;/em&gt;…)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pode&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(… e emenda em &lt;em&gt;shot through the heart and you're to blame… you give love&lt;/em&gt;…)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Qual seu nome?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Barbara &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(… &lt;em&gt;a bad name&lt;/em&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oi? Não te ouvi, a música é alta...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aproxima o ouvido bem próximo à minha boca, quase nas pontas dos pés. Pega na minha cintura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Bon Jovi bombando, os jovens loucos. Que tipo de DJ emenda Ramones em Bon Jovi?? Isso é meio estranho ou realmente sou eu que estou ficando velha?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- BAR-BA-RA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me afasto. Ele se aproxima. Ponta dos dedos, ou quase.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Prazer, o meu é.....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não ouço mas finjo que.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(&lt;em&gt;Whoa, you're a loaded gun, yeah whoa, there's nowhere to run&lt;/em&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, prazer!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele ri&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você na realidade não ouviu meu nome…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, pega na mentira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Err... não...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alface&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Hum... ok...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele se surpreende. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não acha estranho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Seu apelido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Monique e Bernardo a essa altura gargalham da minha cara, sem pudor nenhum, e me dá uma vontade danada de rir também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Envelhecemos e perdemos as vergonhas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Bon Jovi nem importa mais muito. A DJ atrás da cabine usa batom vermelho e tem pouco mais de dezoito)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Esse é meu nome de verdade, mas também tenho um apelido... quer saber?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa hora me entrego ao riso. Gargalho e ele continua. Coloca sua boca bem próxima ao meu ouvido, pega de novo na minha cintura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Facinho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alface olha pra mim e me sorri o sorriso mais metálico do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Explodo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaha!!!!!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu olho pra ele, lágrimas de tanto rir, e de repente me encho de afeto. Queria abraçá-lo e falar que assim ele vai longe. Que ele merece uma menina da idade dele muito legal. Que ele é o cara. Levantar a mão para o alto e oferecer um “Give me Five...!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele pode interpretar mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me recomponho e tiro meu maço do bolso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desculpe mas não suporto Bon Jovi e preciso de um cigarro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saio. Ele me olha com olhar de cachorro abandonado para depois sorrir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sorriso mais metálico do mundo. Facinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Barbara Kahane&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34439133-1075642269722896706?l=pescotexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/1075642269722896706/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34439133&amp;postID=1075642269722896706&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/1075642269722896706'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/1075642269722896706'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/2011/07/verdura-indie.html' title='VERDURA INDIE'/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-kGcVwGMjVuw/Th9DigqFdtI/AAAAAAAAAlM/6X_4Mw3kNxM/s72-c/facinho.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133.post-4684211012741371967</id><published>2011-03-10T20:43:00.002-03:00</published><updated>2011-03-10T20:48:14.431-03:00</updated><title type='text'>sob a proteção da arma melancolia</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-5D0o_pVcjzg/TXliq1O_ZQI/AAAAAAAAAkQ/1CQ-F-etk8w/s1600/largo-da-carioca.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 275px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-5D0o_pVcjzg/TXliq1O_ZQI/AAAAAAAAAkQ/1CQ-F-etk8w/s400/largo-da-carioca.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5582601701086422274" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Andava pela Carioca, em direção ao metrô. Isso foi hoje mais cedo. Coisa de quatro horas, quatro horas e meia. Da tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus pensamentos insistiam, como andam insistindo nesses dias de folia e de ressaca , em pairar pelas regiões mais nebulosas da minha alma ou do meu cerébro (não sei na realidade direito por onde eles costumam rondar... se são pensamentos deveriam ser no cerébro, mas às vezes parece que eles pisoteiam é a alma...). Mas enfim, seja em qual lugar for desses pensamentos pairarem, era na faixa nebulosa que todos temos e tentamos rotineiramente fugir, que eles passeavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andava distraída assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um menino de rua, metade do meu tamanho, segurando uma caixa de chicletes vazia cruza meu caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oferta a mercadoria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faço que não com a cabeça. Olhos marejados por trás dos grandes óculos escuros comprados na liquidação de uma magazine mirando o chão. Olhando para onde piso, mas não enxergando muito mais nada além da faixa nebulosa dentro da minha cabeça ou da minha alma... sabe, isso nem vêm ao caso para a história, na realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino de rua assovia. Três outros meninos me cercam. Eles não carregam caixa de nada nas mãos. Eles me cercam e não sinto medo. Não sinto muito lá coisa alguma. Tenho 50 reais na carteira que iriam ser gastos para alguma coisa qualquer irrelevante para o futuro do planeta. Continuo andando olhando para o chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles me cercam e um deles ameaça me empurrar. O outro pára bem na minha frente. Todos com metade do meu tamanho. São muito pequenos, dado que tenho pouco mais que metro e meio de altura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O outro pára bem na minha frente e como estou olhando para o chão e minha cabeça está na direção para baixo, é bem pouco o esforço de olhá-lo no olho. Na verdade isso meio que acontece sem querer até.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu olho o menino sem caixa nenhuma na mão e metade do meu tamanho nos olhos e ele olha nos meus. Ele vê por trás da lente e pára. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí se dirige para o grupo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O seus mané, vamos deixar a tia em paz. Cês não viu que ela tá triste?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles se dispersam e ganham a Carioca. Eu entro no metrô rumo ao Largo do Bruxo. Os 50 reais da minha carteira continuarão sendo gastos com alguma coisa bastante irrelevante. E a faixa nebulosa me joga na cara que ao menos ela serve como boa proteção. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Barbara Kahane&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34439133-4684211012741371967?l=pescotexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/4684211012741371967/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34439133&amp;postID=4684211012741371967&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/4684211012741371967'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/4684211012741371967'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/2011/03/sob-protecao-da-arma-melancolia.html' title='sob a proteção da arma melancolia'/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-5D0o_pVcjzg/TXliq1O_ZQI/AAAAAAAAAkQ/1CQ-F-etk8w/s72-c/largo-da-carioca.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133.post-1393472834451953851</id><published>2010-11-23T07:37:00.008-03:00</published><updated>2010-11-24T07:08:29.911-03:00</updated><title type='text'>abudefduf</title><content type='html'>A última cartada do arroz branco foi o risoto improvisado. &lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/LJVMHd1yiBw?fs=1&amp;amp;hl=en_US"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/LJVMHd1yiBw?fs=1&amp;amp;hl=en_US" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;set_1&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/96184543@N00/sets/72157625332155933/show/"&gt;http://www.flickr.com/photos/96184543@N00/sets/72157625332155933/show/&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34439133-1393472834451953851?l=pescotexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/1393472834451953851/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34439133&amp;postID=1393472834451953851&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/1393472834451953851'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/1393472834451953851'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/2010/11/abudedfduf.html' title='abudefduf'/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133.post-6876894649909360240</id><published>2010-11-23T01:54:00.004-03:00</published><updated>2010-11-23T05:16:51.128-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TOt2547QQdI/AAAAAAAAAb8/tQDwa0S_jIU/s1600/vermelhocom%2Bbra%25C3%25A7o.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 241px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TOt2547QQdI/AAAAAAAAAb8/tQDwa0S_jIU/s400/vermelhocom%2Bbra%25C3%25A7o.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5542654503315063250" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sonhei que uma cabeça de mico leão me mordia o dedão do pé.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34439133-6876894649909360240?l=pescotexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/6876894649909360240/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34439133&amp;postID=6876894649909360240&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/6876894649909360240'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/6876894649909360240'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/2010/11/sonhei-que-uma-cabeca-de-mico-leao-me.html' title=''/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TOt2547QQdI/AAAAAAAAAb8/tQDwa0S_jIU/s72-c/vermelhocom%2Bbra%25C3%25A7o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133.post-3723848557624789094</id><published>2010-09-23T20:38:00.006-03:00</published><updated>2010-09-23T22:01:02.408-03:00</updated><title type='text'>Agarrando o tempo que passa</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TJvn61pmA0I/AAAAAAAAAao/3kNGPyWD6b8/s1600/madeleine+-+agarrando+o+tempo.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TJvn61pmA0I/AAAAAAAAAao/3kNGPyWD6b8/s400/madeleine+-+agarrando+o+tempo.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5520260766292640578" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem esse café em Copacabana meio metido a francês. É perto “do” Copa e lá vende madeleines.  Elas estão lá, em exposição para os clientes junto às outras iguarias, e na etiqueta que indica o que aquilo é está escrito Madeleines (Marcel Proust). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estava tomando um expresso e comendo uma quiche metida à besta de queijo de cabra com amêndoas quando esse senhor apareceu. Uns setenta e poucos anos. Estava assustado. Ele percebeu que eu percebi que ele estava assustado. Me tomou por cúmplice. Eu era anos luz a pessoa mais nova do salão. Se bobear, depois de mim (e das garçonetes) ele era a segunda pessoa mais nova do salão. Veio em minha direção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Acabei de levar uma bolsada de uma velha.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Oi?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Na farmácia... acabei de levar uma bolsada de uma velha louca.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomei um gole de café. Seus olhos assustados esperavam uma reação. Reagi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Nossa... que horror...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele aquiesceu com um movimento de cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O senhor está bem?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sim, foi mais o susto.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silêncio. Dei uma garfada. Ele me olhava, eu tentava não olhar para ele. Ele estava parado na minha frente. Comecei a ficar constrangida por estar simplesmente mastigando. Olhei-o nos olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“E você quer saber por que ela me bateu?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentei arrumar alguma maneira delicada de dizer que não, mas não consegui a tempo. Ele respondeu mesmo assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Porque falei que a Dilma nunca tinha sido guerrilheira... a mulher ficou uma fera...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu deus, para onde iria essa conversa? Parei de comer. Gosto de estar muito concentrada no sabor quando estou comendo. Tomei um último gole do expresso e respirei fundo, aquilo poderia levar tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E levou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O senhor sabia todas as teorias da conspiração possíveis. Todas contra Dilma. Inclusive que ela está à beira da morte, que havia sido operada naquela semana e que naquele dia específico ela não tinha tido a agenda divulgada porque estava se recuperando da delicada cirurgia.  O senhor realmente estava muito preocupado com isso. Havia até se esquecido da bolsada da velha maluca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Se a Dilma vencer fico bastante insatisfeito. Mas se ela morrer depois de eleita vou para Londres... sumo daqui.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Londres?!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Minha filha mora lá.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Então talvez seja essa a única solução...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“É... só não sei se minha filha iria gostar muito da ideia... é porque ela tem lá.. a vida dela... é casada... casada com um inglês... tem filhos... meus netos são ingleses...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei em seus olhos e vi que marejaram. Ensaiou um riso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sabe, visito minha filha uma vez a cada dois anos”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Que bom...!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“E depois viajo por várias cidades... no fim, sempre dou uma paradinha em Paris... lógico...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Lógico...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“É também o seu lugar favorito da Europa?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“É o único que eu conheço..”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ah...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais um silêncio. Não sei se o que eu sentia era um desejo dele ir embora ou de continuar falando. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Você trabalha?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sim..”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Mexe com que?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Cinema.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ahhh.. que boa notícia! Podíamos fazer um filme sobre isso...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Hã?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sobre isso, essas histórias que eu sei da Dilma. Já liguei para Globo News falando que eles podiam me entrevistar, mas eles não se interessaram... de repente se a gente levar uma coisa pronta.. com tudo o que sei.. imagina o escândalo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dei uma segunda olhada para ele. Ele realmente, numa primeira impressão, não parecia louco. Ele falava muito bem. Suas roupas eram visivelmente caras. Sua filha com toda certeza morava em Londres. A solidão faz coisas muito tristes e engraçadas com a cabeça das pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Desculpa. Meu trabalho com cinema é burocrático. E ainda mais cuido de uma outra etapa. Exibição. Eu cuido para que os filmes sejam exibidos... não é bem isso mas é mais ou menos isso..”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Entendo...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele falou com a cara de quem não tinha entendido nada... fiquei triste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“E olha, um filme leva tempo.. tem que escrever, filmar, editar, fazer cópias para distribuir... a eleição é daqui algumas semanas, né? Não daria tempo”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“É... estamos ferrados...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhou triste para o chão. O futuro realmente o apavorava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Você acha que eu mereci? Levar uma bolsada?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não. Ninguém merece levar uma bolsada.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“E só porque eu falei uma verdade!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Quase ninguém está preparado para ouvir verdades.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele gargalhou com vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Você gosta de música?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Gosto.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Você já foi ao Municipal depois de reformado?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ainda não.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele ficou em silêncio e me encarou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Você é casada?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não acreditei que ele estava encaminhando o papo para essa direção. Respirei fundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Você tem namorado?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ri visivelmente admirada com o movimento audacioso dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Tenho...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Claro que tem... desculpa a pergunta, é que sou amigo da Carla Camurati e ganhei dois ingressos para Sábado ver a Orquestra Sinfônica Brasileira tocar Stravisnky... se você não fosse comprometida iria te convidar, mas já que você tem namorado, não convém...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“É... não convém...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Desculpas.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Tudo bem.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eu preciso ir... desculpa te incomodar, mas precisava conversar com alguém enquanto o susto não passava... imagina, um homem da minha idade levar uma bolsada de uma velha! Muito obrigado mesmo pela sua paciência.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Imagina, foi um prazer.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Meu nome é Lúcio.. qual é o seu?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensei se dava o nome certo ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Barbara.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele estendeu a mão dele. Eu estendi a minha. Ele beijou minha mão com o olhar mais galeanteador do mundo. Me concentrei em algo muito sério para não rir, apesar de também sentir um pouco de lisonjeio pelo ato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele foi embora agradecendo a companhia mais uma vez e saiu da loja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedi um segundo expresso para comer a outra metade da quiche que ainda me esperava. Estava murcha, mas encarei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na mesa ao lado percebi que havia outro senhor, muito mais velho que Lúcio. Ele estava com uma menina muito mais nova do que eu, possivelmente uma espécie de acompanhante/enfermeira. Ela era bastante faceira. A garçonete trouxe meu café e foi anotar os pedidos deles. Só ele falou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Uma torta de morango e uma xícara de chá preto.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A garçonete anotou o pedido e foi para trás do balcão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O senhor hoje não irá pedir madeleines?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Hoje não.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Se incomoda se eu pedir para mim?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O velho riu com todo o prazer do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não me incomodo nem um pouco. Hoje você quem nos conduzirá à Combray.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina olhou para ele como se nada compreendesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Gosto de você porque você aprende rápido.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina gargalhou de maneira vulgar e orgulhosa. O velho gargalhou de maneira cínica. Os dois se entendiam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comi o resto da quiche fria, bebi o café. Estava na minha hora. Paguei minha conta e voltei ao mundo real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Barbara Kahane&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34439133-3723848557624789094?l=pescotexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/3723848557624789094/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34439133&amp;postID=3723848557624789094&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/3723848557624789094'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/3723848557624789094'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/2010/09/agarrando-o-tempo-que-passa.html' title='Agarrando o tempo que passa'/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TJvn61pmA0I/AAAAAAAAAao/3kNGPyWD6b8/s72-c/madeleine+-+agarrando+o+tempo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133.post-3363849123248773341</id><published>2010-08-18T14:49:00.005-03:00</published><updated>2010-08-18T14:58:12.695-03:00</updated><title type='text'>Eu e a Bicicleta</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TGwdy5iobbI/AAAAAAAAAaY/CRiEbJ-8x04/s1600/figura+para+eu+e+a+bicicleta.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 333px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TGwdy5iobbI/AAAAAAAAAaY/CRiEbJ-8x04/s400/figura+para+eu+e+a+bicicleta.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5506809204644015538" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sei andar de bicicleta, nunca soube. Quem anda de bicicleta conhece intimamente uma liberdade que não me pertence. Quem anda de bicicleta possui uma confiança que eu desconheço. Tenho inveja de quem anda de bicicleta impunemente. Tenho inveja de quem diz naturalmente “vou de bike” ou “vou pedelar”, e sai faceiramente em busca de seu destino, muito mais rápido do que eu. Tenho ciúmes dos olhares dos rapazes direcionados às meninas de vestidos floridos e cabelos ao vento. Tenho inveja da confiança dessas meninas. Eu não sou assim, e nunca fui. Eu só sei andar a pé e possuo a confiança de quem olha por onde pisa, e ainda assim tropeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tampouco dirijo carros, mas isso não me incomoda em nada. Carros são muito perigosos. Carros antes de tudo são máquinas. Eu tenho inveja é das bicicletas. Eu tenho inveja de quem controla as bicicletas. Quem controla as bicicletas me parece ter o poder de controlar o mundo e eu, que gasto uma força desmedida para manter o controle de mim mesma, invejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elas que me cortam no papo à noite e se mostram mais interessantes e desviam em um lapso de segundo a atenção que lutei tanto para conseguir, sabem andar de bicicleta. Elas que falam bem em público, que impõem suas opiniões, que convencem os outros de suas melhores ideias e que acabam promovidas enquanto gaguejo teorias bobas e mal pago o aluguel, sabem andar de bicicleta. Elas que as vozes encantam como um canto de sereia e de repente sou invisível, sabem andar de bicicleta. Elas que sabem fazer rir enquanto me atrapalho em tentativas pífias de trocadilhos, sabem andar de bicicleta. Elas que entendem tudo dos astros, entendem de quem rege e é regido, entendem de ascendentes e da lua enquanto eu ainda desconfio da onde exatamente vim, sabem andar de bicicleta. Elas que fazem biquinho nas fotos do perfil de sites de relacionamento, que curtem os comentários na hora certa de serem curtidos, que comentam baboseiras espirituosas enquanto meu dedo fica trêmulo, sabem andar de bicicleta. Elas que se dizem poetas, que se dizem bruxas, que se dizem atrizes, que se dizem putas, que se dizem cientistas, que se dizem cineastas, que se dizem bailarinas, que se dizem mães, que se fazem de santas, enquanto eu ainda tento entender qual a cor da minha sombra, sabem andar de bicicleta. Elas que sempre ganham, sabem andar de bicicleta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sei andar de bicicleta. Por conta disso nunca me sentirei completamente livre. Nunca atravessarei a orla da Zona Sul ou darei a volta na Lagoa ou subirei as Paineiras ou cruzarei o Aterro pedalando. Nunca, numa manhã de domingo primaveril, comprarei flores e jornal e passearei pelo bairro cumprimentando os moradores enquanto a brisa despenteia providencialmente meus cabelos. Nunca desbravarei uma trilha e, depois de horas com a galera da trilha, verei o Rio lá de cima e junto com esse meu grupo dividirei um silêncio quase religioso, reverenciando a cidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sei andar de bicicleta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sei me equilibrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sei frear.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho medo da velocidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho medo da queda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sei andar de bicicleta e há muito abdiquei dessa liberdade pela primeira mesa de um bar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Barbara Kahane&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34439133-3363849123248773341?l=pescotexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/3363849123248773341/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34439133&amp;postID=3363849123248773341&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/3363849123248773341'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/3363849123248773341'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/2010/08/eu-e-bicicleta.html' title='Eu e a Bicicleta'/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TGwdy5iobbI/AAAAAAAAAaY/CRiEbJ-8x04/s72-c/figura+para+eu+e+a+bicicleta.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133.post-4642700966467512824</id><published>2010-07-15T00:12:00.003-03:00</published><updated>2010-07-15T00:35:11.741-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>- Olá humanos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD59cnUQ58I/AAAAAAAAAY4/a8b3-J2ZyUQ/s1600/inseto+prata_1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 379px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD59cnUQ58I/AAAAAAAAAY4/a8b3-J2ZyUQ/s400/inseto+prata_1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5493966525982369730" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acompanhem-me, irei lhes mostrar um pouco da região.&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD5_QwuJaQI/AAAAAAAAAZA/dGuE_rEzNnE/s1600/apresenta%C3%A7%C3%A3o+da+fauna_3.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD5_QwuJaQI/AAAAAAAAAZA/dGuE_rEzNnE/s400/apresenta%C3%A7%C3%A3o+da+fauna_3.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5493968521371674882" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34439133-4642700966467512824?l=pescotexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/4642700966467512824/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34439133&amp;postID=4642700966467512824&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/4642700966467512824'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/4642700966467512824'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/2010/07/ola-humanos-acompanhem-me-irei-lhes.html' title=''/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD59cnUQ58I/AAAAAAAAAY4/a8b3-J2ZyUQ/s72-c/inseto+prata_1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133.post-5867565116930276013</id><published>2010-06-26T15:09:00.003-03:00</published><updated>2010-06-26T15:19:32.039-03:00</updated><title type='text'>A FOME E A PREGUIÇA</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;(para ler neste tom)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/tosnKEKugzw&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/tosnKEKugzw&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho muita fome e o Brasil está parado. Tenho muita preguiça e me ligam e me acham online e me chamam para rua. Tenho fome e preguiça e Tom chora Luiza junto com Edu e eu não tenho ninguém para chorar, mas ouço. Agora também tem Chico e o choro é bandido. Tenho fome e não importa, são bonitas as canções. Nada mais importa. Nada. Nem minha fome, nem minha preguiça, nem o zero a zero do Brasil e a terra mãe. Nada mais importa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do outro lado da rua bebem vinho e comem carne. Do outro lado da parede um violão toca. Na cozinha o feijão vermelho está de molho. Nada irá fazer minha fome passar. Poucas coisas me fariam sair daqui. Onde já se viu essa maldita tecnologia que me faz escrever deitada? Bisbilhoto deitada. Compro uma massagem deitada. Alugo filmes deitada. Me canso muito deitada. Espero deitada. Espero muito deitada. Envelheço deitada. Ai que preguiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os anos agora são dourados. Bolero nossos versos são banais. Parece que todos estão na rua. Eu deitada não tenho nem nada para curtir. Não tenho ninguém para chorar. As pessoas me querem na rua. E eu não sei o que eu faço com a minha fome na rua. Ninguém faria minha fome passar. Tenho preguiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia, deitada, falei alto dos meus sonhos. A voz de trás me deu a entender que era reflexo da minha covardia. Quando eu disse que não havia problema nenhum em ser covarde a voz de trás riu. Riem de mim deitada. Riem da minha covardia. Assim a vida não vai para frente... foda-se, nunca entendi direito essa expressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roberto agora entrou na roda. Eu nunca sonhei com você. A voz de trás ri. Quando João canta ele diz que fatalmente iria sofrer tanta dor pra no fim te perder. Eu prefiro assim, mas essa não dá para ouvir deitada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo com toda picanha a gente vai levando. Para eu comer dessa carne terei que atravessar a rua. O telefone toca de novo. Me querem fora daqui. Me querem. Eu não quero ninguém. Tenho preguiça e uma fome insaciável, mas tá tudo ok, são bonitas as canções. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem gente que nasce assim.&lt;br /&gt;BARBARA KAHANE&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34439133-5867565116930276013?l=pescotexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/5867565116930276013/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34439133&amp;postID=5867565116930276013&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/5867565116930276013'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/5867565116930276013'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/2010/06/beatriz-tom-jobim.html' title='A FOME E A PREGUIÇA'/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133.post-5044543115392288550</id><published>2010-06-14T16:49:00.008-03:00</published><updated>2010-06-14T17:45:10.144-03:00</updated><title type='text'>OS ACASOS E A TERNURA 03 - O Bogarde tijucano na brisa parisiense</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TBaIF6BldfI/AAAAAAAAAX8/-SuGndFTxZk/s1600/tarde_demais_esquecer01.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 360px; height: 236px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TBaIF6BldfI/AAAAAAAAAX8/-SuGndFTxZk/s400/tarde_demais_esquecer01.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5482719231426786802" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrei no metrô nervosa após ter andado, já em meio desespero, algumas quadras de Ipanema para chegar à estação. De alguma maneira muito doente da cabeça eu arranjei uma espécie de fantasia maluca em que imagino que, sempre que vou encontrar romanticamente pela segunda vez alguém, acontece no caminho algo muito ruim e eu não chego. Era para um encontro desses que nervosa eu entrava no metrô e o pensamento de que estava prestes a ser atingida por uma bala perdida, um atropelamento, uma viga do alto do prédio, um ataque fulminante do meu coração desesperado me consumia ferozmente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma coisa meio assim Tarde Demais para Esquecer, filme hiper melodramático com Deborah Kerr e Cary Grant e muitas vezes referenciado em outros filmes mais atuais e até em novela. No filme Terry McKay (Kerr) e Nickie Ferrante (Grant) se apaixonam em um barco e marcam de se encontrar no alto do Empire State Building não sei quanto tempo depois.  No dia marcado ela está indo em direção ao ponto de encontro quando um engarrafamento a faz atrasar. Impestuosamente, ela abandona o táxi em que se encontra e, por descuido, acaba sendo atropelada por um carro. O seu par fica no alto do prédio se sentindo muito abandonado, e bastante idiota, enquanto ela fica paraplégica. È tudo deliciosamente triste, e improvável e eu nem sei dizer quando comecei com essa mania de fantasiar que algo que se assemelhe a isso possa de fato acontecer comigo. Mas é batata, e nem é premeditado. Quando estou indo em direção a um segundo encontro fico pensando que alguma coisa assim irá acontecer e que o meu par, assim como Cary Grant, por um tempo irá ficar com muita raiva de mim achando que dei o bolo e que fui insensível o suficiente para nem atender o celular enquanto ele no ponto de encontro me esperava idiota. Isso me faz ficar muito triste e isso faz com que eu execute o caminho com pânico da minha própria sombra. Mas dessa vez não foi assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrei no metrô nervosa porque nas quadras em que andei até a estação General Osório aos poucos me vinha essa maldita fantasia. Como uma dor de dente que vai se anunciando e você sabe que não importa o que você fizer alguma hora a sua densidade vai chegar ao pico e vai ser uma merda. Tentava pensar em coisas boas, como alguma música para cantarolar, mas as possibilidades de fatalidade que eu poderia sofrer no trajeto começavam a serem listadas involuntariamente na minha cabeça. Entrei na estação, esperei o vagão e quando chegou entrei nele ainda pensando nisso. Sentei e as portas permaneceram abertas por alguns segundos intermináveis, até que entraram correndo uma mulher e um homem. Esbaforidos eles, ainda em pé, se recobravam enquanto procuravam o mapa com a ordem das paradas. Acharam e começaram a conversar em francês. Ela apontava para alguma coisa, ele parecia não entender nada e não confiar muito no que a mulher parecia sugerir. Eles sentaram e continuaram a discussão. Ela se levantou sozinha agora e por uns segundos voltou a mirar para o mapa. Sua expressão não era realmente mesmo digna de confiança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela se virou e foi a primeira vez que percebi esses dois senhores que já estavam ali sentados. Deviam ter por volta de cinqüenta e tantos anos. Um de cabelos grisalhos e bigodes, também grisalhos, bem aparados. O outro de cabelos brancos e óculos de grau em armação imitação tartaruga. Vestiam-se praticamente iguais, calças jeans limpas e camisas de botão de manga curta bem passadas compradas em loja de departamento. Um usava tênis e o outro sapato. Os dois calçados eram de marcas genéricas. Os dois senhores também carregavam pastinhas parecidas. Deveriam ter comprado na mesma loja sem marca. Poderiam ser irmãos, mas não eram. Sem dúvida moravam juntos. Sentados delicadamente reparavam a cena dos turistas como eu o fazia. Um tinha os olhos muito atentos e percebi em seu semblante uma certa ansiedade. Este era o de bigode. O outro apenas possuía um olhar curioso e balançava uma das pernas, elegantemente cruzadas, de maneira relaxada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher ainda confusa voltou para seu lugar, cruzando o caminho com esses dois humildes, mas distintos senhores. Ela se sentou e continuou a discussão com seu acompanhante. O senhor de bigodes com muita suavidade virou-se, de maneira a ficar de frente para eles, que estavam assentados num daqueles bancos que ficam de costas para parede. Ele perguntou alguma coisa que ouvi, mas não entendi, porque de francês entendo muito pouco. O outro senhor distinto sorriu com um sorriso de certo orgulho, mas manteve seu olhar para frente, disfarçando estar alheio ao acontecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher sorriu e mais uma vez se levantou indo em direção ao mapa. Ela apontou e pela primeira vez falou. Para surpresa de todos a língua era o português, com forte sotaque de Portugal: “Onde nós temos que saltar para pegar a linha dois? Eu me lembro que era na Estácio, mas acho que eles andaram mudando as coisas aqui desde a minha última visita”. O senhor de bigodes não conseguiu disfarçar o seu desapontamento. As palavras lhe fugiram. O outro senhor, percebendo o desconcerto de seu acompanhante, respondeu que, de fato, as coisas mudaram e que na verdade eles podiam saltar em qualquer estação a partir de Botafogo e pegar o metrô da linha verde. Aquele que eles estavam era laranja, ia para Tijuca, que era até para onde ele e o outro estavam indo. Ele perguntou por que ela queria pegar a linha dois. Ela respondeu que eles estavam a caminho do Maracanã para ver um jogo. Ela falou que haviam lhe dito que naquele dia haveria uma partida que provavelmente não teria nada de violência. Os dois senhores não faziam idéia de que times estariam jogando, ou se haveria jogo, pois era quinta-feira. Ela se sentou desapontada e o senhor de bigodes voltou a se virar, para ficar de frente a ela. Ele perguntou insistindo no francês e dessa vez eu entendi: “Il est français, n’est-ce pas?”. O turista homem sorriu e respondeu por si só: “Oui, ça arrive”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela primeira vez reparei no sujeito e entendi muita coisa. Era um jovem, de não mais de vinte e cinco anos, bastante atraente para certos tipos de gosto. Alto, cabelos ondulados penteados com uma espécie de gel, corpo bastante atlético salientado por uma camiseta justa. Após a afirmativa o senhor de bigodes foi tomado por uma alegria que poderia ser reparada a quilômetros de distância. Enquanto isso o senhor de cabelos brancos observava sério a cena de rabo de olho. O senhor de bigodes fez mais algumas perguntas que pelo que entendi estavam relacionadas à ida dos dois ao Maracanã. A portuguesa não mais respondia deixando o trabalho para seu amigo que nitidamente sentia uma certa vaidade pelo tipo de assédio enquanto o senhor de bigodes, a cada diálogo falado, escondia cada vez menos uma euforia um tanto afetada.  Isso fez com que ele em poucos segundos ficasse mais seguro de si, e de seu francês, e perguntasse ao rapaz se ele era de Paris. Antes de deixar o rapaz responder ele completou de maneira muito alegre que Paris era a sua cidade favorita de todas do mundo e que ele nunca iria esquecer o ano de 1987 em que passou lá. O rapaz sorriu e respondeu com típica entonação levemente prepotente que os franceses costumam carregar:“Non, je suis de la région de la Champagne, vous y etes déja allé? C’est très beau. En fait, je suis allé moi même très peu de fois à Paris, et en 1987 je n’étais q’un bébé”. Os olhos do senhor de bigodes se encheram de uma certa tristeza e cabisbaixo ele respondeu “Non, je n’ai été qu’a Paris... et je rêve un jour d’y retourner”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TBaIdgCFFfI/AAAAAAAAAYE/JgcAUEukA-g/s1600/bogarde+02.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 232px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TBaIdgCFFfI/AAAAAAAAAYE/JgcAUEukA-g/s320/bogarde+02.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5482719636766397938" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse momento o trem parou na Estação Siqueira Campos e o vagão ficou subitamente cheio. Eu não enxergava mais o casal de turistas, mas via que o bolo de pessoas passou a tampar também o espaço de comunicação entre o senhor de bigodes e os dois europeus. O olhar do senhor de bigodes era grave e triste. Ele, aos poucos, foi se virando para frente. Os olhos perdidos no horizonte. Perdidos em algum lugar que o senhor de cabelos brancos percebeu e mesmo machucado pela ponta de ciúmes que o consumiu durante o diálogo travado pelo outro senhor e o turista francês, tocou no braço do seu companheiro e falou: “Treina mesmo que um dia vamos juntos. Se tudo der certo ano que vêm mesmo, se sair o dinheirinho da pensão. Você me apresenta Paris e me leva a todos aqueles lugares que você sempre me conta”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os olhos do homem de bigode sorriram o sorriso mais sincero do mundo e mais uma vez seu olhar se perdeu, agora em um outro horizonte. Ao invés da angústia e melancolia indisfarçáveis poucos segundos antes existia agora uma certa alegria esperançosa. Ao mesmo tempo, seus olhos marejados pareciam estar em outra época. Numa época passada onde rapazes como aquele da região de Champagne se encontravam em Paris e conversavam com ele em francês por toda a noite. Onde a brisa da cidade das luzes tomava conta de seu corpo em longas caminhadas noturnas. Eu vi em seus olhos o cheiro dessa brisa e me comovi também. Ele voltou o rosto para o senhor de cabelos brancos e tocou carinhosamente, mas de maneira bastante discreta, a sua perna. Os dois sorriram. Havia ao menos um impecável quarto e sala esperando por eles nas redondezas da Francisco Xavier.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando dei por mim o sinal sonoro de fechamento de portas estava tocando. Levantei sem conseguir dar um olhar de despedida consciente para esses dois senhores e atravessei as esteiras e escadas rolantes intermináveis da Cardeal Arco Verde sem ter medo que algo inesperado acontecesse. Caminhado por algumas ruas já desertas de Copacabana senti o cheiro da mesma brisa parisiense que vi nos olhos do senhor de bigodes e cheguei ao meu destino.  Sã e salva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Barbara Kahane&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34439133-5044543115392288550?l=pescotexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/5044543115392288550/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34439133&amp;postID=5044543115392288550&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/5044543115392288550'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/5044543115392288550'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/2010/06/os-acasos-e-ternura-03-o-bogarde.html' title='OS ACASOS E A TERNURA 03 - O Bogarde tijucano na brisa parisiense'/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TBaIF6BldfI/AAAAAAAAAX8/-SuGndFTxZk/s72-c/tarde_demais_esquecer01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133.post-8801053167417498771</id><published>2010-01-26T23:56:00.001-03:00</published><updated>2010-01-27T00:02:48.892-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/S1-rlDbLoKI/AAAAAAAAAVU/7gOodcMRZuo/s1600-h/MEGAFAUNA_4.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 274px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/S1-rlDbLoKI/AAAAAAAAAVU/7gOodcMRZuo/s400/MEGAFAUNA_4.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5431248328694931618" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34439133-8801053167417498771?l=pescotexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/8801053167417498771/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34439133&amp;postID=8801053167417498771&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/8801053167417498771'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/8801053167417498771'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/2010/01/blog-post.html' title=''/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/S1-rlDbLoKI/AAAAAAAAAVU/7gOodcMRZuo/s72-c/MEGAFAUNA_4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133.post-7607506316558416576</id><published>2009-11-25T01:16:00.023-03:00</published><updated>2010-07-28T23:17:44.985-03:00</updated><title type='text'>DITONGOS</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TFDi1V743UI/AAAAAAAAAZw/m8u3nozBvf8/s1600/vitoria+regia_menor.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TFDi1V743UI/AAAAAAAAAZw/m8u3nozBvf8/s400/vitoria+regia_menor.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5499144551068654914" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/Sw3VSeuPMqI/AAAAAAAAAVA/bZOkQmRXKpo/s1600/les+yeux.1jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 330px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/Sw3VSeuPMqI/AAAAAAAAAVA/bZOkQmRXKpo/s400/les+yeux.1jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5408213241003192994" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;572&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  No ponto da padaria subo no 572. Dentro, um senhor de idade e aparência frágil dorme, encostado como um pão velho contra a vidraça, suando enquanto as luzes dos postes que passam pelo seu rosto fazem brilhar as gotas de suor na testa e realçam os pequenos e bem cavados triangulos de pele nas bochechas, como tortillas de doritos em miniatura cravadas numa pasta de grão de bico em fim de festa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  O cobrador, passeando um sorriso desocupado, sem muito o que fazer, procura com quem conversar, com uma cara benevolente de quem faria no mínimo um gesto amigável de ok com o polegar caso alguém lhe pedisse uma paradinha fora do ponto. Mas pelo aspecto dos passageiros, que mais pareciam estar derretendo aos poucos nos assentos, ninguém conseguiria descer antes do terceiro giro do ônibus pela cidade, ou faria outra coisa além de transpirar com cara de sofrimento ou de se abanar com cara de alívio. Muito menos eu, mero expectador, com meus fones de ouvido, na expectativa de alguma brisa. Ele então mira atentamente o casal de estrangeiros pálidos sentado à sua frente, enquanto eu tiro os fones para ter a cena por completo: Vão descer aonde? &lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Copacabana... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Copacabana? &lt;span style="font-style:italic;"&gt;sorriso malicioso do cobrador&lt;/span&gt; – Vai ter que trocar de ônibus! &lt;span style="font-style:italic;"&gt;(faz o gesto giratório com os dedos e desce da sua cadeira para explicar mais de perto)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E conversa vai, conversa vem. Quando a mímica não dá conta, o cobrador pede emprestado o dicionário bilingue do casal: - Rio... wanderful, né? – Yes, wonderful! &lt;span style="font-style:italic;"&gt;concorda o casal&lt;/span&gt;. Ele então aponta para o motorista e diz: - Ele, o motorista... &lt;span style="font-style:italic;"&gt;(faz o gesto de quem dirige)&lt;/span&gt; – Yes, yes, the driver! &lt;span style="font-style:italic;"&gt;esclarecem os gringos, entusiasmados&lt;/span&gt; – Yes, de driver! &lt;span style="font-style:italic;"&gt;concorda o cobrador &lt;/span&gt;– So, o driver, é uma woman! &lt;span style="font-style:italic;"&gt;(faz o gesto de desmunhecamento com a mão e abre um sorriso cheio de dentes)&lt;/span&gt;. O casal se entreolha e ri, mais por comunhão antropológica do que por entendimento. O tom do humor lhes escapa um pouco. O cobrador então repete, não por perceber que o casal não entendeu os pormenores da brincadeira, mas porque faz parte da sacanagem, curta, contá-la duas ou mais vezes, pra fixar. Vale dizer que ele estava simplesmente encantado em entreter o casal. E completa, apontando novamente para o motorista e depois para o próprio cucuruto:&lt;br /&gt; – Ele, o driver... É careca e também é woman! &lt;span style="font-style:italic;"&gt;e gargalha, descolando o rosto do senhor da vidraça, que aparentemente dormia, e que para surpresa de todos solta uma tremenda gargalhada depois de limpar a baba com a manga da blusa&lt;/span&gt; – Bald, bald! &lt;span style="font-style:italic;"&gt;traduz o casal, enturmado&lt;/span&gt;. O motorista, passando uma toalhinha na testa e rindo, diz: – Avisa aí que a gente deixa eles num circular na praia&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/SwzbOPJ4pPI/AAAAAAAAAUY/4xrqHSFUFMI/s1600/Arnaldo,+o+Toalha.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/SwzbOPJ4pPI/AAAAAAAAAUY/4xrqHSFUFMI/s400/Arnaldo,+o+Toalha.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5407938290197767410" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Arnaldo,  o "toalha",  é um dos suspeitos procurados pela polícia)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                 &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Não tem melhor não?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chuviscava na autoestrada Lagoa-Barra. O dia era cinzento. A Lagoa nesse dia parecia ser não só água e lodo e peixes invisíveis e marolas irregulares e prateadas, parecia também ser de pedra. Uma grande cuia virada criando uma estufa de tédio, ou algo inconcreto assim, talvez mais besta ou mais preguiçoso, era a tarde. Para os especialistas em ansiedade, o termo correto para esse edredom é um saco. Resolvi então apelidar as três cabeças das poltronas à minha frente de “turma do deixa disso” (isso sendo o foco, a atenção). Eram duas arredondadas e calvas e uma adornada com um negríssimo rabo de cavalo curto e compacto. Distração para quando acaba a pilha da música, aquela guitarra safadíssima. Nos tempos do colégio era assim: Tenho que ver vinte gostosas até chegar em casa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há de ser dito que eu não esperava absolutamente nada daquela tarde, nenhuma surpresa, nemhum solavanco, muito menos o desviramento milagroso da grande cuia. Talvez somente a escapolida do elástico que prendia o rabo de cavalo da terceira cabeça, que estalaria na nuca da segunda cabeça? Seria divertido? Talvez um súbito desafogamento do trânsito? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada disso acontecendo, imaginei um vendedor serelepe numa loja de instrumentos musicais, que, ao ouvir os pedidos dos clientes, repetiria o nome do instrumento fazendo seu som característico com a boca... Bem, melhor falar da curva. Bom, houve uma curva, e chuviscava menos no canal, e tinha um carro atolado no canal. Um carro no canal! Olha a cuia dando uma levantadinha! E a motorista do ônibus, uma mulher com cara de poucos amigos, comenta, categórica: - Só homem vendo... que vergonha...Tudo vagabundo, sem ter o que fazer, tst tst tst... E o cobrador responde: Olha ali umas mulheres, tudo parada...Ó lá, os homens estão ali pra ajudar no guindaste, no carro... Boa tarde madame, não tem menor não? Tô sem troco. Vai descer aonde?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tu qué é me derrubar. Mas aí te pego na curva, ó! &lt;span style="font-style:italic;"&gt;provoca a passageira, uma jovem manca muito magra e mal encarada que entraria facilmente no meu top 20 do dia&lt;/span&gt; – Né isso não! &lt;span style="font-style:italic;"&gt;responde o cobrador, assustado, enquanto tira do bolso um maço de notas&lt;/span&gt;. Então a motorista, bufando, larga o volante, levanta, e numa repentina aliança com a passageira revoltada (um beijo), começa a estapear o coitado do cobrador. O ônibus estava desgovernado, o pânico reinava entre os passageiros, havia fogo, gritos, uma equipe do rj tv, máscaras de oxigênio caindo de cima das aeromoças, e eu só acordei quando já tinha passado do meu ponto. Limpei a baba na manga da blusa e desci. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                 &lt;span style="font-weight:bold;"&gt; Casal adolescente no Catete.¹ (em dia ensolarado)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabe o que você é quando você anda?&lt;br /&gt;- O quê?&lt;br /&gt;- Linda!&lt;br /&gt;- É mesmo? &lt;span style="font-style:italic;"&gt;ela responde corando&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;- É! Caralho, o 572! Corre!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;¹ &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Sobre o incidente com o pudim de tapioca, ver English, op. cit., p.68 (apud_redux_)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Cem anos de audição&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vô sempre contava essa história delirante. Depois de tantas e tantas vezes contá-la para os netos, para os namorados e namoradas das netas e netos, para as mulheres e maridos dos filhos e filhas, para a baiana do acarajé predileto, para os entregadores de pizza de berinjela ou de colchões ortopédicos, para as visitas solitárias ou acompanhadas ou para quem mais aparecesse e o encontrasse sentado em sua confortável poltrona reclinante da sala (hoje disputada a tapas e beliscões fraternos entre os incontáveis filhos dos netos), decidimos gravá-la. E quando a ouvimos, alguns soltam fiapos de peidos finos enquanto riem, o que diverte bastante, outros ficam com os olhos vermelhos de cerveja e comoção, outros gargalham e arrotam sabor de carne, o que afugenta os mais sensíveis e leva ao delírio a juventude gritante que pede mais, e mais licor de jenipapo para as namoradas e ficantes ou para a Vânia, que trabalha na casa há décadas e também bebe na história. Às vezes os amigos da família escutam, outras vezes as namoradas e namorados das amigas e dos amigos dos filhos dos netos, outras vezes os entregadores de comida chinesa com cara de fuinha, e assim sucessivamente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Dois e trinta na pastelaria&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Opa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se você quer fechar os poros da pele tem que usar esse creme, menina!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E aí?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ai, mas é muito caro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tava lá com o Benga. Ele disse que vai comer muito peru no Natal. Falou que o índio da pastelaria vai dar muito peru pra ele de Natal. Tu não é o índio da pastelaria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que nada, tá vendendo nas americanas, baratinho! Depois a gente passa lá e eu te mostro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Gente... Olha que gato do outro lado da rua, e tomando sorvete!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É sim, mermão! (&lt;span style="font-style:italic;"&gt;abre a garrafa de coca cola e dá uma risada sarcástica&lt;/span&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Lembra o jãojão, mas ficou tão gordo ele depois...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E tu veio de lá andando? (&lt;span style="font-style:italic;"&gt;serve uma coxinha&lt;/span&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cê não quer parar pra comer alguma coisinha não, querida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E eu vou dar mais dois e vinte pra empresário de ônibus? Venho andando que tá bom. Tô com tempo, minha aula é aqui do lado. Vê aquele joelho ali? Não, não, o de cima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos, também tô com uma fome que nem te digo... E se não comer antes do curso vai ser dificil de aturar o Arthur falando...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que horas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas algum lugar com ar condicionado, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Seis e meia. Ó, tenho ainda cinco minutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ofe corse!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tá atrasado. Aula de quê? Tô fazendo informática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ali?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O meu é inglês &lt;span style="font-style:italic;"&gt;e&lt;/span&gt; informática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, mas eu não gosto de empada, acho sem graça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vai lá!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E se a gente comesse um salgado na pastelaria? Loucura?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quanto que dá isso aqui?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ai, vamos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dois e trinta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oi moço, me vê uma coxinha e um joelho por favor? Mas é de agora, né? Tá fresquinho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Moça, fresquinho com esse calor só refrigerante, que tá na geladeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/DTNWHCVrbTA&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/DTNWHCVrbTA&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(as duas carecas do ônibus)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/SxNpYkNwgII/AAAAAAAAAVI/pBh10uUMVKg/s1600/fotos+nena+015.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/SxNpYkNwgII/AAAAAAAAAVI/pBh10uUMVKg/s400/fotos+nena+015.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5409783448161255554" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;/span&gt; (outro ângulo de Arnaldo, o "toalha")&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Signifrito Figueirosa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34439133-7607506316558416576?l=pescotexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/7607506316558416576/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34439133&amp;postID=7607506316558416576&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/7607506316558416576'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/7607506316558416576'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/2009/11/ditongos.html' title='DITONGOS'/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TFDi1V743UI/AAAAAAAAAZw/m8u3nozBvf8/s72-c/vitoria+regia_menor.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133.post-6514056028975733478</id><published>2009-11-18T00:15:00.001-03:00</published><updated>2009-11-18T00:18:43.742-03:00</updated><title type='text'>BERCEUSE</title><content type='html'>&lt;em&gt;Para GS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Une berceuse est une chanson douce destinée à aider les enfants à s'endormir. Il existe des berceuses chantées dans toutes les langues du monde.&lt;br /&gt;                                                                                         Wikepedia francesa e sua definição para canção de ninar&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde que voltara ao continente ela sentia esse cheiro de podre que vinha da baía. Ninguém mais parecia sentir. Não sabia se os outros haviam se acostumado ou se o cheiro que sentia vinha de dentro; de algum lugar de sua alma estragada.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conhecia muita gente, mas à medida que reencontrava os velhos rostos, sentia um cansaço extremo. Estes rostos que lhe eram conhecidos, apesar do tempo curto de sua ausência, agora lhe pareciam outros. Ou o problema era todo dela que não mais se reconhecia nos rostos amigos de outrora? Tudo havia mudado. Ela era outra. E ainda se acostumando com essa outra dentro dela, que era ela, decidiu aceitar a amizade e o afeto de um estranho. Assim não ficaria com a desagradável sensação de ter somente para interagir os velhos rostos do passado que não eram mais os mesmos e ainda ter que fingir que nada havia mudado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi desta maneira que ela se surpreendeu quando entrou na casa deste novo estranho. Não era a primeira vez que entrava ali, mas tudo no ambiente ainda tinha um aroma de novidade. Era bom um rosto que não a conhecia direito a recebendo em sorrisos sem condescendência. Era a terceira ou quarta vez que entrava naquela casa. Mas dessa vez todas as luzes estavam apagadas. Não eram amigos nem eram amantes. Eram dois estranhos precisando da companhia um do outro na tênue esperança de se reinventar. Havia encontrado outro exilado com suas mesmas necessidades. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No escuro ele a recebeu. Tocou sua mão com suas mãos quentes. Conduziu-a a uma das cadeiras da mesa de jantar. Ela sentou. Mal e porcamente a cumprimentou mas as mãos que a guiaram eram calorosas e ternas o suficiente para deixá-la segura. Apesar do inusitado ela tinha certeza que não corria perigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em frente à cadeira uma tela de um computador portátil aberta iluminou finalmente o seu rosto. Ele pediu para que ela fechasse os olhos e colocou, sem que ela visse, um fone em seus ouvidos. Um ato um tanto paternal, pensou em um misto de inusitado incomodo e conforto pelo ato.  É essa a música que andei te falando, sussurrou antes das notas suavemente formarem uma sequência harmônica e sutil. Sentiu uma sensação estranha, que pouco sentia desde muito tempo. Uma sensação de ser e mais nada. Uma sensação de que finalmente voltava a existir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A música estava dentro dela, mas mesmo assim começou a perceber uma outra presença. Sua alma já não apodrecia na mesma velocidade. Abriu os olhos marejados e se deparou com os vivos olhos dele. Olhos vivos sobre ela. Olhos que tudo o que pediam era a sua aprovação a uma música que neste momento só pertencia a ela. Ela não podia negar o que ele pedia, mesmo que muito quisesse. Haviam olhos marejados estampando seu rosto para lhe delatar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os lábios dele mexiam. Ele falava, mas ela não conseguia ouvir. Não importava. A música estava dentro dela e ela sabia o que ele queria sem precisar entender as suas palavras.  A cena dele falando sem emitir nenhum som que ela fosse capaz de ouvir até tinha um quê de cômico, o que a encheu de repentina ternura. Sorriu e fez que sim com a cabeça, concordando com todas as palavras mudas que ela só via existir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fechou os olhos novamente e por mais que sentisse a presença dos olhos dele sobre ela permaneceu assim. Era bom saber ser observada quando algo tão bonito entra dentro de você e mata a podridão quase irremediável em que se encontra a sua alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao final da música, ela retirou o fone dos ouvidos, agora com suas próprias mãos, sempre frias. Ele acendeu a luz que feriu os olhos dela. Tudo estava claro. Ele olhou para ela e sorriu. Ele sempre sorri de suas caretas de reação a situações inesperadas e essa claridade repentina não estava nos planos dela. Agora ambos sorriam embora existisse um choro que ela tentava prender. Não sabia se esse choro preso era melancolia ou alegria. Ele perguntou o que ela havia achado, ela permaneceu com o sorriso que era sincero. A música era linda, não havia dúvida sobre isso. Ele tinha toda razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A brisa da janela trazia o vento da baía para dentro da sala. Mais uma coisa estranha, a brisa agora cheirava a um delicado perfume de sereno. Agora ela conseguia ver que um dia as coisas acabam bem. Os sonhos finalmente viriam visitá-la na longa noite em que já havia se acostumado viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Barbara Kahane&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34439133-6514056028975733478?l=pescotexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/6514056028975733478/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34439133&amp;postID=6514056028975733478&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/6514056028975733478'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/6514056028975733478'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/2009/11/berceuse.html' title='BERCEUSE'/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133.post-3486348871543443205</id><published>2009-09-01T17:03:00.001-03:00</published><updated>2009-09-01T17:04:23.939-03:00</updated><title type='text'>Ao pé do ouvido das minhas paredes</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Quem conhece o solo e o subsolo da vida, sabe muito bem que um trecho de muro, um banco, um tapete, um guarda-chuva, são ricos de idéias ou de sentimentos, quando nós também o somos, e que as reflexões de parceria entre os homens e as cousas compõem um dos mais interessantes fenômenos da terra. A expressão: "Conversar com seus botões", parecendo simples metáfora, é frase de sentido real e direto. Os botões operam sincronicamente conosco; formam uma espécie de senado, cômodo e barato, que vota sempre em nossas moções.&lt;br /&gt;(Quincas Borba – Machado de Assis)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Os objetos inanimados de sua casa eram bem animados. Falava com eles e eles respondiam, reagiam, opinavam. Resquícios inconscientes de uma peça teatral escolar encenada aos dez anos de idade em que interpretava uma vitrola em uma casa repleta de objetos inanimados e nenhum ser humano. Escolheu esse papel para poder cantar, um sonho que já existia à época. Nos ensaios, como uma boa vitrola, ela cantava achando que assumia o papel esperado. Mas obtinha de resposta a risada unânime de todos os seus colegas que compunham o elenco, como se ela estivesse a fazer piadas. Risadas do gorducho relógio ruivo da terceira série, risadas da estante vara pau da quinta série. E sua interpretação, que tinha por intenção primeira emocionar os corações com sua bela voz, acabou direcionada a um tom mais cômico que muito a magoou quando a reação do auditório repleto de pais em gargalhadas histéricas selou seu destino artístico. Desde então jamais subira em um palco novamente. Nem para cantar, nem para interpretar. Suas encenações, agora que morava só, eram para seus móveis e objetos, que sempre respeitavam com o devido decoro o talento que ela sabia existir, mas que havia sido rejeitado pelas pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se mudou para um apartamento seu foi um regozijo só. Finalmente tinha ao quê confessar seus pensamentos mais íntimos - dos sórdidos aos nobres - sossegadamente. Na casa em que vivera toda a vida não tinha com o quê se abrir. Pai, mãe, dois irmãos homens, uma mulher e uma empregada doméstica residente eram piores do que mil portas. As poucas palavras trocadas com essas pessoas feitas de carne e osso (mas pouca alma) eram as mais vazias: “bom dia”, “boa noite”, “me passa a manteiga, por favor” “feliz aniversário papai” “me perdoe mamãe pelo boletim todo em vermelho”. Dentro de seu quarto, que dividia com a irmã, quando se encontrava sozinha via um estranho, mas reconfortante prazer em conversar com as bonecas. Até o dia em que as bonecas foram doadas a um orfanato (sua mãe achava que estava grande demais para esses tipos de fantasias). Chorou e descobriu pela primeira vez o colo do travesseiro que desde então passou a assumir o papel de amigo mais fiel. O amigo que, com seus conselhos sempre certeiros, lhe transmitia uma verdadeira sensação de vida, coisa que não alcançava com o convívio diário com a família zumbi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sair para rua diariamente era um verdadeiro sofrimento. Tinha a seus acessórios para recorrer, mas tinha que ter cuidado para não ser confundida com louca pelas ruas, aos bate-papos com seus botões. Mas o pior, o pior mesmo, era desviar das pessoas em qualquer trajeto que tomasse. Era lidar com o caixa do banco, com a caixa do mercado, com o porteiro do prédio. Às vezes, para não ouvir as asneiras que por acidente captasse, saia de fone conectado ao mp3 player e cantava um canto baixinho, para se proteger de palavras arremessadas ao vento que pudessem eventualmente lhe atingir e para não correr o risco de causar o riso involuntário a quem por acidente acabasse ouvindo-a em seu cantar triste. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que não gostasse de pessoas. Apenas não sabia como se portar na frente delas. O medo que tinha de não alcançar as expectativas dos poucos que calhava conhecer (no trabalho, por exemplo) era equivalente à certeza de saber também que ninguém superaria as dela. Sabia sorrir amarelo e ser bem educada e no escritório repetia a rotina tantas vezes feita em casa nos anos de formação e aprisionamento: “escritório de advocacia, boa tarde”, “Dr.Gomes mais um café?” “queira aguardar, por favor. Palavras vazias para passar o tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final do dia chegava em casa, preparava um sanduíche e tomava banho. Ia fazendo isso contando seu dia para o quê estivesse em volta. Nunca houve desinteresse. Após o banho escovava os longos e pesados cabelos. Fazia penteados extravagantes muito aprovados pelos Espelhos, dançava para o Alto Cabideiro que se oferecia no bailado, cantava e cantava para Escova que para agradá-la se fazia de Microfone, agradecia em reverencia ao Sofá e Poltrona, ia dormir seduzida pelo Seu Cobertor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parecia uma vida triste e sozinha, mas não era. O pensamento antes do sono era sempre o mesmo: pobre daqueles que depositam em ouvidos alheios todas as expectativas de uma vida. Ninguém deveria esperar tanto do outro. Nos afundamos em cobranças que inventamos exigir à desculpa de ser felicidade e depositamos o potencial de sucesso desse estranho sentimento numa pobre alma como a nossa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Travesseiro, velho e sábio companheiro, então a ninava para as desventuras do próximo dia. Às vezes ela chorava baixinho. Ainda assim dormia sempre tranqüila. Suas paredes não tinham nada de traiçoeiras.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34439133-3486348871543443205?l=pescotexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/3486348871543443205/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34439133&amp;postID=3486348871543443205&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/3486348871543443205'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/3486348871543443205'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/2009/09/ao-pe-do-ouvido-das-minhas-paredes.html' title='Ao pé do ouvido das minhas paredes'/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133.post-7574770275185977047</id><published>2009-07-27T19:45:00.001-03:00</published><updated>2009-07-27T19:49:13.036-03:00</updated><title type='text'>apresentando renata azzi</title><content type='html'>Renata,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Texto bonito esse o seu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vou me alongar para a apresentação não ficar maior que o texto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É tão bom ver o pescotexto renascer com suas palavras. Ainda que poucas. Palavras renatas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito obrigada pela contribuição e seja sempre bem vinda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;B.K&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34439133-7574770275185977047?l=pescotexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/7574770275185977047/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34439133&amp;postID=7574770275185977047&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/7574770275185977047'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/7574770275185977047'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/2009/07/apresentando-renata-azzi.html' title='apresentando renata azzi'/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133.post-5248111191982599905</id><published>2009-07-27T19:33:00.003-03:00</published><updated>2009-07-27T19:42:50.518-03:00</updated><title type='text'>Diversão pura.</title><content type='html'>O que se pode fazer quando é madrugada fria, e se tem febre?&lt;br /&gt;Sair para tomar um ar. Pensamento vira delírio e eu tinha muito o que pensar. Tinha to -dum quebra cabeça (ou dois), um quebra cabeça (-dura) amoroso, e que, aliás, my dear, tenha dó, era o mais desinteressante de todos os tempos. &lt;br /&gt;A chuva da semana acumulou-se nas muitas poças d’água pelas ruas. Poças repetindo o céu, o poste e os prédios above, o céu, o poste e os prédios above, monotonia ad aeternum. &lt;br /&gt;Obcecou-me de improviso o impulso de juntá-las, todas as peças-poças, a ver se formariam uma figura mais promissora, mesmo que fosse uma rua, assim, por exemplo: a sua. As poças, sem perseverança, sem intransigência alguma, veja, mudariam de figura automaticamente quando deslocadas, sem crise: “whatever...tssh!”. &lt;br /&gt;Fascinante propriedade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ainda ri tresloucadamente quando pensei que elas nunca mais se lembrariam de mim depois que eu sumisse da vista.Gargalhei, até. Eu, não: meu reflex.&lt;br /&gt;Esta sarjeta é tipo uma rave... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(e eu, na mó ondinha de poça d´agua...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Renata Azzi&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34439133-5248111191982599905?l=pescotexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/5248111191982599905/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34439133&amp;postID=5248111191982599905&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/5248111191982599905'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/5248111191982599905'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/2009/07/diversao-pura.html' title='Diversão pura.'/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133.post-8782832471819222646</id><published>2009-03-19T09:20:00.014-03:00</published><updated>2009-09-01T18:57:58.799-03:00</updated><title type='text'>The front page</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/ScZ48ItIBlI/AAAAAAAAAJQ/Vf9fm88eewQ/s1600-h/onda+nuvem+voc%C3%AA.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 316px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/ScZ48ItIBlI/AAAAAAAAAJQ/Vf9fm88eewQ/s400/onda+nuvem+voc%C3%AA.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5316069384681686610" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Galinha, uma tira brizolista, zomba de Clara enquanto um rato luta luta livre bezuntado de calda de chocolate com três jovens baratas eriçadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tá mexida, filha? Esse mundo te janta!&lt;br /&gt;- Mexida uma ova! Me viro!&lt;br /&gt;- Casca grossa, ela, né não, Cavalo? - aponta.&lt;br /&gt;- É, coloca de volta na cela dos carecas, por desacato!&lt;br /&gt;- Boa! ... E ... e, ó lá, nem responde ... Tá vendo? A cadela é uma daquelas que no cio lia o russo na cela. Tacabando com as cabeças de toda porra de preso que sai daqui! (Gargalha) hehe ... porra de preso que sai ... haha (cafunga o ar empinando a penosa nareba aflita e tremilicante como se bastasse apenas um ligeiro afrouxamento da atenção muscular para que a pequena catástrofe natural da flatulência ritmada mudasse a cadência da risada de porco que a Galinha, a tira, dava, e que o Cavalo, o tiro, dava também) e preso que ... cai ... haha - .... - e sai.&lt;br /&gt;- A algema! Tira de mim! Cocoricó! - berra Clara.&lt;br /&gt;- Solta ela, Cavalo! – geme Galinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na cagada da Galinha, Clara dá um coice em Cavalo, que cai de beiço na sobremesa das dolichoderus gibbosus. Mancha no carpete. Cortina. Mancha na cortina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anedota sem escolta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De cima, Gata assiste à cena, pensa em pé, pensa em nada, nada como seu vestido flutua, e sozinha cambaleia no vai e vem de seus belos abdominais lesados e fáceis. Segurando a barra de ferro da varanda, sorrindo e olhando do seu P.O avançado para os rapazes abaixo, nos destroços da festa, sujos de pastinhas diversas e suados como espivitadas raparigas de um bordel de guerra que desfilam sem saber para a poderosa oficial na varanda entrecortada de faixas de luz no escuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Signifrito Figueiroa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/ScZ5xEPt2xI/AAAAAAAAAJY/8xUNRsRnZ3Y/s1600-h/peter+sellers.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 306px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/ScZ5xEPt2xI/AAAAAAAAAJY/8xUNRsRnZ3Y/s400/peter+sellers.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5316070294017661714" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34439133-8782832471819222646?l=pescotexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/8782832471819222646/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34439133&amp;postID=8782832471819222646&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/8782832471819222646'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/8782832471819222646'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/2009/03/front-page_19.html' title='The front page'/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/ScZ48ItIBlI/AAAAAAAAAJQ/Vf9fm88eewQ/s72-c/onda+nuvem+voc%C3%AA.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133.post-603959470858727896</id><published>2009-02-24T17:12:00.002-03:00</published><updated>2009-02-24T17:16:37.449-03:00</updated><title type='text'>AS TORRES DA PRAÇA</title><content type='html'>Três rapazes pedem a torre de chope dentro do shopping center. O sol castiga lá fora e a praça de alimentação bomba. A cada duas ou três mesas empilhadas de gente existe erguido esse espigão de líquido amarelo. Parece ser a nova sensação mudando sutilmente paisagem tão uniforme. Aqui não se fuma e o ar condicionado não dá vazão. Quem não bebe se atraca com um sanduíche gigante de uma famosa rede de fast food. E assim dois rapazes com suas bocas cheias de um Big Mega Super Plus com tudo dentro convivem em plena harmonia a dois palmos de distância de um casal e sua torre cheia da mais nova sensação do verão. O chope ali esquenta rápido e a economia de pedir a torre é de menos de três reais.  O rosto do garçom entediado enchendo mais uma das torres numa serpentina do balcão do restaurante da minha frente não nega que ele prefere mil vezes ir e voltar com sua bandeja entregando um por um os chopes solicitados. E isso não tem absolutamente nada a ver com os trinta centavos que ele deixa de ganhar a cada sete minutos perdidos na enfadonha obrigação de encher a torre para mais uma mesa sedenta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, também cheia de tédio, tenho que esperar. As ordens foram essas e há quatro dias fico uma média de quatro horas sentada numa das mesas dessa praça de alimentação sorvendo expressos e observando. Não sinto fome e tudo o que eu devorei até agora foram quatro livros. Acho que estou começando a levantar suspeitas, pois desde ontem os garçons me olham com olhos desconfiados. Eu só tomo café e observo entre um e outro capítulo que folheio dos velhos clássicos que eu trouxe comigo nessa minha missão. Às vezes saio para fumar um cigarro, mas sempre volto ao meu posto. Quando vejo que tomaram a minha mesa já de estimação e tão estrategicamente escolhida eu me irrito. Da última vez que isso aconteceu, coisa de duas horas atrás, a moça do quiosque do café percebeu e num ato de surpreendente e inesperada cumplicidade (será que ela sabe?) me serviu um expresso sem eu mesma solicitar. Tomei-o em pé assistindo as duas adolescentes sentadas na minha mesa que acabavam com seus sorvetes de baunilha na casquinha do fast food e riam risinhos frenéticos enquanto um jovem de jeans rasgados passava por elas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, de volta ao meu lugar, observo que acabou de chegar numa alegre e descontraída  mesa à minha frente  uma torre de um tipo que eu ainda não havia tomado conhecimento. Uma torre cheia de um líquido negro. Imponente. O chope escuro, servido assim dessa maneira, me parece estranhamente sedutor. Um dos rapazes sentados na mesa pensa que meu olhar instigado é para ele e sorri maliciosamente. Cogito pedir um chope para mim, mas não sei se devo.  O casal que vive na mesma situação que eu e que se sitiou na mesa oposta ao lado da praça de alimentação escolhido por mim é sempre muito comportado. Ninguém sabe o que nos trouxe aqui e eu sei que eu com meus hábitos de sorver expressos, devorar livros, sair para fumar cigarros e agora escrever autisticamente nesse bloco pautado levanto muito mais suspeitas do que o casal que ora divide um milk shake de morango, ora uma pizza portuguesa, ora bebe sucos de polpa congelada, ora lê o jornal local do dia, ora conversam sobre sei-lá-o-quê e ora até dividem o silêncio dos enamorados simulando olhares lânguidos um para o outro. Eu, por outro lado, estou sozinha nessa missão e tudo o que me resta enquanto Eles não chegam com as novas diretrizes é contar as torres de chope que desfilam na minha frente e observar o movimento tão uniforme e ainda assim bizarramente humano da praça de alimentação desse shopping center. Enquanto isso eu sorvo expressos e devoro clássicos como se fossem descartáveis, como tudo aparenta ser a minha volta neste exato momento. Com sorte uma indigestão me tira desse jogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Barbara Kahane&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34439133-603959470858727896?l=pescotexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/603959470858727896/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34439133&amp;postID=603959470858727896&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/603959470858727896'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/603959470858727896'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/2009/02/as-torres-da-praca.html' title='AS TORRES DA PRAÇA'/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133.post-6222263619602090893</id><published>2009-02-06T19:00:00.033-03:00</published><updated>2010-10-18T18:04:42.117-03:00</updated><title type='text'>Funciona mais ou menos assim</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/SYyzMbwc_gI/AAAAAAAAAGA/UOK488tjK_Y/s1600-h/uma+epidemia+de+imcompetencia+simp%C3%A1tica+e+tortura+pela+instabilidade.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/SYyzMbwc_gI/AAAAAAAAAGA/UOK488tjK_Y/s320/uma+epidemia+de+imcompetencia+simp%C3%A1tica+e+tortura+pela+instabilidade.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5299807887699017218" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu hd trava, então você começa a procurar um técnico ou uma empresa competente que possa resgatar seus arquivos das trevas. Após uma pesquisa empenhada, você resolve apostar naquele site: “Garantimos recuperação total dos seus arquivos! Confie em quem tem experiência. Profissionalismo, sigilo (te chamam sorrateiramente de tarado), bom atendimento e atenção é nossa prioridade”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É lá, beleza! Você embrulha cuidadosamente seu hd, coloca na mochila, pega o ônibus, enfrenta engarrafamento, ri do bigode no cartaz publicitário, agüenta com trema o cheiro de cêcê da gorda que te espreme contra a janela, lembra do ano de trabalho perdido (só gente chata faz backup de tudo) e desce no coração de Copa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma simpatia a dona da loja. Quanto sorriso! Como é bom, é sempre um prazer ser bem tratado, ou simplesmente ser tratado como a situação exige. Quem escancara o bolso merece. “Claro, recuperaremos tudo, com certeza”. Tudo? “Tudo, os cento e oitenta e quatro gigas, sem problema, estamos acostumados.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegando em casa você percebe que aquela pasta que você mais precisa não está em nenhum dos dvs de backup fajutos, brilhantes e idiotas como você que te deram junto com um obrigado ressecado ao sair. Já é tarde, a empresa fechou às sete da noite e agora são dez horas em ponto, e você não está na globonews.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na manhã seguinte, quatro xícaras de café, a Letícia Sabatela a sorrir esplendidamente no caderno cultural, e você está pronto, e devidamente preparado para manter a calma coesa e concretista, e, caso precise, declamar a lista de argumentos concretos que você preparou na sua cabeça para que ninguém na loja deixe de reconhecer o errus operandi, ou esboce a malemolência de se esquivar da obrigação de terminar uma josta de serviço inacabado e caro. Você preparou uma dose de culpa a ser entornada nos ouvidos da gerente caso ela te torre o saco com lorotas esfarrapadas. Orgulhosa e consciente dos serviços que oferece, e do que promete, e provavelmente fragilizada pela periclitância dos negócios, ela não nega, não nega mas também não fala, passa para um subalterno (quando um cliente está puto ou está puto ou está muito puto, tanto faz, começa a chamar as pessoas não pelo quem é quem na bodega, mas pelo critérium do span style "você sabe com quem está falando?" Assim, técnicos ou subalternos, o suborno analítico prepondera. Aderimos atavicamente. O subalterno se dá ao luxo de subir o tom de voz! Defende a incompetência com a vulgaridade!! Tenta encontrar algum gancho de grosseria na sua voz para então justificar a impossibilidade de acabar o serviço!!! Petulante a dizer que faltou luz. Débito ou crédito?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Provavelmente, na sua cabeça esculhambada você vê a gerente capturar uma meleca verde e periférica e crocante e petrificada do nariz enquanto balança a cabeça positivamente de maneira bem é isso mesmo, estimulando o seu funcionário a manter o tom duro na conversa. Frieza, frieza e paciência, você aprendeu isso depois de perder o espírito, como perderam o espirito o jeep e o jornalista do filme do kiarostami que você nem lembra o nome de tão adverbialmente puto que estava com o descaramento verbal do gago subalterno, mas sabe que é algo com vento.  Não, você não só pensa nos seus iates imaginários ou na sua casinha simplesmente inexistente na serra do avarandado, para onde deseja füüft e só sair quando a cidade rachar, você pensa também em resolver o problema o mais rápido possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas horas depois lá está você em Copa. A gerente, ontem de uma gentileza capaz de adocicar cabeças terroristas, vem andando atrás da porta de vidro, supercílios de acílico descontentes, arrastando-se com olheiras de lagarto morto e com uma franginha que nem te falo. Você não é bem vindo aqui, diz o rosto. Olhar de quem se sente ultrajada. Quem vive das chibatadas do masoquismo curte e quem é são pimba, pira, e só os fantasmas se divertem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Signifrito Figueiroa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34439133-6222263619602090893?l=pescotexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/6222263619602090893/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34439133&amp;postID=6222263619602090893&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/6222263619602090893'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/6222263619602090893'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/2009/02/funciona-mais-ou-menos-assim.html' title='Funciona mais ou menos assim'/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/SYyzMbwc_gI/AAAAAAAAAGA/UOK488tjK_Y/s72-c/uma+epidemia+de+imcompetencia+simp%C3%A1tica+e+tortura+pela+instabilidade.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133.post-3618224532995869567</id><published>2009-01-26T20:37:00.005-03:00</published><updated>2009-01-26T21:31:42.646-03:00</updated><title type='text'>adeus avestruz</title><content type='html'>&lt;em&gt;And if I seem to be afraid&lt;br /&gt;                                           To live the life that I have made in song&lt;br /&gt;                                           It's just that I've been losing so long.&lt;br /&gt;                                           La la la la la, la la.&lt;br /&gt;                                           (these days, nico)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não agüentava mais ler nas páginas dos livros a vida que deveria ter tido e nunca aconteceu. Era um desperdício tanta expectativa. Deveria fechar o apartamento repleto de livros e ir pra o rio das ostras abrir um bar e viver de pescar peixes. Abrir os livros por prazer, sem desejos de respostas. Sumir do mapa, aposentar o telefone. Não ter numero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ponto alto de sua vida no último ano foi ficar sem celular por dois meses. Não poder ser achada. Odiava telefone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não agüentava mais ouvir nos acordes das músicas a vida que deveria ter tido e nunca aconteceu. Era um desperdício tanta expectativa. Deveria se dedicar às aulas de violão e às revistas de banca de jornal que ensinam mal como tocar a legião urbana, e assim assimilar as três posições necessárias para fazer sua própria música. Diferente de tudo e foda-se se os outros iriam achar igual. Rimar amor com dor, amor com flor, amor com impossibilidade de ser feliz. Cantar no karaokê disputando um nove e meio eletrônico com os bêbados de pinga e fossa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ponto alto de sua vida no último ano foi passar incólume, sem se interessar por ninguém. Desejava o mundo, e nada mais além disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não agüentava mais assistir nas seqüências de planos dos filmes a vida que deveria ter tido e nunca aconteceu. Deveria desistir dessa história de imaginar casos impossíveis com astros made in usa que povoavam os seus sonhos. Era melhor ir para rua e gritar pela carioca. Fingir que sua loucura é performática e com sorte ganhar uns trocados para pegar o metrô de volta.  Não ter mais medo. Despedir-se da era dos desperdícios. Fingir que agora era para valer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ponto alto de sua vida no último ano foram as horas no trânsito obrigando-a a observar. Os olhares tristes e exaustos dos solitários presos num ônibus lotado são sempre cheios de vida e medo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Barbara Kahane&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34439133-3618224532995869567?l=pescotexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/3618224532995869567/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34439133&amp;postID=3618224532995869567&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/3618224532995869567'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/3618224532995869567'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/2009/01/adeus-avestruz.html' title='adeus avestruz'/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133.post-6917336889965630054</id><published>2008-12-02T03:08:00.009-03:00</published><updated>2008-12-09T01:39:44.296-03:00</updated><title type='text'>Spa de letras</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/STTRBTkihrI/AAAAAAAAAFQ/tIvWQ9qC9gU/s1600-h/7.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 250px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/STTRBTkihrI/AAAAAAAAAFQ/tIvWQ9qC9gU/s320/7.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5275070883921299122" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Relatório do Capitão o_ técnico interino&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o objetivo daquela rapaziada era realmente vencer a competição de remo interalfabética sem nunca nenhum deles ter sequer remado ou navegado ou velejado ou nadado ou exposto algum dado que nos ajudasse a esclarecer algo ao invés de pastarmos, a primeira coisa a se fazer era acabar com o tráfico de bombons incomuns e salgadinhos de blugares que suas mães insistiam em armar na surdina. Mimando os filhinflados, eles nunca deixariam de chafurdar naquele spatafúrdio em Guarulhos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Signifrito Figueiroa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34439133-6917336889965630054?l=pescotexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/6917336889965630054/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34439133&amp;postID=6917336889965630054&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/6917336889965630054'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/6917336889965630054'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/2008/12/spa-de-letras.html' title='Spa de letras'/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/STTRBTkihrI/AAAAAAAAAFQ/tIvWQ9qC9gU/s72-c/7.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133.post-2269298156113613041</id><published>2008-11-27T16:38:00.001-03:00</published><updated>2008-11-27T17:28:57.246-03:00</updated><title type='text'>EU TE OLHAVA ENQUANTO DESAPARECIAS</title><content type='html'>Sentada na escada da entrada Presidente Vargas do Centro Cultural Banco do Brasil deixo o sol quente bater no meu rosto. A sensação é boa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À minha esquerda, um caminhão da Cavalaria da Polícia Militar despeja cavalos na rua para as festividades do dia do Zumbi. Duas senhoras brancas vestem atrás de mim tons elegantes de vermelho e curtem o feriado fumando cigarros e jogando conversa fora. Elas comentam sobre os cavalos na Presidente Vargas. Elas seguram sacolas elegantes da Livraria da Travessa. Agora pouco, lá dentro, paquerei um livro de entrevistas com o Woody Allen que não posso comprar. Se eu deixasse de beber nos bares por apenas uma semana eu poderia comprar o livro, mas sofro de uma tremenda falta de força de vontade e, por isso, ficarei por um tempo sem muito saber o que Woody Allen poderia ter para me contar que já não está em cada um de seus filmes que eu tanto prezo e aprecio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A força da vontade que me falta. Estou, eu, simplesmente sentada na porta do Centro Cultural do Banco do Brasil deixando o sol bater no meu rosto com cavalos à minha esquerda e duas senhoras elegantemente vestidas de vermelho fumando seus cigarros atrás de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cheiro dos cigarros das senhoras está muito presente. Mais presente do que o cheiro de pipoca do pipoqueiro à minha frente; mais presente que o cheiro forte de cavalos à minha esquerda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/SS8CQq6G24I/AAAAAAAAAFA/DFrN1dMF32Q/s1600-h/tom_waits.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/SS8CQq6G24I/AAAAAAAAAFA/DFrN1dMF32Q/s320/tom_waits.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5273436174093310850" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os sinos da Candelária tocam as cinco horas que chegam. Não tenho fome, nem sede, nem sono. Tenho é uma tremenda falta de força de vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A polícia montada vira a Primeiro de Março chamando a atenção de todos os presentes. Agora não existem mais cavalos à esquerda, mas à minha direita um grupo sonoro de crianças sai do Centro Cultural do Banco do Brasil em algazarra. O barulho me incomoda, mas falta força de vontade para sair daqui. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As mulheres elegantes já fumaram seus cigarros e não estão mais atrás de mim. Não sei contabilizar se isso faz muito ou pouco tempo. O cheiro do cigarro, no entanto, permanece. São outros fumantes que refugiam-se como lagartos no sol quente para fumar em paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As crianças ainda gritam e me pego pensando em um homem com voz de uísque. Faço a memória do caos de sua música embalando sua voz rouca sobrepor à gritaria aguda e desafinada dos cabritos em berros agudos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho pensado muito em Tom Waits. Na foto dele que uso como pano de fundo no meu computador do escritório ele fuma belamente e a fumaça estática do seu trago sempre parece que vai me invadir; saindo da tela para realidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse cheiro intermitente de cigarro na porta do Centro Cultural do Banco do Brasil me lembra a foto do Tom Waits. Talvez, essa seja a real razão de eu não ter vontade nenhuma de sair daqui, apesar de não existir nenhum motivo para ficar ainda mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que eu me entretenha ao lembrar todo o sufoco que sofri no escritório nas últimas semanas, mas o jeito cool em branco e preto e o bolso de sua camisa de botão cheio de um maço cheio de cigarros que ele fuma e joga a fumaça estática na minha direção que parece que vai sair e me tragar, me acalma inexplicavelmente nos momentos de maiores tensão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu pego, finalmente, um cigarro na porta do Centro Cultural Banco do Brasil e o acendo enquanto penso em Tom Waits. Sempre no escritório, quando eu desligo meu computador, eu fumo um cigarro. O último cigarro do dia com Tom Waits. Eu trago o cigarro e espero o computador desligar. Eu trago o cigarro e olho Tom Waits enquanto ele desaparece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje não vi Tom Waits porque estou aqui. O tempo está virando consideravelmente e os cavalos voltaram à Presidente Vargas. O cheiro do cigarro permanece e agora o meu ajuda a sustentar esse cheiro presente. Eu penso em Tom Waits e não tenho vontade de nada. Queria que alguém estivesse me olhando até eu finalmente desaparecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Barbara Kahane&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34439133-2269298156113613041?l=pescotexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/2269298156113613041/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34439133&amp;postID=2269298156113613041&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/2269298156113613041'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/2269298156113613041'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/2008/11/eu-te-olhava-enquanto-desaparecias.html' title='EU TE OLHAVA ENQUANTO DESAPARECIAS'/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/SS8CQq6G24I/AAAAAAAAAFA/DFrN1dMF32Q/s72-c/tom_waits.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133.post-4935968821682871408</id><published>2008-08-17T20:17:00.000-03:00</published><updated>2008-08-17T20:24:54.690-03:00</updated><title type='text'>DA MAÇONARIA DOS RESSENTIDOS*</title><content type='html'>I – Confissão de um membro honorário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse meu problema de só conseguir falar palavras que não representam em significado nada do que eu realmente estou sentindo está prestes a me colocar, pela segunda e definitiva vez, em seríssimos apuros. Agora percebo que por toda minha vida me dediquei a construção de uma armadilha para mim mesmo e num transe louco e hipnótico rumo agora em direção ao perigo com a consciência plena do meu destino, mas ao mesmo tempo impedido por uma força maior de recuar. Como aquela lâmpada azul que fazem os mosquitos voarem para a morte em sua direção. Eu sou o mosquito e as palavras que se formam na minha boca me traindo ininterruptamente é a luz azul que tenho absoluta certeza finalmente acabará comigo. Os dias continuarão passando, mas eu terei que, pela primeira vez, conviver com a consolidação de meu maior fracasso até o fim de minha fatídica existência. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As palavras escritas acima me denunciam como um mentiroso de marca maior. Mas talvez não seja nada disso. Talvez não seja tão grave, talvez seja muito pior. Atesto minha incapacidade com o manuseio de palavras e minha absurda falta de talento em conseguir me fazer entender pelos outros alertando ao leitor que não existe recompensa na insistência de leitura dessas confusas linhas a não ser a resignação de que o tempo, ao contrário do que o senso comum diz, não vale absolutamente nada. Afirmo de antemão, portanto, que o poder que minhas palavras tortas tem de provocar outros não afetarão, com absoluta certeza, àqueles que agora se dedicam sem nenhuma pretensão de estímulo didático, informativo ou intelectual a essa leitura. Dedico, portanto, essa tentativa de me explicar aos desapegados, que não me excomungarão pelo tempo perdido com a apreciação desse texto. Desde já também me eximo de qualquer culpa. Já avisei que possuo um discurso deveras duvidoso. Que nada do que eu digo deveria ser escrito, e que o reverso da sentença é real. Nada do que eu escrevo deverá algum dia ser repetido em voz alta. Principalmente para aqueles que dizem me conhecer muito bem.  O eu aqui apresentado será tão outro, tão irreconhecível, que se o que eu estou aqui prestes a relatar for reproduzido em voz alta em uma roda de algum evento social ou ao pé do ouvido no leito da intimidade, a fama de mentiroso e vil será do reprodutor da notícia, do mensageiro, e não de mim que tenho perfeito conhecimento da fama que sustento aos olhos daqueles que me prezam e que, para minha profunda infelicidade, são milhares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já enganei muita gente e me arrependo. Isso não quer dizer que irei parar. Minha intenção aqui não é pedir absorção de nenhum dos meus pecados. O circo que eu criei é maior do que eu e sempre foi. Aprendi a forjar o que eu sinto muito cedo. Nem posso dizer que aprendi ser assim, que foi um ensinamento ou a conseqüência de alguma decepção que sofri ainda muito jovem. Para mim essa maneira de agir, de ser, sempre foi a única maneira. Quando percebi que existiam outras alternativas mais comuns e menos dolorosas no comportar social era tarde demais e uma vida falsa já estava erguida a minha volta com alicerces sólidos e firmes. Minhas palavras nunca foram trêmulas e minha confiança encenada fez com que eu me tornasse esse homem de aço, esse super homem que nunca se reconheceu como tal de frente ao espelho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso me faz pensar na vaidade que homens como eu possuem. No apavonamento de colegas que estufam o peito e se aplumam ao reconhecimento mais nefasto de seu brilhantismo. Eles parecem tão felizes e ainda assim nunca estão satisfeitos. Nunca quis isso para mim e ironicamente foi assim que eu me criei. Meus elogios valem algum dinheiro, minhas críticas valem ainda mais. Sou um homem rico vivendo num mundo patético que dá louros a cretinices como as minhas, e isso não é a pior coisa que poderia ter acontecido comigo, apesar de me provocar desesperos noturnos madrugada sim madrugada não. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que eu estou querendo dizer é que o buraco é muito mais embaixo. Minha fortuna talvez seja apenas um indício de que eu sou esperto e sei trabalhar bem com as adversidades. Mas meu sofrimento real está em outro lugar e sempre esteve. Acostumei-me a dizer que amava a quem só me despertou desprezo e disse que nada sentia àquela única criatura que um dia pareceu chegar perto de conseguir legitimamente me despir, me descobrir, me libertar. Neguei o que eu era para a pessoa que conseguiu realmente me enxergar sem disfarces. Fantasiei-me ainda mais, me camuflei entre os desprezíveis e depois de obter quase fracassos nas minhas inexplicáveis tentativas de não me revelar a quem depositava uma incrível fé nos meus sentimentos mais íntimos e irreveláveis, apelei para humilhação pública. Coloquei-a em seu devido lugar na frente de todos quando sempre soube que ela estava muito acima de mim e que se o mundo fosse justo eu que teria que lutar para estar ao lado dela.  Fi-la acreditar que tudo o que eu dizia era, então, verdade, e durante anos achei que ela tinha desistido de mim e migrado para uma vida perfeita, simples e feliz com outro qualquer. Que soubesse dizer-lhe o quanto ela era bonita, especial e única, mesmo que para ele ela fosse apenas conveniente e ele se visse obrigado a forjar inverdades para se proteger (o quê eu não duvido, incontáveis são aqueles que sofrem dos mesmos males que os meus).   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passaram-se anos e pouco me importa a coleção de mentiras, de exageros, de vilanias, de sonsices, de manipulações que elaborei aos olhos e ouvidos do mundo na tentativa de passar os dias sem sofrimento da única maneira que eu sei, fabricando falsas verdades aos carentes de opinião.  Mas ela voltou e tudo está diferente. Ela quer me ver, ela quer se encontrar comigo. Ela me telefonou e foi de uma doçura tão intensa, como se voltássemos no tempo e o que eu fiz a ela num passado longínquo, mas não tão remoto, nunca tivesse acontecido. Marcou um encontro e agora me encontro já há meia hora sentado no meu carro de luxo estacionado numa rua deserta sem coragem de sair. Não sei se ela está sendo sincera ou se finalmente aprendeu o meu jogo e me conduz rumo ao precipício em sede de vingança. De uma maneira ou de outra tudo o que eu mais quero é encontrá-la e dizer que se algum dia existiu alguém que estava certo era ela. Que ela é a única que me conheceu, que me enxergou, que me viu. Mesmo que ela risse e me botasse no meu lugar, seria uma humilhação doce e libertadora. Basta eu falar o que eu sinto. É simples. É impossível. Sei que meus passos me levarão a pior das forcas e meu talento em manipular as palavras de um jeito que todos admiram e eu desprezo fará com que eu a perca para sempre.  Irão me restar aqueles que me idolatram e que eu exterminaria da face da terra se tivesse os poderes divinos que finjo achar que mereço para não transparecer meu medo absoluto de existir do jeito que eu sou e ninguém nunca soube, a não ser você, persistente leitor, que chega agora a última linha desse enfadonho testemunho e que vive em nenhum lugar além da minha imaginação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Barbara Kahane&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*título retirado de verso da música anilina john de augusto malbouisson.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34439133-4935968821682871408?l=pescotexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/4935968821682871408/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34439133&amp;postID=4935968821682871408&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/4935968821682871408'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/4935968821682871408'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/2008/08/da-maonaria-dos-ressentidos.html' title='DA MAÇONARIA DOS RESSENTIDOS*'/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133.post-6834367077066941615</id><published>2008-07-17T13:05:00.007-03:00</published><updated>2010-05-06T23:20:37.702-03:00</updated><title type='text'>O Cara de acaso</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_rzAtQ0JH1hA/SH9ugnVQ7vI/AAAAAAAAAD0/Ux_kT1sq4QA/s1600-h/colibri.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp3.blogger.com/_rzAtQ0JH1hA/SH9ugnVQ7vI/AAAAAAAAAD0/Ux_kT1sq4QA/s320/colibri.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5224015599366106866" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cara de acaso avança cauteloso, quer bocejar mas esquece que é um ser desbocado. Abre suavemente os cílios de Aurora enquanto seu melro policromático desenrola uma cortina de gorjeio onírico para que ela continue a dormir e ele possa mergulhar no sonhado da pequena. Aurora se espreguiça, boceja uma brisa nos campos e as casas se abrem com cheiro de broa. Já pronta para tomar seu café atrás das montanhas, reconhece o canto do melro do Cara de acaso ecoando no sudeste, um riso. E pensou:  Que massada! Esse Cara de acaso insiste em roubar meu caderno onírico! E assim sai Aurora pelo dia à caça do acaso. Desistiu, como sempre, lá pelas cinco e tanto. No dia em que o melro molrer, Aurora deixará de comer fora, ficará sonolenta como gosta atrás da linha das montanhas, lendo e gozando de bons delírios auditivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Signifrito Figueiroa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34439133-6834367077066941615?l=pescotexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/6834367077066941615/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34439133&amp;postID=6834367077066941615&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/6834367077066941615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/6834367077066941615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/2008/07/o-cara-de-acaso.html' title='O Cara de acaso'/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_rzAtQ0JH1hA/SH9ugnVQ7vI/AAAAAAAAAD0/Ux_kT1sq4QA/s72-c/colibri.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133.post-1782384109332030244</id><published>2008-06-10T13:39:00.007-03:00</published><updated>2008-06-10T14:45:18.112-03:00</updated><title type='text'>Sopa de Dúvida</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/SE62Q6As7jI/AAAAAAAAADE/gYMTx7uw2R0/s1600-h/j%C3%B3ia.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/SE62Q6As7jI/AAAAAAAAADE/gYMTx7uw2R0/s320/j%C3%B3ia.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5210302220480605746" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela vive pendurada ao Postan, sofre de inversão térmica contagiosa, aderiu à anti-ginástica por indicação de uma amiga, à reflexologia por intuição, à estimulação russa e ao rivotril para o mundo virar jegue dócil e oferecer suas rédeas de espuma. Tem tendinite, bursite, fascite plantar, esporão de calcâneo e precisa de um tratamento por ondas de choque. Ele vai sucumbir de disciplina em cinco dias se não parar de achar que amanhã já é ontem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pausa &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-2e40b67e32b089f3" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v19.nonxt6.googlevideo.com/videoplayback?id%3D2e40b67e32b089f3%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331356936%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D206A4214D7E48BD1BAEC789413C2D24E5F7F6668.655CC07BD765808063F8B0F9B6571C06FD1731DA%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D2e40b67e32b089f3%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DcQv2Rf0nOmkt_EuBOeUEb8TPwvc&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v19.nonxt6.googlevideo.com/videoplayback?id%3D2e40b67e32b089f3%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331356936%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D206A4214D7E48BD1BAEC789413C2D24E5F7F6668.655CC07BD765808063F8B0F9B6571C06FD1731DA%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D2e40b67e32b089f3%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DcQv2Rf0nOmkt_EuBOeUEb8TPwvc&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro de instantes ofereceremos nosso serviço de bordo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pratos indicados para ambos: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sopa de dúvida&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixe a posta de dúvida descansando no pátio entre dois dias e quinze drinks. Descasque a aurora, corte o precipitado de tu é fera em cubos e misture os dois numa cumbuca repleta de louva-deuses bombas carregados de anedotas e frases de efeito nas antenas. Separe as antenas. Bata tudo no liquidificador de inversão térmica feminina e dê um tibum na praia mais próxima. Visualize as Cagarras se possível. Prenda o ar da praia na boca e volte correndo para casa. (Respire pelo nariz, peça pão de mímica). Sopre o ar nos dois lados da dúvida, decore com as antenas e pense se vale a pena servir e arriscar uma sistite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela acha melhor frango, ele também.&lt;br /&gt;- Será que eles tiram a cebola se eu pedir?&lt;br /&gt;- Se não tirarem eu a tiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela não riu, ele sim, tanto que achou que era a chance de entretê-la e cativá-la (cativá-la, apesar do que quer dizer, tem um som que parece querer dizer outra coisa que não sei, talvez relacionado à uma etapa da feitura de um licor de batatas... se algum leitor tiver sugestões que se adaptem melhor ao campo semântico aéreo sente à vontade) contando anedotas das antenas dos louva-deuses:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O otorrino era um velho antipático e babão. Atendia ao telefone resmungando, abria a porta desabafando um “Pois não?” amargo. Comigo, era sempre assim. Porém, naquele dia, enquanto eu esperava para fazer uma lavagem de ouvido, ele estava carinhosamente atendendo um moça de voz meiga do Espírito Santo. A sala de espera, sem portas, só com as dobradiças enferrujadas à mostra, era ao lado da sala de consulta. Uma espécie de ouvidoria das queixas e hipocondrias latentes dos pacientes que ofereceriam ouvidos e gargantas às cataratas de baba do velhinho......&lt;br /&gt;....................................................................................................... Aí a menina disse: Mas papai, se o dinheiro ficar na poupança tanto tempo ele vai apodrecer!” ... Filhinha, hoje é dia de sopa de dúvida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A.M&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34439133-1782384109332030244?l=pescotexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='enclosure' type='video/mp4' href='http://www.blogger.com/video-play.mp4?contentId=2e40b67e32b089f3&amp;type=video%2Fmp4' length='0'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/1782384109332030244/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34439133&amp;postID=1782384109332030244&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/1782384109332030244'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/1782384109332030244'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/2008/06/jia.html' title='Sopa de Dúvida'/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/SE62Q6As7jI/AAAAAAAAADE/gYMTx7uw2R0/s72-c/j%C3%B3ia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133.post-3418071118135423361</id><published>2008-05-13T19:47:00.004-03:00</published><updated>2008-05-13T20:21:39.924-03:00</updated><title type='text'>A AUTOCOMISERAÇÃO DE JOÃO S</title><content type='html'>&lt;em&gt;Não tentes consolar o desgraçado&lt;br /&gt;Que chora amargamente a sorte má.&lt;br /&gt;Se o tiraste por fim do seu estado&lt;br /&gt;Que outra consolação lhe restará?&lt;br /&gt;(Do Pranto, Mário Quintana)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Possivelmente acho essa vida uma merda. Não tenho certeza, mas os indícios ficam cada vez mais fortes conforme os anos passam e eu cada vez mais velho e infeliz. Alimento um profundo desprezo pelos outros. Por qualquer um. À primeira manifestação interpretei esse sentimento como pena e durante muito tempo acreditei que eu sentia uma enorme pena pela humanidade. Hoje vejo que não. Aquilo que sinto pelos outros, por qualquer um, é desprezo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa maldita festa de fim de ano do escritório eu tenho a nítida certeza que posso morrer a qualquer minuto. Uma certeza absoluta. Quando cheguei nesse restaurante a quilo fétido fechado pela empresa para essa absurda comemoração, meu coração se encheu do mais profundo desprezo por toda a humanidade e desde então essa sensação de morte me acompanha nos cantos à meia luz dessas ridículas iluminações de néon. As luzes frias alternadamente acesas junto às decorações de enfeites de papel crepom verde e vermelho que tomou todo expediente das secretárias em alvoroço pela tarde na distinta responsabilidade de ornar o salão, simplesmente me embrulham o estômago e eu sinto que se não acabar vomitando na cara de alguém meu coração irá parar. De uma maneira ou outra estou pronto para, ainda que involuntariamente, acabar com essa festa despropositada e ridícula que esse bando de pessoas armou e eu aqui me obrigo aturar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Garçons de uniformes amassados perambulam pelo salão com bandejas repletas de cerveja. Os patrões prometeram cerveja à vontade e parece que o trato, pelo menos nessa primeira hora, está sendo cumprido. Pego um copo e sem surpresa constato que a cerveja está quente. Os patrões hora nenhuma se comprometeram oferecer a cerveja prometida gelada, portanto pego o meu copo com um simulado sorriso de gratificação e me sento num canto escuro numa das poucas mesas ainda não ocupadas por ninguém. Espero que aqui eu seja tão apagado como faço questão de ser no escritório e ninguém note a minha presença se sentindo no dever natalino de tentar me fazer interagir. Prefiro esse canto escuro com a minha cerveja quente e o meu poder de observação melancólica desprezando cada indivíduo que cruza o meu olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem Renata olhou nos meus olhos e me disse que tinha certeza que eu nunca tomei uma decisão certa na vida. Durante todos esses anos em que estamos juntos ela decididamente nunca viu isso acontecer e pelo histórico que eu apresento através da minha relação com família, trabalho e amigos, ela chegou à conclusão irrefutável que eu nunca, jamais, em qualquer dia da minha existência fui capaz de tomar uma decisão que valesse à pena. Minhas escolhas, segundo Renata, são sempre as piores. Acho que ela tem razão porque naquele momento em que ela acabou de proferir essas considerações eu escolhi não esmurrá-la na cara, escolhi não abandonar o apartamento batendo a porta ferozmente rumo à noite escura. Ao invés disso eu não fiz absolutamente nada. Ou melhor, eu escolhi abrir a porra de uma lata de cerveja quente e choca e me sentei no sofá sem deixar sair um pio da minha boca. Renata então começou a gritar, espernear até finalmente sair ela pela noite escura. Renata não me viu chorando. Renata bateu a porta rumo à noite escura e quem ficou no sofá chorando como uma mulherzinha fui eu.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Renata é muito ponderada e sempre tem razão. Foi assim desde o dia em que a conheci. Todos os amigos de Renata a procuram porque ela é a voz da razão. Suas opiniões são sempre levadas seriamente em consideração e normalmente seus conselhos são seguidos à risca por aqueles que a rodeiam. Eu respeito essa característica de Renata tentando sempre esconder a minha irritabilidade quando ela cheia de pompa e orgulho define uma verdade como uma doutrina a ser seguida pelos seres inferiores que tem a graça de seu convívio. Eu me irrito com Renata, mas me reconheço também como um ser inferior perto das certezas dela, portanto se ela me disse que tem certeza que eu nunca fui capaz de tomar uma decisão certeira na vida, ela possivelmente tem razão. Por mais que eu despreze hoje em dia Renata e esse seu pseudodom que nada mais é do que um poder perverso de controlar as pessoas, ela tem razão e eu nunca tomei uma decisão certa na vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existiria alguma escolha não feita por mim que me levasse efetivamente a uma vida que não essa? Existiria algum lugar ou tempo no mundo ou espaço em que eu não sentisse esse profundo desprezo pelos outros e essa maldita pena de mim? Tenho muita raiva porque não tenho dinheiro, mas eu seria um homem sem raiva se o tivesse em demasia? Tenho uma raiva descontrolada de Renata por ela nunca ter podido me dar filhos, mas eu teria menos raiva se os tivesse? E se essa onda de desprezo se aplicasse também a eles não seria mais um motivo de sofrimento para mim? Mais uma razão para eu me sentir patético ao ver que existe da minha parte desprezo em relação a eles? E ainda pior, se eu os enxergasse como meus espelhos e sentisse pena de suas condições? Que tipo de indivíduo se torna uma criança criada sob os lhos penosos do pai? Talvez minha única decisão certa na vida tenha sido escolher permanecer com Renata todos esses anos mesmo sem ela poder me dar filhos, já que raiva eu sei que sentiria de qualquer uma que se propusesse dormir e acordar comigo. É uma condição irremediável e pelo menos as certeza de Renata me guiam, ainda que eu não entenda o caminho e despreze profundamente a direção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Possivelmente acho a vida uma merda, e tem piorado. Sinto culpa quando me escapole um sorriso sincero ou quando acho graça genuína de algo que não seja alguma pilhéria maldosa contra alguém. Uma culpa que me consome porque imediatamente ao instante do alívio vem à lembrança o desprezo que eu sinto ininterruptamente. O desprezo que é maior do que tudo com exceção dessa pena profunda que eu sinto de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem Renata bateu a porta e desde então só faço beber cerveja quente. Começou ontem no sofá enquanto eu chorava sozinho a falta das irritantes certezas de Renata e agora num canto escuro desse restaurante tétrico sinto que está longe de acabar. O garçom é o único que me nota e me serve de mais um copo. Coloco dez reais no bolso de seu paletó para que as coisas permaneçam assim nesse quilo de quinta e suas luzes de néon. Não venho aqui há três meses quando achei uma lesma nojenta no meu alface. O velho gerente não me cobrou o prato, mas se sentiu no direito de cobrar pela coca. Eu escolhi não vomitar na cara dele e fui embora para nunca mais voltar. Os patrões prometeram cerveja a festa inteira e eu agora estou aqui, de volta, sentindo um profundo desprezo por eles, pelos meus colegas, por esses garçons obrigados a servir cerveja quente, pelo gerente velho que bajula os patrões fingindo depositar gelo filtrado em seus copos de uísque, e por qualquer um que se atreva passar diante dos meus olhos. Possivelmente acho essa vida uma merda e neste restaurante desprezível eu sinto que posso morrer. Tenho a leve impressão que Renata nunca mais voltará.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BARBARA KAHANE&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34439133-3418071118135423361?l=pescotexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/3418071118135423361/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34439133&amp;postID=3418071118135423361&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/3418071118135423361'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/3418071118135423361'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/2008/05/autocomiserao-de-joo.html' title='A AUTOCOMISERAÇÃO DE JOÃO S'/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133.post-8445720149292587972</id><published>2008-03-30T12:39:00.018-03:00</published><updated>2008-04-01T01:52:23.374-03:00</updated><title type='text'>Leitornitorrinco</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/R--0hCWwnlI/AAAAAAAAACE/6JPgGa-Ee78/s1600-h/um+leitor+t%C3%A3o3+.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/R--0hCWwnlI/AAAAAAAAACE/6JPgGa-Ee78/s320/um+leitor+t%C3%A3o3+.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5183560175787744850" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Insólito sim foi quando lá pelas tantas, após ter salvado o ânimo da baleia de sono que ataca no café, de ter atolado a fé na vida no ócio rançoso das três da tarde, de ver o entusiasmo como um teco teco desgovernado raspando as poças de marasmo tépido que meus vizinhos de mesa tomavam com adoçante, de ter acompanhado o mal humor da moça da biblioteca sumindo ao celular, eu sentia às cinco da tarde a concentração vagar como um turista desatarefado num vasto lago de subterfúgios do estudo, onde o som metálico das gavetas se abrindo vinha na verdade das gaivotas de Hugo Pratt deitadas na estante ao lado, cujos olhos na capa, como os meus na cara, eram dois pontos pretos a cambalear entre as rachaduras da infiltração, urubus retorcidos do céu descascado, e o papel bege da página povoada de verbetes obsoletos do Grande Tratado dos Seres, que eu lia para a prova. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de numa retomada de fôlego alcançar a parte em que se elucidava a ética do ornitorrinco fêmea, mais precisamente na oitava linha do terceiro parágrafo da página 3467 do Tomo 3, eis que um final de frase inusitado dá as caras: “... e para tal, a fêmea nunca deixará de esquecer o guarda-chuva na toca.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguia-se a esta inacreditável revelação sobre os hábitos da senhora ornitorrinca uma nota de rodapé, que, pensei, esclareceria o caso. Mas, para coroar minha incredulidade, quando lá chego, leio: “BANHO”...BANHO!. Do banho saía uma seta mal traçada em caneta bic, um fantasma de seta que definhava pelo pé da página até morrer em outro comentário, escrito por ninguém mais ninguém menos do que alguém entre os milhares de leitores que já haviam freqüentado a biblioteca desde 1975, ano da incorporação do Grande Tratado ao acervo: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TOMO CHUVA &lt;br /&gt;FICO NEVE &lt;br /&gt;CÂNDIDO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi um toró na poça descascada do meu turista desatento. E foi um avião estraçalhando as gaivotas de café morno retorcido quando li, depois do “O” final de Cândido, entre parenteses : “ver apêndice 9”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá vou eu para o apêndice 9, mais precisamente para a página 10476, cujo título já não me surpreenderia: “Cândido, assinatura ou luar tão?”. Cito apenas um trecho para dar idéia da fria em que eu me metia: “Talvez, assim como omitira o um banho de da primeira linha e o fico branca como da segunda, o comentarista tenha também omitido o oh luar tão da última.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A.M&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34439133-8445720149292587972?l=pescotexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/8445720149292587972/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34439133&amp;postID=8445720149292587972&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/8445720149292587972'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/8445720149292587972'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/2008/03/oh-leitor-de-luar-to.html' title='Leitornitorrinco'/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/R--0hCWwnlI/AAAAAAAAACE/6JPgGa-Ee78/s72-c/um+leitor+t%C3%A3o3+.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133.post-8902475079923184716</id><published>2008-03-18T18:59:00.002-03:00</published><updated>2008-03-19T20:08:11.949-03:00</updated><title type='text'>PRESSENTIMENTO</title><content type='html'>Hoje, estatelada na cama já quase às duas da tarde, Clarice chorava. Era um estômago que doía, que ardia, que queimava. Eram lágrimas de todas as dores do mundo. O estômago acima de tudo. O estômago acima da cabeça. O estômago acima do coração. O estômago acima da vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clarice não se lembrava como havia chegado em casa na madrugada anterior mas lembrava-se de ter saído vestindo a saia florida comprada para ocasiões especiais em três prestações ainda não quitadas. A saia que hoje, às duas da tarde, Clarice via amarrotada jogada no chão no canto do quarto. O estômago ardendo como o inferno na cama e a saia especial suja e amarrotada no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem, quando Clarice tirou a saia pendurada em um cabide do armário, tinha a estranha sensação de que aquele seria um dia especial. Sem nenhuma razão específica, Clarice acordou pensando na saia  e isso lhe soou como presságio a ser respeitado. Clarice usaria a saia e algo especial e inesperado aconteceria. Hoje, Clarice chorava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como ontem era para ser o dia, Clarice também não economizou no perfume. Era um perfume caro e Clarice só usava-o em dias especiais. Já que havia tirado a saia do armário, não existia motivo para economizar no perfume. Para se usar aquela saia, tinha-se que estar com um certo cheiro e o cheiro certo vinha engarrafado para ocasiões como esta em uma garrafa cara que jazia no aparador do banheiro.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando saiu de casa, Clarice já sabia que daria as mesmas aulas particulares para seis adolescentes temerosos de reprovação, como toda sexta feira nos últimos oito anos ela fazia sempre que o terceiro bimestre das aulas iniciavam. Os anos passavam mas as sextas feiras eram sempre as mesmas, com as tardes dedicadas às aulas para engrossar o orçamento do mês. Aulas para os mesmos adolescentes que mudavam um pouco de feições e de nomes mas sustentavam os mesmos gostos, as mesmas manias, o mesmo jeito tempestuoso e mimado, os mesmos ídolos, o mesmo cheiro da puberdade, os mesmos rostos maltratados por espinhas, as mesmas mães com seus cheques gordos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando saiu de casa, Clarice também já havia recebido ligações e torpedos confirmando a mesma cerveja de sexta feira no boteco em que ela e um grupo de amigos freqüentavam há dez anos. Era um boteco na Lapa que era o mesmo boteco desde que a Lapa às sextas feiras não era freqüentada muito por ninguém e Clarice ainda era uma estudante do curso de História. A Lapa encheu e o boteco sofreu reformas no banheiro e no uniforme do garçom  Marcos que apesar das cores diferentes do avental ao longo dos anos não perdia o hábito de reservar a mesma mesa no canto da pequena varanda para o grupo que toda semana se reunia lá. Clarice sabia que encontraria, sentados quase sempre na mesma disposição, a Marta, a Teresa, a Estela, a Joana, o Paulo, o David, o Bento, o João e os Pedros (Drummond e Xavier). Esse era o mesmo grupo de sempre e mesmo que a comunicação tivesse evoluído ao longo do tempo com o surgimento de torpedos e scraps a tradição continuava a mesma. Aquela sexta feira não seria diferente, mas Clarice sentia que o dia não era um dia como outro qualquer e assim saiu de casa com a saia ainda não quitada inteiramente e o perfume caríssimo e economizado a cada gota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje a saia está amarrotada no chão do quarto e a garrafa jaz um tiquinho mais vazia no aparador do banheiro. O estômago dói e a memória não a deixa lembrar muito bem de como chegou em casa. Talvez Teresa tenha-lhe dado uma carona, talvez Xavier tenha se aproveitado e a deixado na porta de casa roubando-lhe um beijo na portaria. Clarice teria declinado com educação ou retrucado com um tapa? Clarice teria aceitado e o chamado para subir? Pelo cheiro do seu quarto Clarice sabia que havia dormido sozinha. O cheiro do quarto quando Xavier insistia subir era completamente diferente. O cheiro do Xavier provocava dores no estômago em Clarice mas ela imaginava que esse não era o motivo da agonia de hoje.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clarice se lembrava que aceitara um generoso gole do conhaque de Xavier quando viu que nada especial aconteceria de fato. Já era uma da manhã e tecnicamente o dia acabara e nada acontecera. Clarice se lembrava de sentir que não tinha certeza de nada. Clarice se lembrava de se sentir profundamente decepcionada com a sorte do dia. Clarice se lembrava de olhar Xavier e perceber que talvez seu nariz não era tão torto e suas piadas não eram tão ruins.  Nem essa sensação era novidade e Clarice se lamentava de nunca ter conseguido aprender que quando ela começava a olhar Xavier dessa maneira era hora de parar e dar fim ao dia. Clarice se lembrava de não querer dar fim ao dia, de querer se prender a ele, de querer ter o poder de parar o relógio, de pensar que a esperança é a última que morre e nada acontece por acaso. Mas já passava da uma da manhã, cada vez mais já passava da uma da manhã, e nada novo e surpreendente acontecia a não ser o nariz de Xavier que ficava cada vez menos torto e as piadas de Xavier que pareciam cada vez melhores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clarice se lembrava de ter pensado por um segundo que usar a saia e o perfume para Xavier era um grande desperdício. Talvez Clarice tenha se levantado nessa hora e pego um táxi. Talvez Clarice tenha chegado em casa sozinha e acordado agora com essa dor no estômago. Essa dor de estômago em conseqüência de um dia em que nada acontecera. Um desperdício de dor de estômago. Talvez essa dor, sim, tenha sido obra do acaso. Quando ontem saiu de casa com a saia especial, Clarice não imaginava que hoje estaria assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clarice, estatelada na cama já quase às duas da tarde, chorava e sua saia, abandonada como um trapo velho no canto do quarto,  parecia agora ter as flores murchas. Dentro de cinco dias venceria a última prestação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BARBARA KAHANE&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34439133-8902475079923184716?l=pescotexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/8902475079923184716/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34439133&amp;postID=8902475079923184716&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/8902475079923184716'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/8902475079923184716'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/2008/03/pressentimento.html' title='PRESSENTIMENTO'/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133.post-7541379344057281417</id><published>2008-02-26T03:52:00.007-03:00</published><updated>2010-10-18T19:57:03.092-03:00</updated><title type='text'>Auto-remodelagem, desordem e progresso</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/R8R0mJ9gSuI/AAAAAAAAABs/AMCPrg1a6B8/s1600-h/IMG_6897.JPG"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/R8R0mJ9gSuI/AAAAAAAAABs/AMCPrg1a6B8/s320/IMG_6897.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5171386470985911010" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrei esta carta dentro de uma garrafa de Miolo, boiando na piscina da cachoeira da trilha da Pedra da Gávea. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Com o calor da subida e o amolecimento progressivo do corpo, os suantes e suantas de ancas depiladas da escalada de hoje, excessivamente preocupados em secar o suor que lhes cai da testa com as mãos, poderiam aproveitar este convite à maleabilidade e pressionar o rosto com as pontas dos dedos. Ao invés de usá-los para apontar, sedentos, garrafas d'água que brotam das mochilas alheias, os trilheiros poderiam desfrutar das possibilidades trazidas pela auto-remodelagem, como quem curte uma estimulação russa. Esta técnica, desenvolvida pelos intraterrinos, seres que habitam o interior da Pedra da Gávea, consiste em remodelar o rosto à imagem de alguma formação rochosa que se assemelhe a um. Evitarei os detalhes do passo a passo, que é simples, bastando concentrar-se na imagem da pedra escolhida e cavar dois buracos na região ocular, como se esta fosse feita de barro. Depois, é preciso apenas esperar alguns instantes, à sombra. De volta ao sol, basta piscar as pálpebras algumas vezes para passarmos a ver a vista através dos olhos do rosto na pedra. A pedra vista no alto da foto que coloco nesta garrafa é a preferida entre os intraterrinos mais saidinhos. Lá, à noite, costumam pousar naves vindas do espaço, e os intraterrinos que estiverem experienciando uma estadia de remodelagem nela são agraciados com uma delirante massagem em seus couros cabeludos e ombros, quando desembarcam os extraterrestres com suas pequenas patas gelatinosas e irriquietas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem nos revelou estes segredos foi Verne, um intraterrino gente fina que auxilia os humanos na escalada da Carrasqueira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vendo a empatia de Verne junto aos humanos, Jules, um intraterrino cisudo e desconfiado que não vê com bons olhos a aproximação entre seu povo e os incautos baderneiros que perturbam a paz da encosta, ajoelhou-se na ramagem, e com voz altiva mezzo delirante disse: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ãÅÎÙ ÎÁ ÒÁÓÓÙÌËÉ &lt;br /&gt;íÏÓË×Á - ÒÕÂ. ÉÌÉ íÏÓË×Á ÀÒ. &lt;br /&gt;ÒÕÂ. ÉÌÉ ó-ðÅÔÅÒÂÕÒÇ - ÒÕÂ. &lt;br /&gt;ÉÌÉ òÏÓÓÉÑ - ÒÕÂ. ÉÌÉ õËÒÁÉÎÁ - ÒÕÂ. &lt;br /&gt;ÉÌÉ ëÁÚÁÈÓÔÁÎ - ÒÕÂ. ÉÌÉ âÁÛËÏÒÔÏÓÔÁÎ - &lt;br /&gt;ÒÕÂ. ÉÌÉáÍÅÒÉËÁ - ÒÕÂ. ÉÌÉ çÅÒÍÁÎÉÑ - ÒÕÂ. ÉÌÉ &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que Verne, visivelmente emocionado, prontamente traduziu: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Há um quadro de Klee que se chama Angelus Novus. Representa um anjo que parece querer afastar-se de algo que ele encara fixamente. Seus olhos estão escancarados, sua boca dilatada, suas asas abertas. O anjo da história deve ter esse aspecto. Seu rosto está dirigido para o passado. Onde nós vemos uma cadeia de acontecimentos, ele vê uma catástrofe única, que acumula incansavelmente ruína sobre ruína e as dispersa a nossos pés. Ele gostaria de deter-se para acordar os mortos e juntar os fragmentos. Mas uma tempestade sopra do paraíso e prende-se em suas asas com tanta força que ele não pode mais fechá-las. Essa tempestade o impele irresistivelmente para o futuro, ao qual ele vira as costas, enquanto o amontoado de ruínas cresce até o céu. Essa tempestade é o que chamamos de progresso." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Verne declamava procurando em nossos olhos a aceitação, num carioquês penoso e emocionantemente esforçado, cerrando as sombrancelhas verdes como se a clareza da linguagem fosse um suco de lembranças extraido do brilho de suas retinas chorosas. Gesticulava tão enfaticamente suas pequenas garras, remexendo sem reparar sua calda escamosa pra cima e pra baixo a cada sílaba destacada, que pensei se tratar de uma questão de vida ou morte ele ver a comoção estampada em nossas caras. Mas a essa altura a lambança da desordem já reinava... alguns urinavam no mato, outros estranhavam a tradução de Verne durar o triplo do tempo do discurso original proferido por Jules. Outros, impacientes, confabulavam cervejas ao fim do dia. Um casal de intelectuais alcoolizados balbuciava a denûncia de que as palavras eram todas tiradas de um texto manjado de um tal de Wagner Beijasmim (ou algo assim). Eu já não via muito bem entre a cortina de suor salgado que pingava dos meus cilios, nem escutava por conta das cigarras alucinadas ao redor, e o resto do grupo não prestara atenção em xongas, mais preocupados em enxugar suas testas em chamas naquele calor da porra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Signifrito Figueiroa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34439133-7541379344057281417?l=pescotexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/7541379344057281417/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34439133&amp;postID=7541379344057281417&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/7541379344057281417'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/7541379344057281417'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/2008/02/auto-remodelagem-desordem-e-progresso_26.html' title='Auto-remodelagem, desordem e progresso'/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/R8R0mJ9gSuI/AAAAAAAAABs/AMCPrg1a6B8/s72-c/IMG_6897.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133.post-3553373119578712218</id><published>2008-02-11T18:48:00.001-03:00</published><updated>2008-03-19T20:06:05.821-03:00</updated><title type='text'>MINHA PLANTA SUICIDA</title><content type='html'>Minha planta mais querida se matou. Entendo o absurdo que a junção dessas palavras formando uma frase transmite como significado, mas essa é a mais pura verdade. A minha mais amada e mimada planta se matou. Isso já aconteceu há alguns dias, mas uma saudade lacinante me mortifica conforme o tempo vai passando. Um pouco de culpa também. Eu acho que minha planta mais querida se matou por ciúmes. Ciúmes de uma outra planta que vive aqui em casa mas não é minha. Como o dono dessa outra planta presta muito pouco cuidado a ela, eu me prontifiquei a tomar as rédeas. Ela estava quase morta, um caso perdido, quando comecei a cuidar dela com todo esmero do mundo. Água todo dia, sol nas horas certas. Em poucos dias a planta desacreditada começou a esboçar melhoras. Foi exatamente nesse momento que a minha planta mais querida se matou, pulando da janela de meu apartamento e se espatifando no chão dois andares abaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho certeza que foi suicídio. Tenho certeza que ela não agüentou todos os cuidados que eu estava proporcionando à outra e se atirou pela janela. Talvez ela esperasse ser resgatada e replantada em outro vaso. Talvez ela não esperasse que o zelador do prédio não tivesse mais a posse das chaves do apartamento vazio da onde ela caiu. Talvez ela só quisesse me dar um susto. Mas o que acabou acontecendo é que ela morreu. Eu não consegui socorrê-la a tempo.  O zelador me prometeu que o proprietário visitaria o apartamento naquela semana e isso já faz quase mês. Minha planta mais querida se matou. Não há nada que eu possa fazer para reverter isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais irônico é que dois ou três dias antes dela dar o salto fatal eu havia lhe prestado uma pequena homenagem em um texto em forma de roteiro que sonho um dia filmar. Nele uma plantinha é dada ao protagonista por uma namorada, que vem terminar o relacionamento com o personagem logo depois.  A vida desse protagonista está, como um todo, completamente desestruturada e ele deposita sua fé e disponibilidade de amar na planta. No final ele foge da vida viajando de ônibus levando só uma mala e ela. Bem, guardadas as proporções, a minha história com a minha planta mais querida possuía algumas semelhanças com o que contei no roteiro. Quando eu a ganhei eu nem prestei muita atenção, ela era apenas três folhas mirradas em volta de um pequeno caule. Nessa época minha casa não tinha planta nenhuma, não era uma coisa que eu achava que me fazia falta apesar de quase toda visita que chegasse notar a ausência de vida no apartamento. E aí ganhei esse projeto de planta e de primeira não senti diferença nenhuma. Mas aos poucos fui me afeiçoando à bichinha e pouco tempo depois quando me vi novamente com um coração empedrado e sem dinheiro, sem trabalho, sem perspectivas, sem ambições, sem vontades, acabei achando na planta uma boa muleta para me ancorar. E era surpreendente o quanto ela respondia. Em poucos meses suas folhas se multiplicaram e do único e mirrado caule foram brotando ramificações que cresciam e viravam mais folhas. Melhorei um pouco da cabeça, consegui um trabalho que não era a coisa mais emocionante do mundo mas me sustentou por alguns meses. Também redescobri a minha meta e a planta dividiu comigo cada um dos meus pequenos sucessos. A última vez em que contei, ela já possuía quarenta e cinco folhas em seu corpo. Em menos de um ano ela multiplicou quinze vezes o seu tamanho original. Por conta desse meu indisfarçável interesse acabei ganhando outras plantas de outras pessoas. Umas morreram logo, outras se adaptaram ao entender que existia em casa uma preferida.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso tudo até o dia  em que  eu me simpatizei pela planta moribunda, a única da casa que não me pertencia, e tomei para mim a responsabilidade de cuidar dela, de fazer ela sobreviver. Ela vivia na janela ao lado do lugar que a minha planta mais querida habitava e conforme os dias iam passando eu depositava uma dose de carinho e atenção equivalente a que a mais querida recebeu ao longo de um ano. Contou o fato de mais uma vez eu estar sem trabalho, sem dinheiro, sem esperanças. Contou o fato de mais uma vez meu coração ter virado pedra. Vi, de novo, na fragilidade dessa nova planta, um desafio para me distrair das minhas próprias angústias. Não achei, de maneira alguma, que esse meu ato impensado fosse causar tamanha comoção na outra. O primeiro sinal, que fui incapaz de interpretar como insatisfação, foi que algumas de suas folhas novas começaram a nascer roxas. Até hoje não sei o que isso significa no mundo da botânica mas agora interpreto esse acontecimento como uma primeira manifestação de sua insatisfação. Fui incapaz de perceber que minha planta ficava roxa era de raiva, de ciúmes. Raiva de eu fazer pouco caso dela depois de tudo o que passamos, raiva de eu ter me afeiçoado a uma outra planta que nem era minha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que não contive meu entusiasmo quando um dia, após voltar para casa, notei que da terra da planta moribunda saia um outro broto, aparentemente saudável. Quase chorei de emoção e gargalhei alto, para todas as paredes ouvirem. Nesse dia acabei tendo que sair de casa novamente. Dormi fora. Ao entrar no dia seguinte no meu apartamento e olhar para janela notei um lugar vazio que não deveria estar lá. Nem assim concluí o óbvio. Cheguei a achar que eu estava maluca e que de repente eu havia colocado a minha planta mais querida para dentro antes de sair e simplesmente não lembrava. Mas antes de me embestar pela casa a procura da minha planta a ficha caiu. Corri à janela e olhei para baixo. Lá estava ela com suas quarenta e cinco folhas espatifadas no chão. Aliás nem sei dizer se ela pulou para morte com quarenta e cinco folhas, pois para falar a verdade há algumas semanas não olhava para ela com o devido cuidado. Desesperadamente bati na casa do zelador e ele, apesar de ter se sensibilizado com a minha história, disse que não poderia fazer nada pois as chaves do apartamento vazio do térreo não estavam mais sob os seus cuidados. Voltei para casa com dor no coração. Até hoje tento acreditar que foi um acidente. Culpa de um vento forte, quem sabe. Eu sei que talvez a coisa mais sensata é culpar o vento. Que planta não se suicida. Mas sei também que naquela noite não ventou. Me lembro inclusive do calor que senti. Me lembro de rezar por um ventinho aonde estava dormindo e de não ser atendida por nenhum deus. Tenho certeza que ela saltou. Parece um absurdo mas ando perdendo minha capacidade de me abismar com as coisas inexplicáveis da vida. Minha planta mais querida se matou e eu sei que apesar de já possuir uma outra para amar, nenhuma planta poderá um dia substituir a minha planta mais querida, minha eterna primeira plantinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BARBARA KAHANE&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34439133-3553373119578712218?l=pescotexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/3553373119578712218/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34439133&amp;postID=3553373119578712218&amp;isPopup=true' title='102 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/3553373119578712218'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/3553373119578712218'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/2008/02/minha-planta-suicida.html' title='MINHA PLANTA SUICIDA'/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><thr:total>102</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133.post-2339556830617717537</id><published>2008-01-10T00:42:00.000-03:00</published><updated>2008-01-10T00:45:00.997-03:00</updated><title type='text'>ESSES SEUS OLHOS MEUS</title><content type='html'>Soube o que ela iria me dizer muito antes das palavras serem expelidas por sua boca como pequenas granadas em minha direção. Acho que essa foi a razão da minha reação de total falta de surpresa após o veredicto me ser notificado, deixando-a por conseqüência embasbacada e puta por contrariar a sua expectativa de como eu iria me sentir quando ela começasse a dizer suas últimas ponderações. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu nunca lhe disse que era dona de olhos que traiam sempre as suas tentativas de dissimulação. No momento em que descobri essa sua, digamos, fraqueza, optei por me calar, já que desconfiava que essa sua característica um dia me poderia ser útil. Então, quando ela entrou no salão e me viu solitário no meio das mesas lotadas, eu soube por seu olhar recém pousado sobre mim qual seria meu verdadeiro destino. E por mais que, já à mesa, ela disfarçasse com palavras ao vento na tentativa de me ludibriar ao sugerir a carne de porco para a nossa refeição, eu sabia que não era ela tentando ser gentil. Por detrás das palavras doces existia o desejo de me fazer um mal. Sua delicadeza não passava mais do que isca para me pescar pela boca, mas quem acabou boquiaberta, no final das contas, foi mesmo ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela achou que me tratando com suavidade eu acabaria interpretando, antes mesmo dela me dizer, seu comportamento como perdão, que, diga-se de passagem, eu nunca pedi. Mas ela certamente não contava que eu sabia ler os seus olhos e que eles sempre deduravam quando de alguma forma ela tentava me ou se trair. Independente de tudo o que aconteceu, eu sempre soube que seus olhos eram meus. E era assim que eu sempre saia na frente, pois me parece que apesar de seus olhos fazerem parte do seu corpo ela nunca suspeitou que era eu quem podia decifrá-los  melhor. Pode parecer estranho, mas quando seu olhar cruzava o meu eu podia adivinhar exatamente o que ela estava tramando e qual o tom de suas próximas palavras. Devo mesmo concluir que o encantamento dela por mim se deu por causa desse meu talento de interpretar todos os seus desejos e vontades apenas mirando por um único segundo os seus grandes olhos. E quando eu ficava quando ela me dizia que poderia ir, quando eu ia quando ela me falava que se eu quisesse poderia ficar, quando eu a abraçava e acariciava os seus cabelos após ela se vangloriar de o quanto era independente ou quando eu soltava suas mãos e sussurrava “pula” quando em noites desesperadas ela esperneava que não iria conseguir, se fiz cada uma dessas coisas contrariando o que suas palavras me diziam e obtive êxito absoluto foi porque sempre soube o que seus olhos queriam dizer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossos incontáveis mal entendidos e conseqüentes brigas sempre que tentávamos falar ao telefone é a prova disso que estou tentando dizer. Sua voz sempre firme me fazia crer que as palavras que eu ouvia pelo fone significavam exatamente aquilo o que elas deveriam ser. Mas com ela a coisa nem sempre era assim e sem seus olhos para me guiar em nossas conversas, eu era apenas um menino perdido num país estrangeiro Agora eu sei como nunca a entendi plenamente. Sem as pistas de seus olhos brilhantes me fitando antes de qualquer sentença eu nunca consegui me comunicar com ela. Ela sem seus olhos, para mim, era absolutamente ninguém. Ou pior, um ser alienígena desprovido de qualquer possibilidade de contato e integração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, quando hoje ela entrou por aquele salão lotado, bastou uma rápida olhada em direção dos seus olhos que passeavam por todas as direções do ambiente a minha procura para eu compreender o que estava por vir. Esses mesmos olhos que contrariando os ais, uis e te amos daquela noite de dois, três meses atrás, me disseram, numa rápida espiadela que lhe escapou quando ela fazia nua o trajeto da cama para o banheiro que a verdade de verdade era que eu já a havia perdido; e que o ardor de instantes antes era para outro que não eu. Depois, esses olhos choraram, mesmo transparecendo alegria indisfarçável, quando eu menti dizendo que existiu uma Ana. Ela retrucou com palavras duras e magoadas que não sabia se poderia mais me amar enquanto seus olhos gargalhavam. Ela me pediu um tempo para pensar e avaliar a situação quando seus olhos se regozijavam diante a possibilidade de libertação de mim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso quando eles entraram no salão eu vi que vieram prontos para dizer adeus. Prontos para nunca mais terem que me ver novamente. Então, quando ela se sentou e começou a me bajular ensaiando em tom agudo e doce velhas brincadeiras de nós dois, eu soube que o que ela queria era somente me ferir. Mas não existiu surpresa, e quando ela me disse, diante à xícara de café suja de batom e esperando que eu abrisse a conta e me prontificasse a pagá-la inteiramente, que o casamento estava cancelado, eu apenas joguei duas notas de cem sobre a mesa, me levantei, beijei sua cabeça e disse adeus no tom mais casual e sem afetação possível. E quando já chegando à porta do restaurante resolvi dar uma olhadela rápida para trás, percebi em sua expressão que ela acabara de reconhecer os grandes traidores que viviam com ela há vinte e sete anos. Os olhos humilhados diante a boca aberta em espanto. Ela agora sofria de verdade e, nesse único e derradeiro momento, não houve um músculo de seu rosto que eu fui incapaz de entender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Barbara Kahane&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34439133-2339556830617717537?l=pescotexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/2339556830617717537/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34439133&amp;postID=2339556830617717537&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/2339556830617717537'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/2339556830617717537'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/2008/01/esses-seus-olhos-meus.html' title='ESSES SEUS OLHOS MEUS'/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133.post-7359480419860896321</id><published>2007-11-29T02:58:00.001-03:00</published><updated>2007-12-09T10:24:46.143-03:00</updated><title type='text'>O mau humor, a televisão e uma garganta que dói como nunca</title><content type='html'>Minha garganta dói como nunca. As teclas empoeiradas desse computador que não uso faz três meses vão deixando as pontas dos meus dedos pretas conforme eu escolho as letras que compõem essas sentenças. Tomo chá de limão, mel e alho que uma amiga fez para mim. Hoje eu consegui levantar mas minha garganta dói como nunca. Voltei para casa depois de três meses. Voltei cheia de vontades. Encontrei um quarto empoeirado, uma geladeira vazia e as mesmas roupas sujas ainda num saco plástico. Dormi depois de duas cervejas e nunca mais consegui levantar. Febre, dores, tremores. Dizem por aí que é uma virose e que muitas mulheres andaram a pegando. Três dias de cama até concordar em começar a tomar anti-inflamatório. Esperei  a dipirona não fazer efeito, o paracetamol não fazer efeito até abrir mão para o anti-inflamatório que me tirou finalmente da cama. Ele e o chá de alho, limão e mel feito por uma amiga. Mas minha garganta dói como nunca e agora meu estomago começou a arder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assisti bastante televisão esses dias. Nada que prestasse. Todas as séries idiotas e os reality shows piores ainda. Entorpeci a cabeça já que o corpo não conseguia levantar. Cheguei a pegar alguns livros na estante mas meus braços estavam cansados demais e conforme eu ardia, as letras sambavam na página, misturando toda a história. Dediquei-me a tv arduamente. Não conseguia prestar atenção nela por mais de uma hora mas as vozes dos personagens terríveis de cada seriado me faziam companhia. Tem bastante porcaria na tv; tem umas porcarias que realmente são constrangedoras, mas as  piores  porcarias são as que  eu efetivamente gosto. Tem também as coisas boas como uma série que eu gosto especialmente, ao ponto de adorar. Na verdade não é uma série inteira e sim um personagem específico que me seduziu e às vezes me pego em momentos do dia pensando nele. Queria que fosse possível conhece-lo. Queria que fosse possível conhecer alguém como Dr. House. Queria ter um pouquinho da capacidade dele de odiar o mundo sem culpa. Tenho inveja de House e de sua perna manca que na verdade não passa de uma muleta para ele poder fazer as coisas que faz. Queria ter uma muleta como uma perna manca e poder, assim, odiar os outros sem culpa. Mas como eu só tenho uma dor de garganta que hoje dói como nunca não posso me dar o luxo de odiar ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;House agora reprisa todos os dias. Nesses dias de convalescença vejo e revejo os episódios. Até sonhei que o que eu tenho era uma doença raríssima e ele iria me diagnosticar. Fiquei esperando e ele não apareceu. Acordei molhada de suor, fedendo e ainda com muita febre. Tudo isso no meu quarto empoeirado. Na realidade, depois do sonho, só existia o meu quarto vazio e sujo. House, o doutor odioso, nunca apareceu para mim. Acordei com febre, sozinha, e uma garganta que eu achava que doía mas não era nada perto do que estou sentindo hoje. Hoje minha garganta dói como nunca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei três meses trabalhando fora daqui e continuei pagando a moça que arruma a minha casa uma vez a cada quinze dias mas ela simplesmente abstraiu a existência do meu  quarto durante minha ausência. Enquanto eu estava longe de casa, a moça que limpa uma vez a cada quinze dias resolveu achar que meu quarto também não estivesse. Ao retornar encontrei uma casa  relativamente limpa e meu quarto afundado em poeira. Caí doente no dia seguinte e agora as pontas dos meus dedos vão ficando cada vez mas pretos enquanto eu escrevo e o desconforto na garganta piora cada vez que respiro. Na verdade estou aqui, nesse quarto, somente porque o computador se encontra no meio dessa sujeira. Nesses dias tenho ficado muito na sala que é o melhor cômodo da casa por estar relativamente limpa e possuir ventilador, além da tv a cabo ligada em uma porrada de canais inúteis mas que me fizeram companhia nesses dias reclusos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem só de porcarias vive a tv por mais que eu prefira elas para me fazer companhia. Agora mesmo, por exemplo,  está passando Jules et Jim no TV5 mas eu preferi vir para cá, o quarto empoeirado com computador empoeirado. Me pareceu insuportável a idéia de rever Jules et Jim agora. Eu com essa dor de garganta que dói como nunca vendo um filme legitimamente bom; e depois? Ficar sozinha com minha dor? Não dividir a experiência com ninguém?  Eu não tenho problema algum em ver bons filmes sozinha. Muitas vezes acho, inclusive, essa a melhor opção para se assistir bons filmes. Mas estou a três dias sozinha. Sem falar. Sem querer falar por causa dessa dor. Minha mãe me liga, minha amiga vem fazer sopa e chá, meu primo se certifica se eu preciso de alguma coisa da padaria ou da farmácia antes de sair para o trabalho. Mas eu simplesmente não consigo desenvolver uma conversa. Falta de força. Falta, também, de um pouco de vontade.  Vontade mesmo só de chegar a hora do dia de ver a reprise de House e sentir inveja dessa personagem de odiar as pessoas impunemente. Rever Jules et Jim para mim hoje não serve. Iria me dar vontade de falar e eu agora não quero e nem preciso dessa vontade. A televisão pelos próximos dois dias, possivelmente, tem que me manter sem vontade de falar. Calada. Muda. Para isso é que servem as séries idiotas e os reality shows piores ainda. Para isso que serve o dr. House e a minha crescente inveja em conseguir odiar indiscriminadamente. Paliativos para minha virose e essa dor de garganta que agora, depois das pontas dos dedos pretas, e do resto de chá de alho, limão e mel frio na caneca de cerâmica brinde assinante Net, ainda dói como nunca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Barbara Kahane&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34439133-7359480419860896321?l=pescotexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/7359480419860896321/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34439133&amp;postID=7359480419860896321&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/7359480419860896321'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/7359480419860896321'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/2007/11/o-mau-humor-televiso-e-uma-garganta-que_29.html' title='O mau humor, a televisão e uma garganta que dói como nunca'/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133.post-4935643992799687076</id><published>2007-11-18T17:02:00.000-03:00</published><updated>2007-12-05T22:11:17.449-03:00</updated><title type='text'>Apresentando: Mariana Kaufman</title><content type='html'>A espera foi longa, meus caros, mas não à toa. Estivemos empenhados, nesses meses de silêncio, em aproveitar nossas férias em Xongas, onde conseguimos nos dedicar ao estudo do trágico na gargalhada do sósia do Zacharias, à análise dos olhos dos gatos de grade do Jockey ao fim da feira, e à outras amenidades que massageiam têmporas cansadas. Como vocês podem imaginar, Barbara e eu, sozinhos, nunca daríamos conta de tamanha empreitada. Ainda mais quando um fato inesperado veio embaralhar tempestuosamente os dados de nossas pesquisas. De fato, quando o xampu de barbatana apareceu no mercado, os olhos dos gatos mudaram de cor, e a peruca do Zacharias nunca mais foi a mesma, o que causou um impacto de dimensões ainda não conhecidas sobre sua gargalhada holística. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certo dia, numa tarde em que chafurdávamos na estagnação de uma redação fictícia, recebemos via sedex um pequeno envelope branco. Dentro dele estava o que precisávamos para reativar a engrenagem da equipe pescotexto, para destravar a pesada máquina da espera: Uma pérola lunar escrita por Mariana Kaufman: Os olhos da Medusa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34439133-4935643992799687076?l=pescotexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/4935643992799687076/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34439133&amp;postID=4935643992799687076&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/4935643992799687076'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/4935643992799687076'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/2007/11/apresentando-mariana-kaufman.html' title='Apresentando: Mariana Kaufman'/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133.post-8948773000296977478</id><published>2007-11-18T15:50:00.000-03:00</published><updated>2007-11-18T17:02:01.577-03:00</updated><title type='text'>os olhos da medusa</title><content type='html'>E o príncipe que estava destinado a salvar a princesa “e viverem felizes para sempre” encontrou a medusa em seu caminho e, em seus olhos brancos, cor de nada, se perdeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca tinha visto nada assim antes, nem os castelos de outros mundos, nem os deuses de sua terra, nada, nem ninguém, se assemelhava àquele olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram olhos negros e grandes e no meio, no lugar da pupila, havia um pequeno círculo branco. Eram minúsculas bolinhas, como a ponta de um funil, e tinham o poder de sugar tudo o quanto era vida útil que lhe fitavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram olhos que não viam, não ouviam, nada, era o nada, e ao mesmo tempo, tudo ao mesmo tempo. Era o vazio pronto a preencher-se, mas também, era infinito e cabia tudo ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebeu de longe aqueles olhos e sentiu uma vontade imensa de esquecer-se, de esquecer de tudo, do caminho, da princesa. Sentiu uma vontade óbvia de perder-se. Sem nem perceber, só queria olhar naquele branco, tão branco como nada, como nem ele, nem ninguém, jamais havia visto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele branco pôde ver tudo, era o branco, a mistura do infinito, não identificava nada, mas sabia que ali, avistava o mundo todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentiu um conforto único, era de outro, não se pertencia, e o que existia ali, naquele momento, não eram princesas e monstros, reis e rainhas, amor, ódio, guerra e paz, nada disso mais fazia sentido. O que existia ali era um enorme vazio, um universo inexistente por trás daqueles olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, sentiu-se cachoeira, sentiu que toda a água, os rios, afluentes e sub-afluentes de seu corpo desaguavam para dentro daqueles pequenos orifícios brancos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi ficando fraco, mas não percebia, pois a lentidão de todo o seu corpo provocava uma calma agradável. Ficou duro, e também não se deu conta, pois nem queria se mexer, queria aproveitar o sono que sentia e ficar ali, paradinho, bem quietinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Virou pedra. Também não viu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que sentiu foi o sono infinito. Ali dentro do seu corpo duro, rígido, seco e imóvel pôde dormir. O sono dos séculos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até hoje, o príncipe dorme no quentinho do seu corpo de pedra e a princesa, já faz muito tempo, superou o trauma da espera abandonada e casou-se com o dragão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mariana Kaufman&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34439133-8948773000296977478?l=pescotexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/8948773000296977478/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34439133&amp;postID=8948773000296977478&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/8948773000296977478'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/8948773000296977478'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/2007/11/os-olhos-da-medusa.html' title='os olhos da medusa'/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133.post-8323088864800844568</id><published>2007-07-23T01:28:00.000-03:00</published><updated>2007-07-28T19:42:13.470-03:00</updated><title type='text'>Mergulho</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/RqQu8G8gC2I/AAAAAAAAABA/wyNkHDoCZMg/s1600-h/t%C3%BAnel+1.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/RqQu8G8gC2I/AAAAAAAAABA/wyNkHDoCZMg/s320/t%C3%BAnel+1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5090245089026902882" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;        &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reencontrei a caixinha marroquina num pequeno antiquário em Copacabana, escondida entre estrelas de porcelana, estatuetas de ninfas e luminárias sessentistas de cúpulas policromáticas. De um canto escuro da saleta saía uma fumaça, que flanava pelo ar num proceder ondulante, alisando as jubas dos leões de jacarandá, atravessando molduras vazias encostadas nos móveis, espalhando cheiro quente de cravo no ar. Ao aproximar-se de uma das ninfas, a fumaça, como que atônita diante de uma epifania do caminho, transformou-se numa admirável miniatura de vórtice, cujo olho, notei, adentrava o buraco de fechadura da caixa. &lt;br /&gt;Como no encontro entre duas correntes marítimas de temperaturas conflitantes, entrelaçadas num hipnótico rodopio aquático que desce rumo a alguma Atlântida festiva onde fornicam peixes, eu, num redemoinho de espanto e entusiasmo, curvei-me pasmado para apreciar o espetáculo insólito. Deteve-me logo o tema da tampa, paisagem com duas palmeiras ligeiramente inclinadas em primeiro plano e um vale de pequenas colinas ao fundo. Orla do Rio: as cabeleiras daquelas palmeiras talhadas fariam sombras na tarde ensolarada de Copa, as colinas inflariam esbranquiçadas e seriam as Ilhas Cagarras avistadas do Arpoador.&lt;br /&gt;Arrastadas até a linha do horizonte pelo mesmo vento que violento desenterra guarda-sóis e que brando conduz a neblina até o calçadão em noites de outono, as colinas deixavam atrás de si um abismo coberto de mar envernizado, ocre, vazio de veleiros, transatlânticos, sem rastro de escunas, espumas, ondas. Um mar repleto de fauna imaginária, convidativo.&lt;br /&gt;Talvez fosse o cravo alucinógeno, pois além de ver a caixa como a Terra, com suas placas tectônicas de madeira incrivelmente separadas pela atividade eólica, a cada inspiração eu acreditava mais e mais estar ouvindo sons que embalam um semi-sonho na canga: o cochicho das rodinhas, o chiado da maré quase alcançando o pé, brados estapafúrdios de vendedores ziguezagueantes, o ronco das motobombas das duchas e dos monomotores no céu. E para minha surpresa, ao pressionar a janela do ouvido percebi que, como se na areia eu estivesse, a freqüência do som agravava, som de tudo aparecendo sonífero. Cessei de pressionar, e então ouço um derradeiro “Alô água! Alô mate!” antes de ser engolido por um fabuloso e infundado caixote, com o qual não me importaria, caso viesse ao fim de um bem sucedido jacaré kamikaze. Ergui-me, enchi meus pulmões de maresia que dissipa remorsos e mergulhei na conveniente melancolia das tardes turvas no mirante do Leme, quando, aéreo, vejo leveza nos canhões do Comando Militar na outra ponta da praia e cogito ser um pescador ocasional, usando meu boné de banco falido e minha camiseta regata carcomida, com meu maltratado baldinho bege cheio de iscas de sardinha ao meu lado, minhas gírias do métier marinho na boca, minhas latinhas de cerveja na sacola térmica, entretido na brisa oceânica, assobiando canções. &lt;br /&gt;Nada como minha fantástica realidade financeira para murchar meu desvario. Eu talvez nunca comprasse a tal caixinha, eu que havia visto nela, desde o primeiro encontro (uma topada num belo exemplar, anos atrás, quando vagava em outro antiquário à procura de um baú), um continente mágico, metamorfoseando conteúdos mil em tesouros atemporais. &lt;br /&gt;Eu flutuava anacrônico no vapor de incenso, em meio às antiguidades, ao largo do trânsito infernal, apreciando o desfile dos terráqueos no aquário que era a praça coberta da galeria: o cardume de caixas do Pão de Açúcar com seus rabos de cavalo a balançarem feito ponpons de hipotéticas hipocampetes, o pivete despistando o tira com a destreza de uma enguia aflita, a escada espiral feito fóssil de concha de nautilo. Foi quando vi Amanda, lá fora, admirando-me como se eu fosse um curioso peixe ornamental abrindo e fechando a boca, coçando meu queixo de escamas. Acenei. Ela acenou e riu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andamos até a rua. Calor dos infernos. Peço um açaí na lanchonete:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me vê um açaí no copo, pra viagem!&lt;br /&gt;- É com tampa?&lt;br /&gt;- Não, não precisa...&lt;br /&gt;- Então não é pra viagem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, transbordando de pedidos, a garçonete esquecera de fazer jus à sua interessante colocação, e me entregara o copo com tampa e canudo, como se fosse um suco. Destampei, e por minha vez, desatento às lixeiras laranja que passavam, andei com a tampa e o canudo entre os dedos. Amanda estava agitada, parecia a palmeira solitária da cobertura de um edifício no Leme, que, não sei por que cargas d´água, me comove, quando a vejo, da rua, feito uma anêmona do mar à mercê das correntes, descabelando-se ao vento. Tinha desmanchado com o Rubens: “Era um pra cada lado e o marasmo no meio”, disse. Pensei no tempo que afasta a graça de uma gíria batida, enquanto meu açaí derretia no copo de plástico. Conversamos à beira mar, ora futuristas felizes, ora empurrados pela pesada mão dos fatos para um lamentável caldo de reclames. E quando, para descontrair, eu lhe contava já ter visto três saltos de arraia na Barra, coisa que ninguém acreditava, um ultraleve sobrevoou o mar, levando uma faixa com estas palavras em fundo branco: “Amanda, eu te amo! Volta. Rubens.” Ela riu, eu ri e anoiteceu. &lt;br /&gt;Na manhã seguinte, volto ao antiquário, à procura da caixinha. Dentro dela, uma fotografia em preto e branco: equipado com pés de pato e óculos de mergulho, um jovem exibia na palma da mão uma admirável concha espiralada. Na boca, um sorriso desangustiado. Ao longe, o Rio de Janeiro, e no canto da foto, uma data: 1969. No verso, algumas anotações em caligrafia impecável. Cocei meu queixo ao ler:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reencontrei a concha nos escuros corais&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34439133-8323088864800844568?l=pescotexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/8323088864800844568/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34439133&amp;postID=8323088864800844568&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/8323088864800844568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/8323088864800844568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/2007/07/mergulho.html' title='Mergulho'/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/RqQu8G8gC2I/AAAAAAAAABA/wyNkHDoCZMg/s72-c/t%C3%BAnel+1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133.post-4650326773073167038</id><published>2007-06-15T14:23:00.000-03:00</published><updated>2007-06-15T14:25:05.488-03:00</updated><title type='text'>O SONHO EM QUE DEAN MARTIN CANTOU NA LAGOA</title><content type='html'>Estou no carro com Luciana, Marcella, Maria Clara e Monique. Conversamos sobre a possibilidade de entrevistar Dean Martin para nosso filme. O carro sacoleja e eu me preocupo em não derramar a cerveja da latinha cheia que seguro numa das mãos. Por mais que eu beba a lata permanece cheia até a boca e eu mal consigo me concentrar na conversa sobre a possível entrevista que almejamos conseguir para nosso documentário porque a cada sacolejada que o carro dá nas intermitentes curvas, eu temo pelo acento do carro e pelos vestidos floridos de Marcella e Luciana que sentam cada uma num dos meus lados no banco detrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; No meio da Lagoa Rodrigo de Freitas está prostrada à deriva a gigante árvore de Natal do Bradesco. Nos perguntamos o que aquela árvore ainda faz ali, já que é véspera dos dias dos namorados. Alguém explica que leu não sei aonde que os custos para tirá-la da Lagoa iriam ser tão altos que esse ano haviam resolvido apenas apaga-la no dia de Reis. O prefeito da cidade, por aqueles dias, havia dado a ordem de reacender a monstruosa árvore em boas vindas a Dean Martin, o que eu acho ser de uma cafonice grotesca. Conforme o carro contorna a Lagoa ainda me admiro de não ter percebido antes aquela árvore ali, mesmo que apagada. Ela é um verdadeiro monstro vermelho e rosa, cheia de corações piscantes. Mesmo de dia sem as milhares de luzes acesas a árvore certamente chama atenção, mas essa é a primeira vez que eu noto a permanência dela na Lagoa depois das festas de fim de ano, o que me faz ficar assustada com a minha desatenção até esse dia de junho em que a árvore volta a se acender,e só assim se fazer reparada por mim, para receber o cantor internacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Resolvemos parar num estacionamento em que o flanelinha banguela ajuda a Clara estacionar o carro com movimentos bruscos das mãos. Alguém fala em tomar um trago num daqueles restaurantes quiosques metidos a hype da Lagoa. Estou ansiosa para chegar perto do palco mas o relógio mostra que ainda falta um tanto para a hora do início do espetáculo, então concordo de bom grado beber um chope antes de ir ver Dean Martin cantar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Fazemos o nosso pedido, mas uma garçonete magricela usando um avental preto insiste para que tomemos margueritas. Ela é muito eloqüente e nos convence. Esse é o dia da marguerita no bar e o preço dela está mais barato que o chope. Pedimos uma rodada de margueritas. A cerveja da minha lata já está quente e choca, mas por mais que eu de longos goles o liquido no recipiente de alumínio parece nunca diminuir. Peço para um garçom magricelo com pinta de asmático levar minha lata, mas ele me aconselha a deixá-la na mesa, pois o restaurante está em falta de cinzeiros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; As margueritas chegam em copos enormes e com guardas chuvas de papel azuis mergulhados em cada um dos drinks. Começamos a rir tanto que mal conseguimos provar nossas bebidas. Um maitre magricelo e de longos bigodes vem saber o que está acontecendo e se desculpa de maneira deveras submissa em nome da garçonete eloqüente. Dizemos que não tem problema, que está tudo ótimo e que estamos apenas felizes, pois iremos assistir Dean Martin cantar. O maitre de longos bigodes abre os olhos espantado e sai de maneira apressada puxando o garçom de porte asmático em direção ao balcão do bar. Dali a pouco os dois voltam. O garçom que parece ser asmático segura de maneira imponente uma bandeja redonda. Em cima da bandeja eu reconheço um uísque caríssimo, mas não consigo me lembrar o nome dele e o título no rótulo se apresenta com letras um tanto embaçadas. O maitre nos oferece o uísque como cortesia. Ele diz que se vamos ver o Dean Martin cantar temos que estar na mesma sintonia do cantor. O maitre com longos bigodes nos confidencia que ele próprio foi o responsável em abastecer o camarim de Dino com quatro caixas daquele néctar dos deuses. Nós brindamos e bebemos, mas Marcella faz cara feia para seu scotch, pois ela odeia uísque. Penso em chamar o Daniel por meu celular para vir beber o drink da Marcella, pois tenho medo que o maitre de longos bigodes pense que nós estamos fazendo desfeita à sua cortesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pego meu celular na minha bolsa e peço licença da mesa para procurar um canto mais silencioso para efetuar a ligação. Aperto a letra d na agenda do meu celular e o nome de Daniel aparece no visor. Clico send e quando coloco o telefone no ouvido a ligação já esta sendo realizada. O telefone de Daniel toca duas vezes antes de alguém atender. A voz bêbada do outro lado da linha não é a do Daniel. Pergunto quem fala e a voz do outro lado da linha não fala nada que faça sentido. Finalmente reconheço a voz de André, que continua balbuciando sentenças sem nenhum significado. O lugar que ele está é muito barulhento e a ligação corta um pouco. André começa a falar coerentemente e sua primeira pergunta é onde diabos eu me encontro. André me pergunta por que ainda não cheguei ao show do Dean Martin.  Reconheço, então, o barulho que vem do outro lado da linha. É a voz de Dino cantando! Me emputeço porque o show claramente já começou e eu estou num bar cheio de atendentes magricelos que nos enfiam margueritas goela abaixo. André diz para eu me apressar, pois o show está muito vazio e eles estão em um lugar ótimo. Da onde eles estão eles podem pedir suas músicas favoritas a Dean Martin e o cantor atende todos os pedidos. André ainda diz que Dino encerrará o show cantando parabéns para ele. Me lembro que me esqueci de parabenizar André por seu aniversário assim que reconheci sua voz no telefone e sinto culpa.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corro para mesa a fim de apressar as meninas. O maitre de longos bigodes está sentado em meu lugar, abraçado a garrafa do uísque caríssimo. Ele se encontra bêbado e minhas amigas se divertem com suas histórias sem sentido. Aviso que o show começou, mas nenhuma delas acredita em mim. Peço para que todos façam silêncio, talvez dali possamos ouvir alguma coisa do show e eu possa provar que o espetáculo efetivamente se iniciou. Fazemos silêncio e aos poucos o som de uma canção cantada por Dean Martin invade o lugar. Faço cara de “não disse?” e começo a correr em direção ao som. Luciana. Marcella, Maria Clara e Monique me seguem. Depois de um caminho escuro chegamos às costas de um outro quiosque. O som de Dino cantando parece vir dali, o que eu acho deveras improvável apesar da evidencia sonora que nos leva aquele outro bar à beira da Lagoa.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Entramos no bar e eu percebo que quem canta é um velho hippie sentado num banco em cima de um pequeno tablado. O velho hippie tem longos cabelos grisalhos, óculos escuros, camiseta tingida caseiramente e jaqueta jeans surrada de modelo sessentista. Fico impressionada com a semelhança do timbre da voz dele com a de Dino. Mas a imagem do velho hippie não condiz nada com o gênero de música que ele insiste em cantar. Penso que como os acontecimentos que sucedem nessa noite são de peculiaridade ímpar, corre o risco de chegarmos ao palco e encontrarmos Dean Martin cantando como Joni Mitchell, Paul Simon, Donovan ou algo que o valha. Me divirto alguns segundos nesse devaneio e quando dou por mim estou sozinha no restaurante acompanhada somente de meu sorriso bobo na cara. Minhas amigas sumiram, o velho hippie também sumiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu telefone começa a tocar. Pesco-o na minha bolsa e olho o visor para saber quem é antes de atender. O visor indica que é o Augusto e eu atendo. Augusto me pergunta onde eu estou ao que respondo que estou à horas tentando chegar ao show do Dean Martin, mas que tenho medo do show já ter terminado. Augusto me pergunta se eu tenho certeza se o show que eu pretendo chegar é mesmo do Dean Martin, pois ele acha que o cantor está morto a pelo menos meia década. Quando ele questiona a sobrevivência de Dino eu me lembro que Dean Martin realmente está morto e começo a rir. Me admira como ele morto conseguiu enganar tanta gente. Dean Martin é mesmo demais, nem Frank Sinatra havia pensado algo assim antes. Depois de conversamos sobre a genialidade do último ato de Dino, Augusto me diz que na verdade a razão do telefonema é a sua constatação que faz tempo que nenhum de nós posta uma mísera linha no pescotexto. Falo para Augusto que vou para casa nesse momento acabar de escrever uma crônica supimpa que venho trabalhando nos últimos dias, mas é mentira. Na minha cabeça não tem nada, nada, nada, nada, nada, nada,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;B.K&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34439133-4650326773073167038?l=pescotexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/4650326773073167038/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34439133&amp;postID=4650326773073167038&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/4650326773073167038'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/4650326773073167038'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/2007/06/o-sonho-em-que-dean-martin-cantou-na.html' title='O SONHO EM QUE DEAN MARTIN CANTOU NA LAGOA'/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133.post-2813939612302678695</id><published>2007-05-30T01:08:00.003-03:00</published><updated>2007-10-12T21:56:46.284-03:00</updated><title type='text'>Precauções diante de uma prostituta santa</title><content type='html'>Às margens do Posto Ipiranga chovia uma chuva nem fina nem grossa, irritante feito chiado em fita k7 a ser transcrita por um estagiário mal pago numa tarde ensolarada. Dois frentistas já desuniformizados aguardavam o céu cessar seu pranto de araque. De boné e sobretudo creme, os dois conversavam sobre o trajeto dos ônibus no subúrbio. Altas discordâncias: “esse buteco não fica nessa rota, eu sei porque já fui lá e morri mil vezes esperando essa porra de 232”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso personagem atravessa a avenida, mas não sem antes ser premiado em contra-plongée com uma senhora ducha de água da poça, executada com perfeição por um Gol azul escuro e prateado, lhe pareceu, enquanto sua boca lançava uma praga esfumaçante que atravessava as gotas apressadas para espatifarem-se na ciclovia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não nos acabe aqui indagar porque raios o cara da mala preta e casaco de lã preto, com gotículas desequilibrando-se nas pontas felpudas, apareceu naquele instante todo molhado atravessando a rua, se dirigindo ao posto, passando ao lado dos frentistas. Ou cabe, se assim quiserem, pois afinal de contas ele é um personagem de preto, a cor do suspense, afirmariam alguns, dispostos a teorizar o luto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que ele tinha mais de um real no bolso, não sabemos se todos em moeda nem se guardados para entornar litros de café expresso em postos de conveniência. Parou em frente à máquina, apertou o botão do cappuccino, esperou, ajeitou o cabelo esboçando um assobio sombrio, pegou o copinho e pôs-se a bebericar. Eu já havia tomado um daqueles pouco antes e sabia que aquela beiçada cautelosa e demorada não se devia à temperatura do café, que já saía morno da máquina. Matava o tempo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E lá estava eu a estudar o sujeito de preto com mala preta assassinando friamente o tempo e tomando seu cappuccino morno quando me entra pela porta automática uma cinquentona serelepe com uma sapatilha dourada na mão direita, e a outra no pé esquerdo. Bem, isso foi o que primeiro chamou minha atenção, mas como em anúncios de lingerie, nos quais nosso olhar adequa-se rapidamente ao percurso sexo-rosto-rosto-sexo, e como o primeiro ítem não seria realmente uma meta para meus olhos diante da senhora encasacada, subi-lhe os olhos pela saia estranha e violeta, passei pelo casacão peludo chegando-lhe aos óculos escuros. Logo os deixei de lado, pois pendentes, não escondiam os olhos azuis, nus, puro mar agitado de delírio, que se esbugalharam em sincronia com a boca:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não quero a bunda da Carla Perez! Eu deteeesto favelado! Tenho nojo!! Ouviram???...NOJO!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então nossa personagem semi-descalça, agora indiscutível protagonista, espalma a mão violentamente no balcão e joga uma nota de R$ 100. A outra sandália já estava na mão do segurança do posto, que pelo sorriso de telespectador dominical diante do programa humorístico preferido, conhecia bem o enredo, e a seguia, com a mão no seu ombro, anunciando num tom gaiato aos amigos: “Ela quer um cigarro e o resto em cerveja...” Ela era como Gena Rowlands em Opening Night, todos a esperavam, ela era o show, sem ela não haveria espetáculo. E ela continuava, espalhafatosa, para alegria dos funcionários: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu moro sozinha numa cobertura fantástica aqui do lado, ganho quinhentos mil por mês!!! Faço o que quiser!!! E vocês?? Não sou que nem essa loira bunduda!!! Detesto favelado!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do lado de fora, saía o camarada da mala preta, observado pelos dois frentistas, que a esta altura já discutiam como eram construídas as espaçonaves e quando finalmente chegaria a hora dos fiéis irem pro espaço. Desviando um pouco o curso da conversa, um deles comentou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E esse aí, entrou de preto, saiu de preto e voltou pra chuva...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aparício Modesto&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34439133-2813939612302678695?l=pescotexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/2813939612302678695/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34439133&amp;postID=2813939612302678695&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/2813939612302678695'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/2813939612302678695'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/2007/05/precaues-diante-de-uma-prostituta-santa_5836.html' title='Precauções diante de uma prostituta santa'/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133.post-7414185252171729309</id><published>2007-04-19T00:51:00.000-03:00</published><updated>2007-04-19T00:54:16.503-03:00</updated><title type='text'>ESTELA E AS UNHAS ESCARLATES</title><content type='html'>Estela gostava de pintar suas unhas das mãos e dos pés de vermelho. Toda vez que saia do salão de beleza se sentia mais bela. Estela não tinha cuidados especiais com seus cabelos. Aparava-os três a quatro vezes ao ano, quando achava necessário. Não pintava e não fazia nenhum desses tratamentos, hidratações ou escovas que viraram coqueluche nos últimos anos. Freqüentava o salão de beleza unicamente com a finalidade de pintar suas unhas dos pés e das mãos. Sempre de vermelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda sexta feira quando saia do salão de beleza, fumava um cigarro e tomava um café num café bem freqüentado do bairro de Ipanema. Estela só bebia café nesse café às sextas feiras porque quando saia do salão de beleza com suas unhas vermelhas se sentia mais bela, tão bela que se achava capaz de ganhar o mundo e, para Estela, o primeiro passo para se ganhar o mundo era tomando um café num desses cafés bem freqüentados do bairro de Ipanema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estela achava lindo fumar cigarros de filtro amarelo, principalmente Marlboro caixa. Quando Estela se sentava à mesa da varanda de um desses cafés bem freqüentados do bairro de Ipanema, enfiava a mão em sua bolsa em forma de saco e dali pescava um box de cigarros de filtro amarelo. Ao retirar a mão do saco se deliciava com a imagem de suas mãos brancas de neve segurando a caixinha branca e vermelha do cigarro. Metodicamente abria a caixa, tirava um cigarro e acendia-o. Estela degustava o cigarro sem tirar os olhos de suas mãos e de seus dedos. Estudava cada movimento seu. A maneira como segurava o cigarro, a ponta do filtro amarelo entre seus dedos indicador e maior de todos. As unhas gritando escarlates na proximidade do filtro. A fumaça em desenhos coreografados dissipando-se no ar. Era então nesse momento que Estela se transportava e de repente aquelas mãos não eram mais as mãos de Estela em Ipanema. Estela não era mais Estela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando, às sextas feiras, saia do salão de beleza e sentava num desses cafés de Ipanema para ganhar o mundo e fumar um cigarro admirando suas mãos brancas de neve em contraste com as unhas vermelho escarlate, Estela se transportava para um outro lugar. Um lugar que só existia em sua cabeça. Uma junção de retalhos de imagens, sons e descrições de filmes, gravuras, fotos e musica que ela ouvia desde pequena e da qual ela gostava muito de pensar e chamar de Paris.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às sextas-feiras Estela saia do salão de beleza se sentindo mais bela com suas unhas vermelhas e num café bem freqüentado do bairro de Ipanema acabava parando em Paris.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O lugar na cabeça de Estela toda sexta-feira não era muito bem Paris. Estela nunca havia estado em Paris, nem em nenhum outro lugar da Europa. Apenas conheceu a Disney ainda bem pequena e esteve em Buenos Aires quando completou seus quinze anos. O resto do mundo só conhecia de filmes vistos em algum cinema do grupo Estação ou em casa, em dvds alugados na Cavídeo depois de meia noite. A Paris de Estela estava em salas de cinema do bairro de Botafogo, em prateleiras de uma locadora no Humaitá e nos devaneios de Estela diante à xícara de expresso às sextas feiras em Ipanema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estela chamava o lugar de seus pensamentos de Paris porque tinha indiscutível preferência pelos filmes franceses e achava o idioma muito elegante, apesar de não entender nem falar uma palavra da língua. Estela gostava de filmes ambientados na cidade, mas se derretia mesmo pelas fitas protagonizadas por Alain Delon ou por Belmondo. Achava as duas estrelas, cada um a sua maneira, símbolos perfeitos de um homem ideal. Quando pintava suas unhas de vermelho, gostava de pensar que era também uma estrela e que vivia em par romântico com seus astros favoritos dentro de filmes que ela se gabava de ter visto mais de vinte vezes como About de Souffle e Plein Soleil (Estela recusava-se a chamar seus filmes favoritos pelo título traduzido. Quando alguém lhe perguntava sobre Acossado ou O Céu por Testemunha, fazia cara de desentendida até simular compreensão e referir-se ao filme pelo título original, sempre se desculpando, em falsa modéstia, por desconhecer o nome dado em português).&lt;br /&gt;Estela se sentia mais bela às sextas-feiras, mas conforme os dias da semana iam passando uma tristeza de dar dó se apoderava dela. Nos fins de semana Estela só saia de chinelinhos ou sandálias bem abertas a fim de expor seus pezinhos de unhas vermelhas. Já havia, inclusive, arranjado um namorado que tinha fissura por seus dedinhos escarlates separados pelas tirinhas de suas chinelas praianas. Mas o namorado não era nenhum Alain Delon e Estela logo se cansou daquela adoração exagerada aos seus pezinhos. Estela dispensou o namorado andando por três semanas consecutivas com um velho all star e despindo os pés somente em seu quarto para o deleite dos múltiplos olhos azuis de M. Delon estampados pelas quatro paredes. Assim que o namorado chato por seus pés parou de ligar, voltou a desfilar aos fins de semana com suas sandálias abertas apesar de sua alegria sempre ter data para acabar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conforme os dias da semana iam passando, Estela ia substituindo seus chinelinhos por sapatos mais fechados. Quando chegavam as quintas feiras, só ia trabalhar de tênis e com uma enorme vergonha das mãos brancas de neve. Quando chegavam as quintas feiras, recusava-se a fumar cigarros em público e fazer devaneios. Quando chegavam as quintas feiras, era uma mulher mais triste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas as sextas feiras também sempre chegavam e mesmo que não fosse encontrar ninguém e soubesse que iria passar o fim de semana trancada sozinha em casa, Estela pintava suas unhas de vermelho. Sempre para ela e para o Michel Poiccard que a esperava em close na parede de seu quarto com um cigarro na boca e um olhar marotamente romântico. Michel Poiccard sabia admirar as unhas escarlates de Estela e era para ele e para o Ripley de Delon e para tantos outros sonhos que começavam no café bem freqüentado do bairro de Ipanema que Estela entrava toda sexta feira no mesmo salão de beleza e saía se sentindo mais bela com suas unhas vermelhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se aquele aumento saísse Estela poderia pintar as unhas duas vezes por semana. Ela mal podia esperar para não ter mais as quintas feiras de melancolia quando escondia suas unhas já sem brilho, e às vezes até mesmo descascando, de seus amigos e de seus amantes de papel em close na parede de seu quarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;B.K&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34439133-7414185252171729309?l=pescotexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/7414185252171729309/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34439133&amp;postID=7414185252171729309&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/7414185252171729309'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/7414185252171729309'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/2007/04/estela-e-as-unhas-escarlates.html' title='ESTELA E AS UNHAS ESCARLATES'/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133.post-4433249920650160818</id><published>2007-04-14T02:28:00.000-03:00</published><updated>2007-04-17T15:43:13.292-03:00</updated><title type='text'>Sonhos facultativos de uma aula em véspera</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/RiBnnPIHovI/AAAAAAAAAAo/nfUbywidj6g/s1600-h/snork+1.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/RiBnnPIHovI/AAAAAAAAAAo/nfUbywidj6g/s320/snork+1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5053152705682842354" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34439133-4433249920650160818?l=pescotexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/4433249920650160818/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34439133&amp;postID=4433249920650160818&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/4433249920650160818'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/4433249920650160818'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/2007/04/sonhos-facultativos-de-uma-aula-em.html' title='Sonhos facultativos de uma aula em véspera'/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/RiBnnPIHovI/AAAAAAAAAAo/nfUbywidj6g/s72-c/snork+1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133.post-2710563568485629669</id><published>2007-03-25T16:09:00.000-03:00</published><updated>2007-04-02T20:29:59.561-03:00</updated><title type='text'>As Superstições, As Palavras e A Morte.</title><content type='html'>Quantos artifícios supersticiosos preciso arranjar para conseguir voltar a escrever? Estou agora diante do caderno da sorte de capa vermelha que me traz inspiração mesmo que depois o trabalho tenha que ser o dobro quando eu for catar milhos diante do monitor do computador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uso também uma caneta da sorte que dias desses furtei da cabeceira do meu primo Bernardo. Bernardo divide comigo o espaço e as despesas do apartamento que eu habito e às vezes eu roubo canetas da sorte de sua mesa de cabeceira. Ele nunca reclamou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A caneta da vez tem os seguintes dizeres: Sportv é campeão. Seguro a caneta de uma maneira que enquanto eu escrevo só consigo ler os dizeres “É campeão”. Finjo que isso é importantíssimo para mim e para o processo de minha escrita como se a caneta incentivasse o surgimento das palavras que formarão o texto que será campeão. Um texto campeão, que diabos poderá ser isso? Será um sinal para eu me esforçar a falar sobre o mar?  Eu nunca escrevi sobre o mar e eu faço, nesse momento, uma aposta comigo mesma que se eu conseguir até o fim do texto incluir o mar de alguma forma eu juro, juro, juro, por minha caneta da sorte, que a usarei no meu caderno de capa vermelha para escrever o conto do concurso do jornal O Globo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De alguns dias para cá voltei a ouvir sistematicamente Leonard Cohen. Coincidiu com a época que eu redescobri uns outros textos meus que precisavam ser revisados e reescritos e, ao som de Leonard Cohen, eu consegui entrar no processo de cabeça. Leonard Cohen, portanto, é o meu cantor da sorte da vez. Coloco Suzanne e uma avalanche de palavras sai da ponta da minha caneta da sorte. Cohen me dá coragem para as próximas linhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrever é, sobretudo, um ato de coragem e nesses momentos é reconfortante estar munida de amuletos que dão sorte para o prosseguimento da aventura que é escolher palavras para inventar coisas que precisam ser ditas sem nem bem se saber o porquê. É preciso também ter classe, mas classe não é uma questão de sorte.&lt;br /&gt;      &lt;br /&gt;Existem pessoas que envelhecem e perdem a classe. Tenho impressão que isso aconteceu com Leonard Cohen. Suas composições não são mais as mesmas e ele parece ter enferrujado.  É duro tirar classe de ferrugem e meu medo é um dia descobrir que eu nasci enferrujada. Para isso coleciono amuletos e finjo que Leonard Cohen está morto. Existe tanta gente no mundo que envelheceu e enferrujou que eu tenho ate dó. Por isso jaz na minha cabeça um cemitério imaginário para me fazer feliz e poder imaginar as pessoas vivas somente até o momento em que deveriam ter parado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dias atrás li uma entrevista com Paulo Mendes Campos para o Pasquim. Queria muito que o Paulo Mendes Campos estivesse vivo. Se ele estivesse vivo talvez enterrá-lo-ia em meu cemitério imaginário, mas como eu queria que ele não tivesse morrido aqui no mundo real! Quando Sabino escreveu Zélia, uma Paixão eu o enterrei no cemitério da minha cabeça. Eu era muito nova, mas já me mostrava uma fã fervorosa, principalmente do Menino no Espelho... em certa época de minha vida soube trechos de có. Minha família, como qualquer outra família de classe média, passou o pão que o diabo amassou com o Collor. Quando Sabino lançou a biografia sobre a Zélia, portanto, preferi fingir que ele havia morrido. Ele, talvez, tenha sido o morto número um de meu cemitério imaginário. Mas nada disso impediu que eu me debulhasse em lágrimas quando, há alguns anos, Sabino morreu de verdade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É duro ter que viver num mundo onde Paulo Mendes Campos está morto de verdade porque olhar o mundo pelas crônicas dele faz tudo ficar mais bonito. Uma beleza agridoce, é verdade, mas ainda sim uma beleza rara nos olhos dos vivos nos dias atuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa entrevista dada ao Pasquim ele relata a sua experiência com LSD. Ele fala que o LSD tem o poder de liberar o anjo e o demônio de uma pessoa, mas como ele vivia as suas vinte e quatro horas de cada dia de sua vida acompanhado pelo demônio, quando tomava LSD só sentia a companhia do anjo e ficava bem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que me faz lembrar da mesa de bar de ontem onde um amigo contava suas andanças recentes por Frisco e toda a áurea cultural presente na cidade. Ele falou dos ecos de Leary e todos os hippies e principalmente dos ecos beatnicks impregnadas em trechos da cidade. Como uma rua visitada por ele chamada Kerouac’s Alley onde trechos da poesia do escritor de On The Road se espalhamavam pelas calçadas. Fiquei um tempo pensando na imagem de alguém pisando nas palavras de Kerouac e cheguei à conclusão que isso por si só é de uma poesia imensa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kerouac está morto de verdade enquanto algumas de suas frases deitam-se nas calçadas de sua querida Frisco. É quase como se ele estivesse vivo. Mesmo assim, não me parece mal morrer aos quarenta e seis anos quando se produziu tudo o que ele produziu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neal Cassady morreu cedo demais. Ginsberg e Burroughs sobreviveram um tanto mais, mas realmente acho que para eles não deve ter valido muito a pena. Viveram mais, mas nada me faz crer que eles não tenham morrido muito mais desiludidos diante de todos os absurdos que somos obrigados a vivenciar por termos conseguido sobreviver à passagem do século, por termos chegado ao futuro. Quem não enferrujou, hoje nasce enferrujado (triste legado de minha geração).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando a Paulo Mendes Campos e sua entrevista ao Pasquim, ele também explica porque abandonou a poesia. Segundo o cronista ele não tinha tempo de escrever poesia e não acreditava mais em escrever poesias. Ele não acreditava porque ele tinha que ganhar a vida (leia-se dinheiro para pagar comida e teto para si e sua família) e, portanto, não podia abandonar as suas crônicas, adaptações infantis e traduções para trabalhar dias numa única poesia. Diante das agruras diárias poesia era perda de tempo E mesmo assim ele morreu cedo demais. E mesmo assim vejo um mundo mais bonito quando leio as crônicas dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sei bem com quantos anos o escritor faleceu, mas acho que mesmo assim não existiria tempo o suficiente para bastá-lo. Mesmo que ele acabasse sendo obrigado a escrever algo como “PT e Virtude” para ganhar a vida e eu por conta disso fosse obrigada a sepultá-lo no meu mundo de mentirinha; tenho certeza que acabaria chorando um mar de lágrimas no dia de sua morte simplesmente por perder alguém capaz de escrever as seguintes linhas: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Toda pessoa deve ter três caixas para guardar humor: uma caixa grande para o humor mais ou menos barato que a gente gasta na rua com os outros, uma caixa média para o humor que a gente precisa ter quando está sozinha, para perdoares a ti mesma, para rires de ti mesma; por fim, uma caixinha preciosa, muito escondida, para as grandes ocasiões. Chamo de grandes ocasiões os momentos perigosos em que estamos cheios de dor ou de vaidade, em que sofremos a tentação de achar que fracassamos ou triunfamos, em que nos sentimos umas drogas ou muito bacanas. Cuidado, Maria, com as grandes ocasiões. *&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(se essa rua fosse minha eu mandava ladrilhar com palavras de Paulinho para meu amor passar)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, diante dessas palavras desisto de minha crônica antes mesmo de começá-la e vou tentando me lembrar de cuidar das minhas três caixas de humor. Abro agora a maior de todas para esboçar a moral da historia.&lt;br /&gt;(finalização à la Millor, que está vivo aqui e acolá e que graças a Deus é a prova que certas pessoas nascem com proteção anti-ferrugem)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Moral da história: POETA BOM É POETA MORTO. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*TRECHO DA CRONICA PARA MARIA DA GRAÇA PUBLICADA NO LIVRO O COLONISTA DO MORRO PELA LIVRARIA JOS É OLYMPO EDITORA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;B.K&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34439133-2710563568485629669?l=pescotexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/2710563568485629669/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34439133&amp;postID=2710563568485629669&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/2710563568485629669'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/2710563568485629669'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/2007/03/as-supersties-as-palavras-e-morte.html' title='As Superstições, As Palavras e A Morte.'/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133.post-8889153402323401783</id><published>2007-03-10T14:27:00.000-03:00</published><updated>2007-03-27T01:54:04.464-03:00</updated><title type='text'>Borat 1 - nada sobre o filme</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/RfMoqFDFnjI/AAAAAAAAAAY/PJmacN46ZP8/s1600-h/tea+time.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/RfMoqFDFnjI/AAAAAAAAAAY/PJmacN46ZP8/s320/tea+time.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5040417111332462130" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se algum zé-oreba vier falar que o tal do Borat conquista leva um sonoro pescotapa de abalar lóbulos. Não é maldade, meus escassos pescoreaders, é, digamos, apenas um toque, uma louvável preocupação com o próximo virtual. Dizem até que entre os suiços, ao plaft do pescotapa costuma seguir-se um demorado abraço de encharcar costeletas e suiças. Nem todos são dignos de pescotapas. Borat é um que não o é, Borat é um suino sem graça, e por querer ser suino sem o ser, chegando só no quase lá da lama, merece só a prima do pescotapa, a puxada no bogode grouchiano, como a tal mulher na letra de Noel merece uma tijolada na testa. Não é sério, nem violência, é pra ler musicado com Can, ou com cancan, ou ao som da camaleon dance de Zelig. Olho ao redor, meu eu de gosto grotesco ronca no sofá do sétimo sono, então não há perigo, ninguém elogiará Borat aqui, garanto...Mas vamos e venhamos (10 pontos para quem identificou a expressão rodriguiana e menos 10 pontos para quem cafundiu "expressão rodriguiana" com "leitmotiv wagneriano" - bom que assim ninguém sai perdendo - e um bônus, valendo meio valium, pra passar pra próxima semana vivo, pra quem tiver balançado a cabeça em sinal de reprovação ao menos 904986732 vezes até aqui, lendo isto: ), o tal Borat não convence, e esse "panz" (essa gíria bomba em sampa, e eu a emprego aqui como uma irmã anã da carioca "parada") de cutucar com a vara curta do absurdo o american way of life é moleza, manjado, é como cantarolar os tais dos the beatles. Dá-lhe toleima! Mas eis que aquele que cochilava abre um olho de leve. Ei-lo que levanta....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo bem, eu e meu eu de gosto grotesco conversamos. Sou todo ouvidos quando um exemplar vivo dos &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Grotescus Glutoneacius&lt;/span&gt; acorda e gagueja relativismos antropológicos feito blocos de cropólitos achados. Ele, além de reprovar as gordurinhas achadas no texto, me arrotou gutural se eu ri no filme. Sim, eu ri, respondo, não direto, nem direito, e se rir fosse sinônimo de recepção calorosa, então não haveria solução para o aquecimento global, estariamos todos fritos, e aí nem as diplomáticas lágrimas suiças salvariam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;: ), o&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Augusto Malbouisson&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34439133-8889153402323401783?l=pescotexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/8889153402323401783/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34439133&amp;postID=8889153402323401783&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/8889153402323401783'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/8889153402323401783'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/2007/03/borat-1-nada-sobre-o-filme.html' title='Borat 1 - nada sobre o filme'/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/RfMoqFDFnjI/AAAAAAAAAAY/PJmacN46ZP8/s72-c/tea+time.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133.post-7148404840219428922</id><published>2007-02-28T01:48:00.000-03:00</published><updated>2007-02-28T19:21:10.212-03:00</updated><title type='text'>If the budget is tigh, you can try tasty snacks called salgados</title><content type='html'>Tá lá no Lonely Planet Brazil:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“If you don´t feel like a big lunch, lanchonetes also serve tasty snacks called salgados.  Popular ones includes coxinha, savory chicken pieces wrapped in dough and deep-fried, as well as arab quibe and pastéis” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que beleza!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34439133-7148404840219428922?l=pescotexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/7148404840219428922/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34439133&amp;postID=7148404840219428922&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/7148404840219428922'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/7148404840219428922'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/2007/02/if-budget-is-tigh-you-can-try-tasty.html' title='If the budget is tigh, you can try tasty snacks called salgados'/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133.post-2707659644033398803</id><published>2007-02-23T10:37:00.000-03:00</published><updated>2007-03-25T16:19:48.832-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/Rd7vmnuOrXI/AAAAAAAAAAM/TRB4Q7QvKvc/s1600-h/barquinho+de+papel.jpg"&gt;&lt;img style="cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/Rd7vmnuOrXI/AAAAAAAAAAM/TRB4Q7QvKvc/s320/barquinho+de+papel.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5034724880223743346" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;foto: Mariana Kaufman&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se melhorar afunda - segunda barca, a que teve a banda do bloco tocando. A primeira, se não me engano a Brazamar (isso se a insolação e a cevada não fizeram ver Braza na Brisa) saiu sem  surdos nem demais alas, numa monumental pegadinha coletiva. Um bobo da côrte de verde no cais, descido num salto de último instante, ao olhar aquela gigantesca lata de sardinha de dois andares zarpando lenta rumo à Praça XV, berrou de bêbado esperto: "Não tem boca? então canta só, cambada!". E la nave va, com seu Scooby Doo  de plástico laranja murchando em meio a marchinhas à capela da muvuca da côrte, com suas perucas joaninas. O resto é Brasil, e a peruca joanina é por conta da preguiça de linkar ao carnaval nossa história nacional, preferindo dispensá-la, errando o drible em Machado, e perdendo a cabeleira no  chafariz que era cais em 1808!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, insólito foi o pedido da Branca de Neve Negona: "Vocês vão ficar aqui? (acabávamos de atolar na varandinha engarrafada da barca) Pôxa, porque eu e minha galera estávamos aqui, vocês ficaram no nosso lugar! Vocês podem chegar pra lá?" Eu devia ter-lhe oferecido meus óculos-ventana de policarbonato vermelho e solicitado que repetisse o pedido com voz fanha, riríamos melhor do que rimos. Ah! minha touca transbordante!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A.M&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34439133-2707659644033398803?l=pescotexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/2707659644033398803/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34439133&amp;postID=2707659644033398803&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/2707659644033398803'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/2707659644033398803'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/2007/02/se-melhorar-afunda-segunda-barca-que.html' title=''/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/Rd7vmnuOrXI/AAAAAAAAAAM/TRB4Q7QvKvc/s72-c/barquinho+de+papel.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133.post-116969711823214190</id><published>2007-01-25T00:50:00.000-03:00</published><updated>2007-02-03T04:28:24.613-03:00</updated><title type='text'>OS ACASOS E A TERNURA PARTE II</title><content type='html'>Dezembro 2006&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João não voltou, meu computador entrou em colapso, não fui ao show do caetano, graças a deus não tive que pegar nenhum avião. Dezembro voou entre meus nervos à flor da pele revendo cassavetes no ccbb e a possibilidade de uma calma desejada ao longo de todo ano sendo finalmente encontrada no canto dos pássaros da mais bela árvore de uma rua do cosme velho. Enquanto isso o resto de minha querida e triste cidade agonizou mais uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em dezembro eu me calei diante desses acontecimentos que preencheram meus dias. Em dezembro eu simplesmente vivi deixando o pescotexto de molho (na verdade marinando a fim de pegar sabor para o ano que se abriu). Inaugurarei, portanto, minha participação autoral em 2007 relatando duas cenas pescadas por meus olhos nesse volumoso mês de dezembro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                               O MENDIGO DANÇARINO DA BARRA DA TIJUCA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu moro na Lapa, minha mãe mora na Barra da Tijuca. As distâncias são tão grandes (física e filosófica) que às vezes passamos meses sem nos ver. Trabalhando por aquelas bandas minha mãe não tem absolutamente nada o que fazer no Centro, e como suas horas são todas preenchidas no escritório da esquina de sua casa pouquíssimas vezes ela tem a chance de dar o ar de sua graça em bairros da zona sul. Eu não tenho nada o que fazer na Barra. Absolutamente nada, a não ser visitá-la nos fins de semana em que ela não precise ficar enfurnada no escritório a mercê dos imprevistos. Quando isso acontece é praticamente uma viagem que me proponho fazer. Arrumo uma mochila com artigos básicos de higiene, um pijaminha, um bom livro e me encaminho para a jornada de uma hora e meia de ônibus até a moradia de minha mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No primeiro fim de semana de Dezembro fui visitá-la. Passamos dois dias fofocando, comendo besteiras e vendo a primeira temporada de Dallas em dvd. Domingo chegou rapidamente e eu comecei a me preparar para a jornada de volta. Tinha hora para chegar na Primeiro de Março, nesse domingo iria ser exibido Faces no CCBB e eu não poderia perder isso por nada do mundo. Despedi-me de minha mãe garantindo as felicitações de boas festas – as distâncias entre nossos dois mundos poderiam fazer com que não mais nos encontrássemos em 2006 – e parti com minha mochilinha para o ponto de ônibus mais próximo (na Barra isso já é o começo da aventura).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A uns dez metros do ponto, percebi que no chão encostado a um poste que tem agarrado em seu corpo uma dessas pequenas latas de lixo laranja, jazia abandonado um par de sapatos semi novos. Não era um par de sapatos qualquer. Eles pareciam ser de couro, com cadarços, mas não eram sapatos sociais regulares. Seus bicos eram ligeiramente mais finos que os normais e eles possuíam pequenos saltos. Minha bagagem cultural infelizmente me impossibilita precisar com exatidão para que gênero específico eles serviam, mas com certeza posso afirmar que eles não eram sapatos de andar, de simplesmente estar. Aqueles sapatos esquecidos na boca do lixo eram indubitavelmente sapatos feitos com a única finalidade de dançar. Lembro-me que ao olhar de relance o abandono deles fantasiei o tipo de pessoa que teria largado-os ali daquela maneira. Eles não estavam dentro do lixo, eles estavam cuidadosamente no chão. Mas indiscutivelmente a posição deles (embaixo de uma lixeira de poste entre o nada árido da Barra da Tijuca e um ponto de ônibus solitário) não trazia sombra de dúvida que aqueles sapatos haviam sido deixados lá por abandono. Eles não estavam guardados, tampouco pareciam ter sido simplesmente esquecidos como um guarda chuva ou uma sacola de compras. Eles haviam sido abandonados de propósito ainda que não estivessem sido despejados na lata de lixo. Os sapatos estavam expostos e isso me pareceu deveras peculiar. Tudo isso me passou rapidamente pela cabeça, mas logo a ansiedade do tempo correndo fez-me concentrar no desejo de que um ônibus que me servisse chegasse logo, e na busca de alguém com fósforos para acender meu cigarro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhum ônibus para o Centro passava, meu cigarro virava apenas uma guimba amarela, minha paciência se esgotava, quando avistei vindo na direção do ponto um mendigo maltrapilho. Cabelos e barba longos, sujos e grisalhos; vestindo uma calça inteira na perna direita e rasgada como um shorts na perna esquerda, uma longa camiseta que em algum dia distante já havia sido de cor clara e calçando um tênis também bastante velho mas menos carcomido que o resto da indumentária , o mendigo andava a passos de passeio na minha direção. Possuía um ligeiro ar louco mas não aparentava estar sob o efeito – ao menos exagerado – de nenhuma cachaça. Não saberia dizer da onde ele havia saído, apareceu no meu campo de visão assim como um barco surge de repente na linha do horizonte e suas proporções cresciam conforme se aproximava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim veio vindo atéé a altura do poste em que os sapatos abandonados descansavam. Ali, diante da visão e curiosidade suscitadas em mim momentos antes, ele parou. Mas enquanto aqueles sapatos apenas me aguçaram momentaneamente a imaginação, no mendigo tiveram efeito muitíssimo maior. Seus olhos não acreditaram no que viram. Ele parou diante dos sapatos e muito lentamente começou a se ajoelhar. Era um misto de reverência e cautela (como se os sapatos pudessem da inércia vir a dar-lhe um bote fatal). E com muito cuidado o maltrapilho pegou os sapatos e carinhosamente os analisou. A textura do couro, a flexibilidade da sola, a maciez do interior. A cada toque de seus dedos nos sapatos uma nova expressão de satisfação se fazia no rosto surrado. Ele acabou se deixando cair no chão, sentando-se com as pernas abertas. Rapidamente se livrou do par de tênis que calçava, e que nem estavam assim tão maus, e se pôs a experimentar os sapatos de dança. Os sapatos eram visivelmente menores que seus pés mas isso não bastou para que o pobre coitado desistisse. Pressionando o pé contra o bico e usando de força e da ajuda de todos os dedos da mão o mendigo conseguiu enfiar um e depois o outro pé em cada um dos sapatos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engraçado foi o efeito que a visão daquela criatura calçando outro par de sapatos teve sobre mim. Parecia realmente se tratar agora de uma outra pessoa, o corpo e os gestos do maltrapilho eram outros como se os sapatos exercessem algum poder mágico de modificação de personalidade a quem os vestisse. Com uma áurea de classe, e certa dificuldade no equilíbrio, o mendigo se levantou e de pé se pôs a analisar sua própria figura. Primeiramente ele começou a marchar, sem sair muito do lugar, parecendo querer fazer sua nova aquisição se assentar em seus pés. Mas ao pressionar com força um pé depois o outro contra o chão, seu corpo parecia leve. O movimento tinha em si uma certa graça que surpreendentemente me remeteu a Fred Astaire num começo de alguma espécie de numero musical dos esquecidos. Em seguida o mendigo arrancou parte da perna direita de sua calça, transformando a peça de roupa inteiramente em shorts. A cena ficava cada vez mais interessante. Os pés apertados dentro dos sapatos, as pernas de fora valorizando inteiramente os pés, a alegria brejeira do maltrapilho cinematográfico. Era tudo tão esquisito e ao mesmo tempo gracioso que parecia invenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mendigo voltou a se abaixar, pegando seu velho, ainda que mais confortável e adequado, par de tênis, e os colocou no mesmo lugar e da mesma maneira que antes se encontravam os sapatos de dança. Antes de partir reverenciou os velhos sapatos, como quem dá adeus desejando boa sorte e tomou o seu rumo, que não era mais o da minha direção. O mendigo pôs-se a voltar da onde estava vindo mas agora sob o som imaginário (que tocava na minha cabeça, e com certeza na dele também) de alguma orquestra em um movimento de cordas. Pela primeira vez vi a paisagem árida da Barra da Tijuca como cenário de musical cinemascope enquanto o maltrapilho sumia levemente no horizonte em plano geral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                          CONTO DE NATAL PARA DOIS PIVETES NO FLAMENGO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:Georgia;" &gt;Vinte cinco de dezembro, dia de natal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia passado a véspera de natal satisfeita de passar sozinha &lt;st1:personname productid="em casa. Minha" st="on"&gt;em casa. Minha&lt;/st1:personname&gt; mãe estava em Vitória e alguns amigos, por compaixão natalina chegaram a me convidar a cear com suas famílias. Recusei aos primeiros chamados sem culpa, mas um certo olhar de pena que sempre vinha da parte do anfitrião começou a me fazer mal o suficiente para eu cair na armadilha de sentir uma profunda dó da minha condição de solitária em data tão significativa, me fazendo quase aceitar a acolhida de qualquer casa que me servisse peru,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;quando um trampo comodamente apareceu e me deu a desculpa necessária – e muito oportuna, meu presente de natal- para declinar os convites. Assim pude passar esse dia, que nunca me disse muita coisa, no aconchego de meu apartamento revisando as páginas para um catálogo de mostra de cinema em troca de uns trocados muito bem vindos no final de um ano magro de grana. Já havia me comprometido a passar o dia de natal almoçando um bacalhau no apartamento de meu tio, &lt;st1:personname productid="em Ipanema. Esse" st="on"&gt;em Ipanema.  Esse&lt;/st1:personname&gt; programa era algo relativamente agradável já que meu tio também não tem muito apreço por essa data e estar em sua companhia sempre rende boas conversas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei por volta do meio dia, preparei um café, me arrumei, dei uma última lida no texto e fiquei esperando pegarem o material já que o trabalho havia sido encomendado em caráter de urgência. Trabalho cumprido, preparei minha bolsa e tomei o primeiro ônibus que passou para a ensolarada Ipanema. O veículo estava mais ou menos vazio, nos poucos acentos ocupados sentavam-se pessoas que pareciam ter destino similar ao meu, encontrar a família para o tradicional almoço de natal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ali pela Gloria o ônibus parou em um ponto e eu escutei a voz de dois moleques que perguntaram ao motorista de maneira até bem educada se podiam pegar uma carona. O motorista respondeu que como era natal eles podiam sim entrar no ônibus sem pagar, mas avisou-lhes que estaria de olho em seus comportamentos. Só havia família no ônibus e o motorista não queria confusão. Os moleques alegremente acataram a condição e entraram em alvoroço pela porta de trás. Dei uma espiada e prontamente entendi a razão do discurso do motorista. Os meninos eram nitidamente dois pivetes de rua. Eu sei que parece um tanto preconceituoso tecer essa análise em uma única observação, mas nada no ar dos garotos depunha ao contrário dessa precipitada constatação. Um deles usava um chinelo velho e uma bermuda nova um tanto colorida alguns números maior que seu manequim. O outro, pelo contrário, usava bermuda quase em farrapos mas em compensação trazia nos pés um tênis semi-novo. Um tênis desses que as pessoas, normalmente, adquirem por tanto quanto, ou até mesmo por mais, que um salário mínimo em lojas bem claras dentro de shoppings centers.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Em volta do pescoço de ambos cordões dourados adereçavam os peitos sem camisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senti em volta a preocupação de algumas das pessoas que ali estavam. Uma menina na minha frente tratou de se agarrar à bolsa. O casal do lado se abraçou de forma que o corpo inteiro do rapaz protegesse sua companhia. Eu voltei a minha concentração para o livro leve em que mistérios sherlokianos prendem somente a atenção torcendo para que os dois moleques tivessem ao menos palavra e se comportassem ao longo do trajeto. Os minutos se passaram junto às paradas de ônibus e o ambiente em pouco tempo voltou ao sossego. Os dois meninos alojaram-se&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;nos bancos de trás e &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;mantiveram-se em silêncio enquanto os passageiros aos poucos se esqueceram do perigo da ameaça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ônibus cruzou toda Marquês de Abrantes com tranqüilidade até o momento em que virou em direção à praia. O ônibus parou no primeiro ponto para pegar um passageiro, mas antes do motorista dar continuidade ao caminho, os dois moleques se levantaram e um deles pediu em caráter de urgência, mas de maneira jovial e malandra, para que o “tio piloto” deixasse-os saltar. O motorista atendeu ao pedido abrindo a porta e um segundo de suspiro de alívio se alastrou pelos ares. Os pivetes iriam sair sem causar dor de cabeça, sem lesar ninguém. Na consciência traída pelas expressões de alguns passageiros vi se implantar um tiquitinho de culpa, de repente eles eram mesmo só dois adolescentes sem grana querendo curtir um natal de sol na praia. É impressionante como vários sentimentos podem surgir em um lapso de segundo. Ainda mais quando no segundo seguinte todo esse sentimento cai por água abaixo. Pois foi que logo quando todos aproveitavam o final do suspiro de alívio, lá fora uma moça sentada no ponto de ônibus gritou: “minha bolsa!”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:Georgia;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:Georgia;" &gt;O grito da loura solitária se expandiu. De dentro do ônibus achamos que era possivel todo Flamengo ouvir o lamento de socorro da menina desbolsada, mas isso não era nada mais que a concretização silenciosa de todos os nossos medos, pois o que se seguiu ao lamúrio foi a visão dos dois moleques e uma bolsa voadora atravessando bravamente todas as pistas,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;se desviando de todos os carros, caminhões, motos e ônibus. Um jogava a bolsa para o outro numa coreografia que lembrava um jogo de basquete, sem os quiques de bola naturalmente. Os dois riam e caçoavam. A bolsa flutuava de uma mão a outra, às vezes cruzando um veiculo intrometido que se metia entre eles em alta velocidade. Os pivetes agora eram só crianças com seu presente de natal. Eles haviam acabado de provar que podiam ser bons meninos comportando-se exemplarmente no ônibus mas sabiam que mesmo assim não havia nenhum Papai Noel para recompensá-los por absolutamente nada digno que lhes dessem na telha fazer, então resolveram correr atrás de seu prêmio natalino, que, dizem as propagandas, todas as crianças tem direito, e rumaram em direção à praia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ônibus partiu deixando a mulher no ponto desamparada. Dentro dele os passageiros comentavam o absurdo que estava o Rio de Janeiro, o absurdo de não haver policiamento nas ruas em pleno dia de natal, o absurdo que era os marginais não respeitarem nem um dia sagrado como esse, o absurdo de não termos segurança para sair de casa, o absurdo desses moleques não estarem trancafiados em alguma instituição.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:Georgia;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:Georgia;" &gt;De repente, tudo era um absurdo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:Georgia;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:Georgia;" &gt;Mas o que realmente me tocou foi a desabsurdez da tristeza e da culpa que prontamente o motorista assumiu. Totalmente arrependido da boa ação que fizera ele se lamuriava muito conscientemente de ter sido tão otário e clamava aos céus por clareza e discernimento em seus próximos julgamentos com o outro. &lt;i style=""&gt;Não se pode confiar, não se pode acreditar, não se pode achar que um ou outro é igual a você porque você idiota achou um dia que em &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;todos os dias e não somente hoje deveríamos ser todos iguais. Quem disse?agora já sei, agora aprendi a lição... ninguém entra mais assim no meu carro... ahhhh, ninguém!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:Georgia;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:Georgia;" &gt;Não valia mais à pena ajudar o próximo, nem mesmo no dia de nascimento de Jesus. Senti uma profunda pena do piloto que não parou com seu choro aflito até me deixar no Jardim de Alah. Ao longo do trajeto restante, entre um e outro desabafo murmurioso do condutor, eu fechei meu livro, fechei meus olhos e simplesmente me vi numa obsessão de lembrança que me remetia aos olhos brilhando e ao sorriso na cara de cada um dos moleques, abraçados à bolsa, se desviando dos carros, sob céu extremamente azul do verão carioca, com o pão de açúcar em cartão postal prostrado ao fundo e eles, meninos, lá, correndo como meninos devem correr, resistindo, livres.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:Georgia;" &gt;Barbara kahane&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:Georgia;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:Georgia;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34439133-116969711823214190?l=pescotexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/116969711823214190/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34439133&amp;postID=116969711823214190&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/116969711823214190'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/116969711823214190'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/2007/01/os-acasos-e-ternura-parte-ii.html' title='OS ACASOS E A TERNURA PARTE II'/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133.post-116751364583311193</id><published>2006-12-30T17:46:00.000-03:00</published><updated>2007-01-25T17:50:53.813-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4876/3795/1600/438082/village%20green%201.jpg"&gt;&lt;img style="cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4876/3795/320/992387/village%20green%201.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span  lang="EN-US" style="color:black;"&gt;Eu esperava já ter desencalhado parte do trabalho quando a obra do corredor voltasse a me atasanar. Ela, que começa sempre a manhãzinha num sprint de reta final, me acordou num solavanco de pálpebras abertas para o teto recém-pintado de branco meio bege, insolente e abusada &lt;st1:city st="on"&gt;&lt;st1:place st="on"&gt;como&lt;/st1:place&gt;&lt;/st1:city&gt; um copo quebrado na testa provocativa de um interlocutor mamado, que implode então, numa quebradeira imprópria, a aliviadora primeira rodada da patota pacífica no serão do buteco. Sou flamengo, na esquina tem outros mil, e segundo o matemático Oswald de Souza, ninguém no mundo gosta de acordar na tensão de ter de passar o bastão numa final de olimpíada. Forçando a barra para um sentido aleatório, o estádio lotado aplaudindo o lanterninha manco ofegando seria como o delírio otimista e lacrimoso das festividades condenando violentamente o degenerado mal humor irônico dos alheios à festa de fim de ano. Despertei de três mal dormidas horas de sonhos imprestáveis, tendo o primeiro bocejo do dia interrompido ao arranhar a ilharga seca do indicador na remela petrificada no canto direito do olho esquerdo. Pûs puto os pés no chão de taco frio e entrevi o tempo antipático atrás da persiana de pontas tortas, fui até a cozinha e distraído enchi de prazer o hábito de encher a xícara preferida de café negro esfumaçante. Aguardo agora a mediocridade costumeira das associações subjetivas dar seu estalo de artifício, ao olhar a pequena antena preta do wireless, o winamp e o bico amarelo do hollywood pendente do maço pela metade. É quinta. Aguardo talvez que a parafernália que me cerca coberta de fina poeira do ar da obra sopre uma cola, que venham dela sementes de sumaúmas gigantescas colonizar a terra remoída do dia nublado que não parece  iniciar-se sintonizado nas máximas otimistas em voga às vésperas da virada, mas sim atrelado à lenga-lenga irritante das desatenções, sussurando-me gráficos em braile que quero dos objetos tolos: alguns rascunhos legíveis e inspirados, ou uma leveza providencial. Mal humor e preguiça matinais: adoraria poder dizer que os franceses, os ingleses ou os pré-colombianos tem uma palavra perfeita para descrever tal estado: “….” Bode. Besteiras mil, nem sempre é assim. O choque da partícula  Jacques Aumont com a partícula Roland Barthes num acelerador de sacadas traz brilhantes strikes do Virilio sobre o porque do sitar sem nexo. A obra não me deixa pensar. É quase sempre assim. Ontem à noite o trabalho estava atolado, melhor dizendo, acorrentado às musas exterminadoras do céu de praxe, quando puxei um livro da estante para provocá-las. Uma espécie de "aperta que ela peida" invertido, uma estratégia prenha de jogadinhas de namorico insano. Eu e meu livro numa mão, enquanto a outra levanta a barra da saia do travesseiro para encostá-lo ao outro canto da cama, e debaixo dele vem voando uma barata cascuda. É verão, eu já a esperava, a safada musa aparecer.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;Aparício  Modesto&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34439133-116751364583311193?l=pescotexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/116751364583311193/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34439133&amp;postID=116751364583311193&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/116751364583311193'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/116751364583311193'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/2006/12/eu-esperava-j-ter-desencalhado-parte.html' title=''/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133.post-116442385113472146</id><published>2006-11-24T23:45:00.002-03:00</published><updated>2010-05-06T23:36:19.635-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4876/3795/1600/285885/jo%3F%3Fo.jpg"&gt;&lt;img style="cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4876/3795/320/480473/jo%3F%3Fo.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4876/3795/1600/26242/grada%3F%3F%3F%3Fo.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4876/3795/320/732592/grada%3F%3F%3F%3Fo.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt;Pescozada era el golpe que se daba com la mano em el pescuezo o em la cabeza e indicaba que los caballeros noveles debían estar despiertos y no dormirse em lãs cosas de la caballeria, según el &lt;b&gt;Tratado de la nobleza&lt;/b&gt;, de P. Guardiola.&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;(Dom Quixote, pág. 56)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="margin-left: 141.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=""&gt;      &lt;/span&gt;O quiça colunista em:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="margin-left: 141.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="margin-left: 141.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Convivências Fantásticas &lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="margin-left: 212.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;1.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-align: justify;"&gt;- Filho, poucos homens são fortes o suficiente para poder contar esta história. Não é uma história qualquer....Não é uma história de mulher....nem de prazer...não é uma história de heróis...nem ninguém nela tem brinquedo (menino bola atento). É a história da dor, do horror, do que e do por que passar passa um goiano &lt;st1:personname productid="em Machu Pichu. Mas" st="on"&gt;em Machu Pichu. Mas&lt;/st1:personname&gt; sem delongas vamos...é...sendo...bem..muito bem, filho...hãmmm....putz...esqueci&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-align: justify;"&gt;-&lt;b style=""&gt;Corta! Corta! Porra, caralho!&lt;/b&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-align: justify;"&gt;- Que foi?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-align: justify;"&gt;- Como o que foi? Tua fala não é essa, tá maluco?....E Júnior, lembre-se, ele é seu pai, um modelo, você está curioso, você vai sonhar à noite com as histórias que ele conta&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-align: justify;"&gt;-Tem coca-cola?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-align: justify;"&gt;-....&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-align: justify;"&gt;Enquanto isso, Alice, filha magricela da produça Sara (qualquer coisa é só procurá-la, eu não tenho nada a ver com isso), esperava quieta a mãe voltar do set, na arquibancada da Lona Cultural. Esperava, esperava e nada, até vir esta outra versão dos fatos a calhar: Alice sentiu a ferroada da Vespa Aleph-elétrica (ou ouviu bolada a charada em bolhas do ciclope imerso em lodo – aquela para quem estiver no milharal carioca festivo e vamo nessa que é verão, e este para quem for ao pântano interiorano querendo catar casas cantantes fluminenses). Veneno em gel no alvo de cachos queimando presilhas bípedes, atores- ganchos e chifres de Darwins ácidos já nas veias verdes visíveis das dobras dos braços brancos a inflar. Nos seus bronquinhos de pré-fumante já desvirginados pela bombinha d´asma azul turquesa, a fumaça, Aleph cinza, se espalha. Todos em marcha com passos e pulos de lava pelo trecho juvenil de sua saga cerebral rumo aos 10% pensantes. Com buzinas e lanças–perfumes esquentavam e remexiam suas chacoalhantes perucas na concentração dos intertícios subcutâneos, um baita cenário. De lá partiam pro tobogã a vácuo ascendente que não pára, para pipocarem suor e chuva de agulhas no campo alvo liso e curvo de pele eriçada e nuca fria, suada, até incharem-lhe numa explosão de piados asmáticos o par de órbitas, que dali em diante atestariam o peso da dona saber-se no ir e vir trôpego da espetacular tosse do mundo ....na disritmia do hábito infestado de compressas pestilentas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-align: justify;"&gt;Dessa sensasionaria parafernálhica Alice já partia, branda, ao armazenar o líquido venenoso sugado do braço na sua boquinha inflada, prestes a saxofonar uma orquestra de alívio. O efeito do veneno nos canais das paredes internas das buchechas era outro: a lucidez intuitiva, com risadinhas entendidas que ela dava a seus comparsas  mundo e  sol: ela sabia que era da colméia da vespa que vinha a gagueira que interrompia a fala daquele tal....tal.. &lt;i&gt;amigo da mãe dela!!.......&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;- &lt;/i&gt;Eu sei, eu sei, eu sei que o ator é um amigo da Sara! Porra, tô virado com fome e tenho que acordar cedo amanhã, não ficar escrevendo esta bosta pra um jornal de merda (meada, meda, medira, medirá ou medra segundo a correção do Word) que ninguém verá!......bem, calados...&lt;b style=""&gt;acordem!!!&lt;/b&gt;...Alice tinha como soro-pinga saber que pacientes leitores dados à sonharem-se escritores, ao imaginarem-se em tal condição, aceitariam condescendentes, talvez até murmurando a sós como Schumann, a existência incontornável do nada brando vírus &lt;i&gt;cansatti inspiratione&lt;/i&gt; (Ah! Santo Parêntese, consegui juntar-me ao caso novamente...agora peço, bem alimentado pré-ouvinte imaginário - algum pizzaiolo aí?: Faça isto em meu lugar, eu peço...eu pago...não...não pago não....&lt;i&gt;se bem que se saro desse sono&lt;/i&gt; &lt;i&gt;dispensaria talvez custosos vícios &lt;/i&gt;(embrião de sensação-proposta que chegar-lhe-á ao cérebro feito nuvens de quadrinho em &lt;b style=""&gt;&lt;i&gt;15 segundos&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; (o tempo pra sua coçadinha habitual nas partes, cantarolar Bezerra ou abrir entediado uma janela nova pra sacanagem no mozila, noble lecteur .....&lt;i&gt;aliás&lt;/i&gt;..&lt;b&gt;voltando do sono&lt;/b&gt;, que peguei um caféquistão....façamos uma troca de segundo nível: Te dou &lt;b style=""&gt;&lt;i&gt;10 segundos&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; aula de italiano e em troca você rabisca algo aqui....isso aqui é uma bobagem, você escreve em dois temopos (a palavra &lt;i style=""&gt;tempo&lt;/i&gt;, como era conhecida aqui até o século XXX, foi acrescentada de um “o” de cilindro deitado devido ao poder do Império Ufanesco durante toda a viradinha do século XXIV para o XXV, em toda a área circundante do Túnel Rebouças, no qual estaríamos se não fóssemos todos aqui dentro piratas devidamente ativos ao invadir vossos ouvidos). É que eu tenho que trabalhar &lt;b style=""&gt;&lt;i&gt;5 segundos&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; amanhã, minha tia tá doente, não remendei as partes, não sabia que fio cortar, furou &lt;b style=""&gt;&lt;i&gt;2 segundos&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; o grão pneu que gira a frota de ônibus da cidade marajoara, então só cheguei a perceber isso aqui agora, tarde...que tenho que acordar cedo...é triste...minha família nunca teve gene pra isso...). É só terem cafeteira ao alcance e partirem daqui: ... aquela cena pífia era palco da sua entrada e saída, calada, cantora, parada e triste bela no bar rindo, nos “grãos &lt;b style=""&gt;&lt;i&gt;1 segundo &lt;/i&gt;&lt;/b&gt;de melancolia” – não me peçam nada melhor a estas horas, cacete). Dorme &lt;b style=""&gt;&lt;i&gt;0 segundos&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;, filho, dorme, que a história acaba aqui, e nem encaixar-te nela consegui.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-align: justify;"&gt;- Corta! Perfeito. Tua fala é essa. Agora podemos gravar!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="margin-left: 18pt; text-align: justify; text-indent: -18pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É essa idéia repentina de que cruzo com o entusiasmo, que descendo apressado alerta:&lt;br /&gt;- "É a véspera roda gigante. É a véspera roda gigante..."&lt;br /&gt;- Não, é que se bebo envolve o Viva vários pontos. É a falta de din-din pra escala lá, um problema de turbina, se fosse um.&lt;br /&gt;- Diga adeus à janela da asa, lesque! (ouço o portão bater)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é esse turbo todo, nem meio que nada some se a sentinela dorme. Eu subo as&lt;br /&gt;escadas.&lt;br /&gt;O verdadeiro subtexto fica embaixo da imprescindível contagem dos degraus:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não se esqueça que todos os aparelhos têm de estar impreterivelmente ligados à terra &lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="margin-left: 18pt; text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="margin-left: 18pt; text-indent: -18pt;"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Simon Wajnstraub&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Diga-me então como falar na palestra&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Quero um punhado de argumentos precisos&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Caso de cativar a audiência científica&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Mari &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;pousa &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O sonolento olhar risonho em Francisco diz&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Nada daquilo do que ela espera ouvir&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Outros sussurros de um Buarque na cama&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Onde andará Ni ni ní nina&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Na fileira eu vi&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Quem mira o mapa-múndi do auditório&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Prepara a pós, aposta tudo lá fora&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Imposte a voz e diga salto indutivo eu vou&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ligar a mariposa ao globo terrestre&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Quero um punhado de argumentos pré para voz&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Quero um punhado de argumentos&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;pré para a voz&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Simon&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Simon&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Augusto Malbouisson&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34439133-116442385113472146?l=pescotexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/116442385113472146/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34439133&amp;postID=116442385113472146&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/116442385113472146'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/116442385113472146'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/2006/11/pescozada-era-el-golpe-que-se-daba-com.html' title=''/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133.post-116415006131748164</id><published>2006-11-21T20:00:00.000-03:00</published><updated>2006-11-21T20:01:01.333-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Rio, 15 de novembro de 2006&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;A.,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;infelizmente não vai ser possível postar um texto hoje pois aconteceu um incidente um tanto bizarro que me impediu de, nos últimos dias, me concentrar em qualquer tipo de tentativa de fazer uma escrita perspicaz ou, no mínimo, aceitável para o nosso pescotexto.&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;João desapareceu. Na verdade não sei se João desapareceu ou simplesmente se fugiu. A segunda hipótese é deveras improvável e também a que mais me dói, mas minha intuição insiste em sinalizar que sim, João fugiu de mim. Imagino agora você lendo essas linhas e se perguntando &lt;i style=""&gt;quem raio é João?&lt;/i&gt;,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;portanto tratarei de contar a história a partir do começo. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Quando há exatos dois meses decidimos, &lt;i style=""&gt;namesadotiosamentreoprimeiroesegundo-&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style=""&gt;chope, &lt;/i&gt;que finalmente colocaríamos nossos lindos rostinhos a tapa e, naquela mesma madrugada, você correu para sua casa, criou o pescotexto e imediatamente postou seu acidente, eu pretendia escavar alguma coisa dos meus arquivos reais e virtuais e colaborar com o blog o mais rápido possível. Mas não foi possível. Uma das coisas abordadas por mim no meu primeiro texto postado foi a minha total insatisfação e mesmo a minha vergonha ao reler tudo aquilo um dia redigido por mim e guardado em pastas, cadernos velhos e memórias de hd. Escrevi, então, um texto novo me desculpando por não ter nada velho que valesse a pena e inaugurei assim a minha participação na nossa página. Bem, A., a verdade é que, nesse ponto, eu estava mentindo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Na minha procura por alguma história, relato, situação ou sensação que eu tivesse algum dia elaborado em palavras escritas, eu achei João. Entre um papel e outro amarelado estava ele lá. Eu não me lembrava de João e mal conseguia identificar a época em que eu o havia criado. Mas relendo as linhas que o compunham eu não só&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;conheci João de novo como&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;me reconheci na figura dele.&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;João se apresentava como um personagem interessante, mas na época decidi não usá-lo porque sua composição era um tanto dramática para ser o meu texto número um de nossa nova empreitada. Resolvi guardá-lo de volta à pasta e fazer uso de sua história numa outra ocasião, quando nossa rotina de escrita estivesse minimamente consolidada. As palavras e frases usadas por mim para falar de João precisavam também de uma severa revisão e a narrativa estava incompleta. Eu sabia que mais cedo ou mais tarde eu teria que mostrar João, fazê-lo público, mas aquele momento não parecia ser o mais propício para isso. João voltou à pilha de papéis velhos com a minha promessa de que logo ele sairia dali para a tela do computador e daí para o mundo, mas alguma coisa aconteceu. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Para falar a verdade desde esse dia eu não pensei em João, os textos que seguiram o primeiro me pareceram mais urgentes e por isso criei teresa e sua obsessão por carrinhos de brinquedo e elucubrei sobre as ternuras que momentos casuais me inspiram. Mas conforme o prazo para nossa próxima publicação ia acabando João começou a me vir sistematicamente à cabeça e me fez concluir que agora seria o momento certo de libertá-lo. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Dias atrás num momento de disposição de tempo e de vontade criativa vasculhei minha pastinha de papel caindo aos pedaços à procura de João. Sentia que aquele era um bom dia para corrigir os erros que rondavam o personagem e concluir a sua história. Sentia que sabia exatamente o que deveria ser feito de João e quase conseguia perceber a razão de um dia eu tê-lo feito existir.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Queria mostrar João ao mundo e queria ver meu nome lá, depois do ponto final da última palavra demonstrando que eu, b.k., havia feito João. Que ele era um pouco de mim. Mas João sumiu. Na pasta encontrei apenas as palavras que me constrangeram há dois meses e que continuam me constrangendo mas João, a única coisa que me parecia relativamente boa, não estava mais lá. João havia desaparecido.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Desde então tenho pensado muito &lt;st1:personname productid="em Jo￣o. Tentei" st="on"&gt;em  João. Tentei&lt;/st1:PersonName&gt; partir do zero e recriá-lo, mas o resultado não me pareceu certo. O resultado não me pareceu João. Pode até ser que no futuro eu poste um texto falando de um tal Alberto, mas Alberto não tem nada a ver com João. Alberto é uma tentativa torta de ser João por isso não me sinto confortável em publicar agora o relato desse farsante. Eu queria falar de João mas João sumiu de mim.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Já aconteceu algo parecido com você, A.? Você já teve algum personagem que simplesmente desaparecesse? Para onde será que vão os personagens que desaparecem, A.? A mesma intuição que me diz que João fugiu me diz também que ele não morreu. Eu sei que João está vivo mas onde será que o danado se meteu? &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Pensando nessa situação me vem uma inevitável tendência à auto comiseração. Penso em coisas do tipo: &lt;i style=""&gt;até &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;os personagens criados por mim me abandonam &lt;/i&gt;ou &lt;i style=""&gt;eu devo mesmo ser uma mala sem alça para fazer debandar até uma coisa que nasceu dentro da minha cabeça &lt;/i&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;ou mesmo &lt;i style=""&gt;eu já sabia que não sabia me relacionar bem com pessoas de carne e osso mas ser deixada por alguém feito de imaginação é a prova cabal de minha total falta de tino com o outro e comigo mesma. &lt;/i&gt;Ai, ai, ai, estimado A., veja em que situação eu me encontro ao esboçar essas tortas linhas para te justificar a minha ausência do pescotexto pelos próximos dias!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Mas não se preocupe. Acho que sofrerei ainda mais uns dias a falta de João com a esperança de que ele volte, que reapareça em um outro caderno velho ou numa folha de papel esquecida dentro de alguma revista antiga que por nenhuma razão eu insisto &lt;st1:personname productid="em guardar. Se" st="on"&gt;em guardar. Se&lt;/st1:PersonName&gt; isso vier acontecer eu te prometo que serás o primeiro a conhecê-lo. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Já digo de antemão que João não é dos seres mais agradáveis, mas como eu queria que ele voltasse. Como eu queria que você o conhecesse!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Acho que isso é tudo que eu queria dizer. Espero que entenda o motivo do meu silêncio nos próximos dias e juro que assim que essa angústia e ansiedade forem dissipadas com o passar incessante desses dias morosos, volto à ativa no pescotexto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Um abraço sincero da amiga,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;                                   &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;                                       &lt;/span&gt;B.K&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34439133-116415006131748164?l=pescotexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/116415006131748164/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34439133&amp;postID=116415006131748164&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/116415006131748164'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/116415006131748164'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/2006/11/rio-15-de-novembro-de-2006.html' title=''/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133.post-116234442398461342</id><published>2006-10-31T22:23:00.000-03:00</published><updated>2006-10-31T22:27:04.010-03:00</updated><title type='text'>OS ACASOS E A TERNURA</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Quando vi que D. era um homem diferente depois de ter lido Crime e Castigo e Os Irmãos Karamazov, não sei muito bem porque, meu coração se encheu de ternura. Estávamos na casa de veraneio de M., e D. trazia tatuado em seu pulso o nome Aliocha. Naquela época ele lia Humilhados e Ofendidos e resolveu externar sua profunda admiração pelos personagens escrevendo na pele com canetinha preta um nome usado por Dostoievski em alguns de seus romances. Nunca havia visto em D. uma atitude em que a emoção subjugasse a razão de maneira tão direta e aquilo, mesmo sendo uma brincadeira, me comoveu imensamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Nesse mesmo dia e lugar, conversando a respeito das correções em anzol e isca pra ver se texto com A. e F, e sem conseguir tirar os olhos do Aliocha do pulso de D, me veio essa idéia de listar fatos únicos ou rotineiros que acontecem quando eu menos espero e que me aterram numa avalanche de ternura. Para esse texto, em particular, listei três historias de situações escolhidas a partir de alguns tipos de casualidade que presencio com certa freqüência. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; color: black;"&gt;VELHOS SENDO VELHOS &lt;st1:personname productid="EM AMBIENTES NOVOS" st="on"&gt;EM AMBIENTES NOVOS&lt;/st1:PersonName&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt; - não existe lugar mais comum do que se emocionar com pessoas idosas. Essa condescendência que as pessoas velhas inspiram é algo que a priori me irrita. Não acho que alguém mais velho seja necessariamente mais sábio; salvo exceções. Muitas vezes encontramos anciães que nem mais experientes são e sua longevidade não denota mais do que uma excessiva cautela em relação aos percalços da vida. Mas mesmo assim, ver um tipo desses tradicionalmente velhinhos - e que os novos tempos estão extinguindo pelo policiamento cada vez mais agressivo por uma busca de jovialidade eterna – tentando se adaptar a uma situação deveras nova, me encanta. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;No dia dos pais de uns três anos atrás, F. me convidou para almoçar com sua família num quilo do Catete. Aceitei de bom grado, com pais morando fora esses dias são sempre solitários. Chegando ao restaurante, servimo-nos e sentei de frente a F. que não tardou a entrar em um papo de cunho familiar que não me dizia muito respeito. Comecei, aos poucos, a deixar de prestar atenção no que F conversava com sua mãe, pai e irmã e passei a me concentrar na observação dos tipos que lotavam o restaurante. Na sua quase totalidade eram famílias com pai, mãe e filhos. Com exceção de um casal sentado no fundo do salão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Era difícil dizer qual dos dois era o mais velho. Eles comiam em silêncio numa velocidade quase em câmera lenta. As mãos trêmulas que levavam os talheres do prato à boca pareciam carregar porções de comida de um peso imensurável. Estavam bem vestidos, provavelmente com suas roupas de domingo. A senhora até batom usava. Lá pelas tantas eles acabaram seus pratos principais e se levantaram em intenção de chegar à mesa de doces. Ele se levantou primeiro com ajuda de uma bengala, deu a volta na mesa, estendeu o braço livre e com muito esforço conseguiu fazer com que a pequenina e muito magra senhora se levantasse. E assim, a passos lentos e postura trôpega, os dois iniciaram a travessia do salão. A senhora apoiava-se no marido que, por sua vez, era apoiado pela bengala. Se aquele pedaço de madeira desaparecesse os dois poderiam fatalmente cair feio, quem sabe até mesmo morrer (meu velho avô morrera depois de uma queda boba em nossa casa naquele mesmo ano, por isso essa possibilidade da bengala desaparecer realmente passou pela minha cabeça e por um lapso de segundo me assombrou). Acho que nunca torci, ao vivo, tanto por alguém. Os passos curtos e lentos faziam a travessia do salão um ato de suspense insuportável. Os garçons com suas bandejas cheias de pratos e copos vazios tiravam finos inacreditáveis dos velhos e eles, persistentes, continuavam. Fiquei a espera da tragédia eminente e senti um profundo alívio e grande satisfação quando finalmente eles conseguiram chegar ao buffet com sucesso.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Mas o drama não estava nem na metade. De imediato percebi que a única mão livre do casal não agüentaria pegar um daqueles pesados pratos de louça branca. Com um tremendo esforço a senhora até tentou sustentar por alguns segundos o prato na sua mão e quando eu estava prestes a me prontificar a ajudá-los, antes que o prato se espatifasse no chão, um atendente do restaurante finalmente percebeu a dificuldade dos velhos e serviu-os com o doce escolhido. Eles apontaram para o rapazote a mesa em que estavam sentados e suas sobremesas chegaram três minutos e meio antes deles completarem a travessia de volta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Enquanto o casal, finalmente, saboreava seus doces sem pressa, resolvi “voltar” para mesa em que estava F. e família. O assunto era a péssima programação da televisão aberta aos domingos e agora eu tinha a chance de ser simpática e agradecida pela companhia me interagindo na conversa. Durante um tempo me distraí de maneira agradável com os parentes de F. e só acabei percebendo que o velho casal se dirigia ao caixa com suas comandas quando eles já estavam a pouco menos de dois metros de distância. Isso foi bom, pois me poupei de sofrer menos cinco minutos da minha vida, mas a partir do momento que percebi a presença deles novamente não consegui desviar meus olhos da situação e abandonei mais uma vez a concentração da mesa em que estava sentada. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Eles pareciam beirar os noventa anos cada um e estavam ali em pé, esperando que a moça fizesse a conta de suas despesas. A senhora se apoiou no balcão para que seu esposo pudesse usar a mão que não segurava a bengala e pegar o dinheiro do bolso. Ele pagou, pegou um troco, e desistiu de conferi-lo na metade do processo. A impressão que me deu foi que sua vista não conseguiu distinguir a diferença de valores entre as notas e ele preferiu acreditar na honestidade da recepcionista guardando seu resto de dinheiro sem pedir ajuda de ninguém. Aquele casal ali, quase acabando em suas roupas de domingo, debaixo das luzes fosforescentes de um salão que vende comida pelo peso me emocionou profundamente. Simplesmente porque estavam ali, no mesmo lugar que eu, num esforço imenso de sobrevivência e adaptação, enquanto eu apenas comia com uma outra família que não a minha para não morrer de tédio. E assim os dois saíram me deixando a rezar para que chegassem sãos e salvos em casa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Antes de “voltar novamente” à mesa da qual fisicamente nunca levantei, uma pergunta crucial me rasgou inteira por dentro; existiriam filhos ou netos?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; color: black;"&gt;CACHORRO QUE VAI COM TUA CARA - &lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;confesso que simpatizar com animais e principalmente com cães é de uma falta de criatividade cavalar, mesmo porque não sou a maior amiga dos bichos. Mas já passei por duas situações comoventes com vira latas de rua que me fizeram acreditar na existência de uma cumplicidade natural entre cachorros e humanos, fazendo valer a máxima que diz que os cães são os melhores amigos do homem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Numa bela e estrelada madrugada saí eu de uma festa na Casa Rosa e aos tropeços comecei a descer a ladeira da Rua Alice. Eu não era a pessoa mais sóbria do mundo e o pouco de concentração que me restava era para fazer com que minhas pernas me conduzissem a Rua das Laranjeiras sem maiores complicações.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Chegando a altura do Serafim percebi que um cachorro sem dono nem raça descansava debaixo da marquise. Sem nenhuma razão lógica, a não ser o álcool no sangue agindo de uma forma espantosamente sentimental (é, às vezes acontece), me abaixei e comecei a fazer festa no vira latas, que aceitou a manifestação de carinho gratuito de muito bom grado. Mas meu rompante carinhoso não durou mais que minuto e meio e rapidamente tratei de recolocar em minha cabeça confusa a meta de chegar &lt;st1:personname productid="em casa. J￡" st="on"&gt;em casa. Já&lt;/st1:PersonName&gt; havia combinado mais cedo que iria naquela noite pousar no apartamento amigo da Soares Cabral, portanto precisava apenas andar umas poucas quadras para achar o conforto que um espírito momentaneamente ébrio necessita para se recuperar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; color: black;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Atravessar a Rua das Laranjeiras é algo que normalmente exige atenção especial. De madrugada e com a pedestre de porrinho, então, essa atenção tem que ser multiplicada. E foi assim, com toda a atenção que eu consegui juntar, que respirei fundo e num momento em que o sinal estava fechado e não havia sinal de nenhum carro na rua, resolvi atravessar correndo. A travessia ocorreu com êxito, mas minha concentração direcionada ao fato apenas de não me deixar ser atropelada me cegou ao meio fio que separa o asfalto da calçada e, bum, o passo virou tropeço e eu acabei no chão. Mas antes mesmo de eu pensar em me levantar, quando ainda tentava entender o que havia acontecido, percebi à altura dos meus olhos o cachorro da marquise do Serafim. Ele atravessou a rua em direção ao meu encontro, me cercou de maneira ofegante até eu conseguir me levantar e me conduziu ao prédio da Soares Cabral. Chegando à portaria do prédio ele parou ao pé das escadas e ficou me observando. Naquela altura me pareceu normal, e educado da minha parte, convidá-lo a subir. Abri o portão e acenei para que ele me acompanhasse, mas ele se sentou na calçada e ficou lá, me fitando. Insisti para que ele entrasse até entender que seus olhos apenas diziam adeus (coisas que só quem bebeu percebe). Desisti e fechei o portão. Dirigi-me ao elevador, mas antes de entrar não resisti dar uma olhada para trás. O vira latas não estava mais lá.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;A outra historia é bem parecida mas ao invés de estar saindo de uma festa eu chegava a um bar.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O bar do seu Zé no Catete é, talvez, o botequim mais aprazível do Rio de Janeiro. E era para lá que eu me dirigia quando vivenciei a minha segunda experiência comovente com vira latas de rua. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Eu nunca soube o nome da rua do bar do seu Zé, mas para se entrar nela é preciso caminhar pela Rua do Catete ali pela altura da delegacia legal que, apesar disso, é a parte mais escura, sombria e, talvez, perigosa, do bairro. O ônibus, que me levara até lá, já havia me feito o favor de parar não só fora do ponto mas a poucos metros de um grupo um tanto suspeito no meio da calçada. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Para entrar na rua eu tinha que passar por esse grupo e à nossa volta não existia mais nada. A rua estava escura e ninguém mais se aventurava caminhar por ali. Era eu e eles, e eles já haviam percebido o meu dilema. Tenho mesmo a impressão de ter ouvido um começo de caçoagem direcionado a mim. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Foi nesse exato momento que um enorme cachorro negro de tom raivoso apareceu do nada e correu em direção ao grupo sinistro, espantando-os de lá. Meu medo, na realidade aumentou. Era só o que faltava, depois de estar a vias de ser assaltada na rua, levar coça de cão raivoso. Quem sabe mesmo ser mordida, quem sabe mesmo estilhaçada como nos casos dos ataques de pit bulls que lemos no jornal. Aquele cachorro não parecia ser de uma raça dessas notoriamente perigosas mas era, sem dúvida, um vira latas ameaçador. Tremi nas bases me prometendo nunca mais inventar de ir sozinha ao seu Zé à noite, quando o medonho cão correu em minha direção, parou na minha frente, e, inesperadamente, começou a abanar o rabo com aquele olhar abobado tão característico dos vira latas felizes. E, para se certificar que ninguém mais iria mexer comigo, me escoltou até a porta do bar. Como acontecera com cachorro de Laranjeiras, a fera do Catete assim que percebeu que eu chegara ao fim de meu destino segura, deu meia volta e foi embora.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;É difícil não se emocionar com esse tipo de coisa justamente por ser a demonstração de um ato que entendemos como carinho, simpatia e respeito, vindo de um animal que não pensa e que não fala. Os entusiastas de cachorros que vierem a ler esse texto talvez acharão que uso aqui de um tom preconceituoso, mas como nunca tive nenhuma ligação mais estreita com qualquer tipo de animal, minha linha de raciocínio segue o que aprendi na escola, só o ser humano é bicho racional.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Considerei finalizar essas linhas com uma história sobre crianças, mas acho que juntar velho, animal e criança num só texto poderá ser demais ate mesmo para mim. Quero voltar, num futuro próximo, a esse tema dos acasos proporcionando ternura, mas prometo que as histórias que seguirão esses relatos irão partir de princípios mais maduros e menos óbvios.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Antes de dar o ponto final, gostaria de voltar a meu amigo D. e a Aliocha. Dias desses conheci no Princesa da Lapa um velho caquético que tinha como companheiro fiel um cachorro tão velho quanto ele. O velho ficava na mesa, sorvendo lentamente uma bebida quente, enquanto o cachorro permanecia deitado, como que esquentando o pé do dono. Lá pelas tantas a mesa vizinha ofereceu ao cão um resto de carne aperitivo da mesa e o cachorro, em alvoroço, aceitou não só o presente como os afagos das meninas que haviam lhe presenteado. O velho, vendo que o cachorro começava a se afeiçoar a outros não tardou a ralhar: Bruno! Volte menino! – ao que o cachorro imediatamente obedeceu. Me lembrei imediatamente do primeiro capítulo do romance que meu amigo se deliciava. Humilhados e Ofendidos começa com um velho e seu cão numa postura por demais parecida àquela que eu presenciava com Bruno e seu dono. No livro os dois eram muito velhos e morriam praticamente juntos, como se um estivesse apenas esperando o outro desistir. Vendo agora os personagens do bar da Lapa, eu tinha a impressão que o mesmo aconteceria com eles e não tive como não me lembrar carinhosamente do livro, de D./ Aliocha, dos velhos, dos cachorros, e de como ler Dostoievski emociona e faz manter os olhos abertos para a possibilidade de tantos outros acasos que ainda estão por vir.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   Barbara Kahane&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34439133-116234442398461342?l=pescotexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/116234442398461342/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34439133&amp;postID=116234442398461342&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/116234442398461342'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/116234442398461342'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/2006/10/os-acasos-e-ternura.html' title='OS ACASOS E A TERNURA'/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133.post-116234225339762849</id><published>2006-10-31T21:49:00.000-03:00</published><updated>2006-12-04T16:40:30.743-03:00</updated><title type='text'>Embaraços</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;Ela está na rua desde nove, e eu na cama desde terça. Mas como não desejo repercutir como lamento em têmporas dominicais ou como cinza-pólvora de um fim fajuto, e mesmo porque acabo de começar ouvindo violas matinais do sertão que acalmam qualquer pífio reclame, contarei prontamente, daqui do pronto-socorro em ritmo de festa pré-papinha que comerei, pitorescas anedotas, ansiolíticas como corpos nus de Gauguin no Taiti, imaginando as peripécias do desterro deste ex-especulador da bolsa de valores, deste Paul que se picou primeiro pro Panamá encucado de bons selvagens, e depois, já berrante como o povaréu do baile de sábado no sol de carnaval, pobre e só, para ainda mais longe. Começarei, mesmo tendo levado um fora da Pandora que amava era Gomorra em plena ladeira do Oriente, e apesar deste colchão duro e desta cabeça que não repousa em travesseiros de pena de ganso, mas sim à sombra de pós-pássaros em fronha, jazigo aéreo: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;Primeiro embaraço&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;Balofas dizia:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;- Estou extremamente lúcido da enroscada em que me meti nascendo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;Bulhufas respondia:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;- Sim, mas avança logo, que atrás buzinam!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;Bulhufas continua perdiz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;- Tente algo novo então, à esquerda agora, como acender a cigarrilha com o antebraço Mahler dos outros, vai reto... Ou melhor, leve 85g de miojo magi e pague apenas 76,5g, pode parar aqui.. Ou em vez de despelar tomates gnt aos sábados, é no quinto andar, adoro elevadores madeira!, compre molho de atum para macarrão sabor estrogonofe, e chame os amigos para um jantar divertido, nutritivo e bem real. Din-don!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;Balofas impaciente treplica treblinca na festa (quesito humanidade: SEIS, quesito humor: MEIO) :&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;... - :)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;... &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;¨&gt; humm, pastinhas!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;...-_- tumks tumks tumks&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;... ó lá! Olha issooo...Oi!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;... :0)(0:.)(.O..*..)(..... Xispa daqui, carinha!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;Segundo embaraço&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;E às 6h30min da manhã, Joca, vindo de uma madrugada maratona de trabalho café KABUMM, radiante e estroboscópico pelo rendimento, vê seu tio no corredor &lt;/span&gt;&lt;span style="color:black;"&gt; azul &lt;/span&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;bem&lt;/span&gt;&lt;span style="color:black;"&gt; vindo de prenha aurora, que levantara não para o dia, mas para uma breve visita ao banheiro, e lhe diz: “Boa noite, tio!” O tio, em plena balançadinha de porta aberta, replica um "opa" distante, concentrado que estava em voltar ao sonho picante do qual fora expelido a pouco, esperando poder juntar-se a seu curso flux flux de novo mais mais, embolar-se malandro nelas todas até o inevitável raiou mais um dia de trabalho, reclames, pivetes, beijos e vinhos, cobertores e sonho. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;2.1. O hotel dos sonhos: ligamos e reservamos com a doce voz da recepção um sonho para a noite (para os homens, uma santa melindrosa madrugada, manjares, doces, e para as mulheres...bom, os homens dessas que se cuidem de manhã (e tratem de esconder bem seus números para futuras reservas), porque de qualquer forma elas sempre sonham que eles estão fazendo sacanagem, e da grossa ardente, e não com elas, ou se com elas, elas não dirão, por lembrarem-se em uivos do pesadelo supra citado... então, das duas uma, ou dá briga matinal (café fervente na fuça é mais cinematográfico – estilo “cinema bom é muita ação, e da extremada por favor, sem pazes de comédia romântica”) ou então “Você gosta de mim? Sonhei com Cicrana, Fulana e Beltrana Lee chupando seu pau...seu filho de uma égua....Aí você, olhando calado nos olhos dela, imagina, desesperado de estar imaginando isto, sua mãe preparando bolinhos de mel no hotel dos sonhos pra você.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;...&lt;b&gt;Sonhos facultativos de uma aula em véspera:&lt;/b&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;- Aquele verde foi a gota d´água, te digo. Derrubei no espalhafato de sair duas carteiras, ferrei meu dedão na outra, num tropeço digno de &lt;i&gt;slow motion dário argento&lt;/i&gt;, close de boca com salsinha do almoço no canino, som-sincronia cavernosa de Pé-Grande agonizante. Destratei querendo: "Nem rizoma do Deleuze nem cobrinha do Didi! Machado neles, professora!” Ainda caindo tive tempo de num lance de balé braçal ligeiro desdobrar-los apoiando a mão na maçã newtoniana que era a cabeça sarárá da baleia sentada na rota do meu tombo, e de ver esverdear num rabisco elíptico as sílabas rechonchudas do cardume de anotações cuidadosas da orca solícita, nadando itálico no caderno tilibra. Ela agora deve ainda emitir seu chamado agudo das entranhas. Ela que até então, lingüinha-no-beiço superior se detinha em destacar "rizoma" com seu marcador verde claro novo. Do &lt;i&gt;si &lt;/i&gt;do signo, &lt;i&gt;So&lt;/i&gt; de Sodoma, &lt;i&gt;cho &lt;/i&gt;da embalagem&lt;i&gt; &lt;/i&gt;de choquito e ventilador ruidoso, cheguei curvado ao peito perfeito da Sílvia (aplausos, abrem-se cortinas), enfim despertando, no estrondo, do sono em que parece sempre mergulhada nas aulas, intervalos e ocasionais piadas que conto inútil. (quem já esteve em câmera lenta sabe que lá caberão detalhes, como quando calmo e cativante um mestre dilata-se no prazer de edulcorar duas horas de aula num calor de Gana do Rio a navegar vagaroso da nau prosódica de Proust ao pêndulo de ansiolíticos alunares, sempre em brisa leve)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;Terceiro embaraço&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;Casos na tarde besta (ou no jubilante intervalo entre duas gloriosas aulas, pra não parecer mais desocupado e besta do que a tarde):&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;- Fui fazer compras - um maço de Marlborão (e saibam do light que ninguém o pede pelo diminutivo): Opa, boa tarde! Um maço de Marlboro, por favor. O jornaleiro, ou o filho, ou o sobrinho deste - nunca vi dono de banca novo - se atrapalha um pouco (é o sobrinho, com certeza, o pai deve estar por aí na limonada branquinha, e o filho já o teria substituído alguma vez e manjaria do prontamente achar) até achá-lo, Carmen, meu maço, the last. Dou três reais, ele me devolve 75 centavos: uma moeda de 50 e outra de 25, e eu, num lampejo de honestidade modelo (acorde sertanejo maior ao fundo para validar tal besteirosa nomenclatura), lhe devolvo os 25 que supunha virem a mais. Pequeno sorriso, boa tarde! Dou três passos e lembro que o preço do maço aumentou de 2,50 para 2,75...bom...já fui honesto demais três passos atrás, não volto, vou pra aula. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;Quarto embaraço&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;Trata-se de uma banca na Sete de Setembro que vende convites de casamento. Um possível noivo aflito ali os compra, é amigo do jornaleiro, e poupa o restante do montante pra conversas pré-nupciais regadas a limonada transparente com o Freitas:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;- Não sei se quero casar, Freitas...acho que fui meio precipitado, sabe? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;- Casar é bom, ter filho dá rumo, e o patrão adocica, te promove.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;Quinto embaraço&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;Um empreiteiro vasculha Botafogo quando para em frente a uma charmosa casa, casa de repouso. Da entrada vê sair um velhinho bem velhinho na cadeira de rodas, empurrada por uma enfermeira negra sorridente, de toca branca fina e alvo avental. Ela acalma o velhinho que por três vezes grita subwoofer “Porra!, Porra! Porra!” e depois mostra às suas rodas pernas cabeça mãe negra amiga, como criança um machucado feio, seu dedo retorcido rijo pelo&lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=";font-size:36;color:black;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;Mal de Auseimer. Pára-o fixo ao ventinho que vinha de dentro, que vinha de dentro como de dentro a novela continuava a ser resumida aos berros por outra enfermeira, invisível. O velhinho segura o braço da enfermeira, visivelmente atenta aos berros, e afoito, devagar bem devagar, sem achar &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;força de ser afoito bem afoito mesmo, esboça em subgesto rancor. A enfermeira se abaixa um pouco quando o velho quer levantar. “O que que é meu velho? Quer levantar? Quer ir aonde?”. E então o empreiteiro vê Freitas gamando em Janaína, que passa charmosa ao lado alou, lenta vendo a cena ao celular, gesticulando com a não desocupada mão toda a combinatória das coisas de uma fulanos futura noite.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;Embaraço de sexta-feira&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;O avô desliga a TV da sala e diz ao neto: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;- Joca, na minha cota de terra quero um exército de terra-cota, anota.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;A. Malbouisson&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34439133-116234225339762849?l=pescotexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/116234225339762849/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34439133&amp;postID=116234225339762849&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/116234225339762849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/116234225339762849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/2006/10/embaraos.html' title='Embaraços'/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133.post-116111953922019663</id><published>2006-10-17T18:11:00.000-03:00</published><updated>2006-10-17T18:12:19.240-03:00</updated><title type='text'>TERESA EM QUATRO RODAS</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Teresa era do tipo moleca. No recreio&lt;span style="color: red;"&gt; &lt;/span&gt;preferia acompanhar os meninos que sempre a entretiam e a faziam rir com os piques pegas polícia ladrão ao invés de brincar com as meninas acostumadas a ninar num canto melancólico e entediado suas filhas de vida de plástico e pano. Na janela da casinha de bonecas do pátio da escola, Teresa invariavelmente encontrava um rosto triste de menina mirando um horizonte inexistente em tom de grave expectativa. Elas gostavam de imaginar que cuidavam da casa enquanto seu príncipe ia trabalhar. Mas o príncipe nunca voltava para ninguém e as poucas vezes que Teresa pagou para ver, o sinal anunciando o fim do recreio foi mais rápido e Teresa subia&lt;b style=""&gt; &lt;/b&gt;as longas rampas que levavam a sala laranja da tia Ângela sentindo que havia perdido um tempo precioso de sua vida. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Teresa dividia uma grande paixão com os garotos. Desde quando se lembrava carrinhos de brinquedo balançavam seu coração como nada ou ninguém era capaz de fazer. Um amor adquirido de seu pai que nos poucos anos que morou junto a ela e sua mãe tinha tido uma estante com a coleção mais fenomenal que Teresa já vira. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Uma coleção de mistérios pois Teresa era terminantemente proibida de chegar perto do tesouro de seu pai. E nos fins de semana ela observava pela porta de vidro da sala de estudos aquele homem enorme esparramado no chão cercado por miniaturas de automóveis. Aquele homem enorme embasbacado e completamente concentrado. O mundo podendo acabar ali, naquele instante, e aquele homem enorme vulnerável a uma morte despreocupada e feliz.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Teresa passou a invejar aquela felicidade almejando a coleção de seu pai como se a porção de miniaturas fosse a satisfação encarnada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Até que um dia a casa de Teresa ficou vazia. Não havia mais homem enorme ocupando nenhum cômodo. O quarto de estudos virou o maior deserto do mundo sem nenhuma possibilidade de oásis. O pai de Teresa saiu sem deixar resquício de um dia ter existido lá. Levou a escrivaninha com todo aquele monte de papéis rabiscados. Levou os livros do descanso ao lado da poltrona e desta levou as almofadas que dizia serem de estimação. A estante ficou. Nua. Triste. Vazia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Teresa tentava se divertir brincando que morava agora numa casa mal assombrada, pois evocar os fantasmas de seus ancestrais lhe trazia uma sensação maior de conforto do que a quase ausência de sua mãe. Desde a partida do homem enorme, a mãe de Teresa insistia em permanecer diante à janela com aquele mesmo olhar que a menina via nos rostos de suas amigas na hora do recreio quando o príncipe não voltava. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;A coleção de Teresa começou quando num sábado triste de sol, enclausuramento, e tédio, Teresa foi buscar o cheiro do homem enorme no quarto vazio e, desde a partida dele, fechado. Nada a fazer em casa de filha única e mãe trancada no quarto em sábado triste de sol fez Teresa tentar no mais novo lugar supérfluo da casa a companhia de um resto de pai, já que nem os fantasmas suportavam mais a aridez de tanto deserto. Teresa sentou-se no chão de frente a estante vazia do quarto de estudos e passou a tarde lá, tentando ver se se lembrava da ordem dos carros em cada prateleira. Cada carro tinha um lugar certo dentro de uma classificação minuciosa que seu pai mantinha com cem por cento de esmero mas que Teresa nunca havia entendido muito bem. Esse era um dos vários mistérios que fazia do hobby de seu pai essa coisa tão sedutora. Teresa acreditava que no dia que ela conseguisse entender todas as lógicas das pequenas regras que sustentavam a coleção poderia finalmente decifrar o que se passava na cabeça daquele homem enorme quando ele gastava suas horas livres em silêncio dentro do quarto de estudos. Mas seu pai foi embora antes deixando Teresa a mirar uma estante vazia em tarde de sábado ensolarado. A estante dos táxis; vários novaiorquinos, vários londrinos. A estante dos carros esporte, a dos carros de luxo, a dos de corrida. Teresa tinha que se concentrar. Ela não podia errar a ordem e mais grave, ela não podia esquecer.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Quando Teresa abriu os olhos achou que ainda estava sonhando. Sua primeira visão depois do sono era em algo tão improvável que não poderia ser vida real. Ela nem bem sabia onde estava e o quanto havia dormido, mas antes de querer entender qualquer uma dessas coisas, apenas se esforçou em aceitar que diante dela, escondido e esquecido em meio a uma camada de poeira e teia de aranha, sob o pesado e agora inútil móvel de madeira, estava um belo carro vermelho e conversível. Teresa gostava dos carros vermelhos e conversíveis e por várias vezes chegou a imaginar que seu pai permitia-lhe brincar livremente com um desses. Teresa imaginava que brincava e Teresa imaginava que imaginava que dirigia um carro vermelho e conversível, enquanto seu pai, no banco de carona, deixava-a guiar&lt;span style="color: red;"&gt; &lt;/span&gt;os dois por onde ela bem entendesse. No mundo real, o homem enorme nunca havia aprendido a dirigir e se ao menos ele tivesse permitido Teresa tocar uma única vez um de seus carros, ela teria o conduzido a Disney, ao País das Maravilhas e a Terra do Nunca e a outros reinos encantados. De olhos abertos, Teresa vislumbrou essa possibilidade e, depois de limpa e encerada, a miniatura levou-a a lugares nunca antes explorados. O carro vermelho e conversível foi estopim para uma coleção que em pouco tempo virou o objeto de cobiça de todos os meninos do colégio. A partir desse dia se deu a transformação, a pequena Teresa se tornou a maior criança do pátio da escola.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Cada carro novo que Teresa ganhava, maior a popularidade dela ficava. A mãe de Teresa no começo estranhou a filha dar continuidade à coleção do pai a partir de um carro esquecido por ele, mas o gosto de Teresa era tanto ao manusear a miniatura abandonada que sua mãe concluiu ser uma boa idéia sustentar e incentivar a coleção. Poderia ser uma maneira de não enterrar o homem enorme que preferiu sumir do mapa fazendo com que aquele monte de carrinho trouxesse mais conforto não somente a Teresa, que a cada semana desfilava com um novo modelo pelos corredores do colégio.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Teresa se aproveitou dos mimos que sua mãe estava disposta a lhe sustentar. Em pouco tempo ela já havia preenchido uma prateleira inteira&lt;b style=""&gt;,&lt;/b&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 18pt;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;e com sabedoria, em menos tempo ainda, fez sua coleção dobrar. Como Teresa não tinha conhecimento do valor de cada carro, o que importava a ela era que sua coleção fosse numerosa e variada. Para a&lt;b style=""&gt; &lt;/b&gt;mãe ela pedia os carros maiores, mais brilhantes, que pareciam mais antigos, que não havia igual na loja. Teresa usava esses critérios para garantir que dessa maneira ela teria os carros que não ganharia na rua, já que fora de casa Teresa havia criado um meio engenhoso de sua coleção crescer. A cada carro extraordinário que Teresa ganhava de sua mãe e levava para escola, ela garantia mais um membro para seu clube. E ser do clube de Teresa era passar os melhores momentos de recreio que um menino poderia imaginar. Era só doar um carro qualquer, comprado em camelô ou esquecido no fundo do armário de brinquedos velhos, para ter direito a brincar com os mais bonitos e mais caros automóveis já lançados na indústria de miniaturas ou na indústria de brinquedos. Teresa até tinha a consciência que sua coleção era bem menos criteriosa do que a do seu pai, mas o propósito dela existir era outro. Teresa se sentia muito bem observando dezenas de pequenos homens brincando de dirigir os preciosos carros de sua coleção, e essa visão a fazia esquecer por completo aquele homem enorme que preenchia seus pensamentos primeiro pelo seu mistério e depois pelo seu desaparecimento. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Teresa passou a achar que era a dona da escola, mas isso durou somente até o dia em que ela finalmente conheceu Leonardo. Leonardo era um garoto estranho, na dele, sem muitos amigos. Os meninos que rodeavam Teresa vez ou outra faziam algum comentário maldoso e mesmo tramavam brincadeiras contra Leonardo, das quais Teresa preferia não participar. Durante muito tempo Leonardo nem cheirou e nem fedeu para Teresa. Ele era apenas o garoto esquisito da outra turma. Até o dia &lt;st1:personname productid="em que Teresa" st="on"&gt;em que Teresa&lt;/st1:PersonName&gt; esqueceu sua bolsinha de dinheiro na sala laranja da tia Ângela e indo apanhá-la cruzou pela porta da sala azul da tia Fátima. Era hora do recreio e as salas todas deveriam estar vazias, mas a sala azul da tia Fátima tinha Leonardo. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Leonardo sozinho deitado no chão. Leonardo completamente concentrado a brincar com um carrinho de madeira muito velho e por isso encantador. Teresa entrou na sala como que hipnotizada por aquela cena e também por aquele brinquedo e sentou-se ao lado de Leonardo, que também hipnotizado por seu automóvel e pela sua brincadeira não reparou a presença de Teresa ali, ao seu lado. Teresa cobiçou o carrinho como há muito tempo não cobiçava nada e invejou o brilho nos olhos de Leonardo que a lembrava de alguma coisa perdida da qual ela não sabia ao certo reconhecer. Teresa ficou observando Leonardo até o sinal tocar e, anunciado o fim do recreio, Teresa voltou à sala laranja da tia Ângela esquecendo de recolher sua preciosa coleção esparramada lá no pátio, sob a guarda dos outros todos meninos da escola.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Teresa passou as próximas vinte e quatro horas se perguntando o porquê de Leonardo nunca a ter procurado, e tomou a resolução de no dia seguinte ir atrás do dono do estimado carrinho de madeira a fim de oferecer-lhe qualquer coisa em troca do brinquedo. Teresa estava disposta a tornar Leonardo um sócio vip de seu clube, e de manhã antes de ir para o colégio, o carro vermelho conversível, que era o único tesouro a não sair de jeito nenhum do seu lugar especial da estante, pela primeira vez, conheceu o escuro do mochilão com a fina flor da coleção de Teresa. &lt;span style="color: red;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Mas o plano arquitetado por Teresa durante toda a noite anterior falhou miseravelmente. Ao contrário das expectativas da menina, Leonardo recusou terminantemente sua proposta e ela sentiu pela primeira vez os sentimentos de frustração e impotência. Leonardo se mostrara completamente desinteressado em fazer parte do clube de Teresa e não viu nada demais no fato dela chegar ao cúmulo de oferecer seu carro vermelho e conversível rodado em imaginação por todos os cantos do mundo em troca de apenas alguns instantes a sós com o carrinho velho de madeira. Aquele monte de carros cheios das marcas, dos truques, das belezas, das tecnologias, das potências não representava mais nada para Teresa e ela passou a não se preocupar se os brinquedos voltavam à sua mochila sem roda, arranhados ou com uma das janelas quebradas. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Teresa passou a não pedir mais carrinhos de brinquedo para sua mãe que de início viu como um bom sinal, como se a menina finalmente tivesse se recuperado da ausência do pai. Mas Teresa não se lembrava de alguma vez ter se sentido tão infeliz e enquanto os meninos destruíam sua coleção fazendo pegas, bate-bate e até mesmo pequenas explosões com as miniaturas de Teresa, ela própria gastava seu horário de recreio enfurnada na sala azul da tia Fátima observando Leonardo e seu carrinho agindo como se estivessem sozinhos, passeando por lugares que Teresa nunca havia imaginado levar seu pai.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Em pouco tempo, e com o total descaso de Teresa, seu império ruiu. Teresa não mais se importava. O melhor amigo de Teresa chegou mesmo um dia convidá-la a participar da nova brincadeira em voga no recreio. Uma variação de polícia e ladrão, mas com cowboys e robôs intergalácticos. Teresa seria nomeada a princesa dos robôs se voltasse a brincar com os meninos, mas a menina se mostrou pouco interessada. Na verdade, ela ensaiou uma empolgação ao imaginar que poderia chamar Leonardo para o bando, mas, em nome de todos os garotos, o melhor amigo de Teresa recusou a proposta dizendo que Leonardo serviria apenas como bobo da corte do reino extraterreno deles. Teresa achou a piada de seu melhor amigo de muito mau gosto e voltou a passar os seus recreios imaginando que brincava com Leonardo e seu carrinho velho de madeira.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Até que um dia Teresa entrou na sala azul da tia Fátima, quando todas as crianças exceto Leonardo saiam para o pátio, e não encontrou viva alma. Teresa ainda esperou alguns minutos cogitando se Leonardo estaria no banheiro ou na cantina mas nada aconteceu. A sala azul da tia Fátima de repente virou um deserto sem nenhuma possibilidade de oásis. Teresa conhecia bem essa sensação.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;De volta ao pátio, Teresa procurou seu melhor amigo e, a fim de espairecer, juntou-se ao bando de robôs desalmados do espaço. A brincadeira era divertida, mas Teresa se esforçava demais em manter a concentração de seu papel de princesa. Sua imaginação insistia em traí-la voltando-se sempre ao carrinho velho de madeira e aos lugares que poderia conduzi-lo caso Leonardo permitisse. E agora Leonardo tinha desaparecido. Teresa bobeou em seus devaneios e acabou sendo encurralada e presa pelos malignos cowboys que iriam fazê-la&lt;b style=""&gt; &lt;/b&gt;de refém em troca de um oneroso resgate. Com as mãos atadas pelo gordo da sala verde da tia Cristina, Teresa se dirigiu à&lt;span style="color: red;"&gt; &lt;/span&gt;prisão do velho oeste que era a casinha geminada da casa de bonecas onde as meninas ainda não haviam se cansado de esperar seus príncipes. E foi nessa prisão, esperando seu melhor amigo vir salvá-la com um super raio gama beta ipisilone, que o mundo como Teresa conhecia caiu. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Enquanto aguardava sozinha e, de certa forma, satisfeita em estar num lugar sossegado onde sua imaginação pudesse voltar aos dias de recreio que havia passado na sala da tia Fátima, ouviu risos e gritos de regozijo transpassando&lt;b style=""&gt; &lt;/b&gt;a parede que separava seu cativeiro da casinha das outras garotas. Instigada pela curiosidade, pois sempre tinha presenciado uma brincadeira demasiadamente silenciosa daquele lado, Teresa não se conteve e resolveu atravessar as barras imaginárias da prisão colocando a cabeça pela janela vizinha a procura do que divertia tanto aquele outro grupo sempre tão estranho a ela. Foi quando, nesse momento, experimentou a sensação de que uma visão pode doer tanto que, na hora, quem avista acha que vai morrer. Esse foi o tamanho da dor de Teresa quando viu Leonardo no meio da roda das garotas com um sorriso bobo na cara. Elas lhe preparavam um banquete enquanto ele narrava suas aventuras com seu ultra mega automóvel mágico. Teresa teve vontade de gritar e alertar todas aquelas bobonas que Leonardo não era dono de nenhum super carro e sim de uma carroça suja, velha e frágil. Teresa amava aquele carro velho exatamente por causa disso. Teresa queria mais do que tudo aquele carro como ele era, velho e de madeira. Mas ninguém nunca iria acreditar nela. As garotas olhavam para o carro de madeira em cores desbotadas no colo de seu dono e viam algo mágico e extraordinário. Leonardo fez as garotas esquecerem que príncipes encantados existiam e Leonardo estava feliz gabando-se de feitos que Teresa nunca imaginara que ele fosse capaz de realizar. Tantas horas de silêncio na sala da tia Fátima tentando entender o que se passava na cabeça de Leonardo e ele, agora, ali, rindo e gabando-se. Teresa se sentiu a boba da corte do reino de Leonardo e não pôde fazer nada contra isso. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Quando o melhor amigo de Teresa chegou para salvá-la a raiva dela era tanta que com apenas dois disparos de seu potente laser dizimou a comunidade dos bandidos faroeste por completo e, mesmo sendo aclamada durante o resto do dia por toda horda de robôs, só conseguiu pensar em chegar logo em casa, se trancar no quarto de estudos, e chorar até se afogar nas próprias lágrimas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;              &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Bodoni MT&amp;quot;;"&gt;Barbara Kahane&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34439133-116111953922019663?l=pescotexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/116111953922019663/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34439133&amp;postID=116111953922019663&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/116111953922019663'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/116111953922019663'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/2006/10/teresa-em-quatro-rodas.html' title='TERESA EM QUATRO RODAS'/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133.post-116111941655054999</id><published>2006-10-17T18:05:00.002-03:00</published><updated>2006-12-11T22:07:21.343-03:00</updated><title type='text'>Bulhufas e Balofas nadando num campo semântico ridículo</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size:16;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;"&gt;Bulhufas e Balofas nadando num campo semântico ridículo&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 35.4pt; text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 177pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;     &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Pedaço de nervo&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 177pt;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style=""&gt;           &lt;/span&gt;1&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style=""&gt;(Sábado nublado na rua. No céu, talvez &lt;span style=""&gt;boeings passem&lt;/span&gt;. Nas janelas idosas se lixam. Nas portarias, porcelanas decoram e porteiros se ausentam. Uma ratazana desvia-se de três flanelinhas que a apelidam de Rosa, e a aeromoça quer casar enquanto serve fatias de abacaxi à freira. Poucos carros passam, setecentos e trinta e sete estacionados. Bulhufas os conta e os ama, indistintamente, dizendo que são “de um cubismo melancólico, obsoleto e familiar”. Boa sorte pra ele)&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;Ba&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Que é isso saindo do meu trago-tropeço? Assim degenerado como vou, caindo, deve ser um trecho do meu cérebro, um pedaço de nervo rosa-mocotó que cumpria aflito seu indigno papel nas trincheiras neuro-práticas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;Bu&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- É...e ao que parece ele desertou, catapultando-se pra cá nesse tobagã traquéia de pigarro. Você devia saber que trampar na linha de frente de uma fábrica dessas não deve ser mole, tua cabeça escarlate, é bomba, seja o nervo herói, figurante ou sindicalista. Asseguro-te que ele e seus companheiros de setor já te haviam requisitado a adoção de um rodízio de funções bélicas com as varejeiras estocadas na retaguarda, ou com as caranguejeiras vermelhas entocadas no almoxarifado do sangue frio.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;Ba&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Você quer insinuar desse teu jeito merda que não estou bem?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;Bu&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Kind of, repara: você diz insinuar quando nada insinuei. Afirmo-te categoricamente, há semanas, aliás, desde sempre, que é imprescindível entender os números dos boletins escolares e dos resultados dos exames médicos. Se soubesses analisá-los, reconhecerias que o quadro que temos aqui, clínico, agora, cheio de penduricalhos, hoje, caros telespectadores...hoje teremos no nosso programa uma pessoa fantástica....olha queridos, eu não costumo abrir a boca pra enaltecer ninguém assim....mas esse cidadão que vem aqui hoje merece...eu confesso a vocês que este artista ímpar me inspirou e espirrou pó de fama vicejante em toda uma geração de clowns, claro que às custas de violenta dedicação, irrefreável perseverança, suspeitas depilações e turbinada humildade, traços desse gênio inconteste, ídolo popular e acima de tudo, um modelo vivo para as vindouras gerações do tablado. Aí vem ele! Preparem-se! Fujam! Com vocês...o figurante! &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;Ba&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Menos, menos afoito, volta, que assim ninguém ri!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;Bu&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Não é essa minha intenção, teu caso não pra é rir, é quarentena pura, com gotículas de tortura chinesa tardia. Vagando de capuz sem fio em gélidas planícies brancas, pensas que o eco das Guerras Pingüílicas é um convite feminino ao tórrido &lt;i style=""&gt;strip-xadrez&lt;/i&gt;. Não é, mas se coloco algo em caixa alta talvez chegues ao sol, e os pingüins serão sereias calipígias... &lt;a style=""&gt;Bem&lt;/a&gt;&lt;span class="MsoCommentReference"&gt;&lt;span style="font-size: 8pt;"&gt;&lt;!--[if !supportAnnotations]--&gt;&lt;a class="msocomanchor" id="_anchor_1" onmouseover="msoCommentShow('_anchor_1','_com_1')" onmouseout="msoCommentHide('_com_1')" href="#_msocom_1" language="JavaScript" name="_msoanchor_1"&gt;[A1]&lt;/a&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;, voltando, e resumindo: veja só, é que você não tem nem espelho no quarto, e na cabeça não tem mais essa lesma babada que desliza agora gosmenta pelo teu indicador. Esse glorioso limacídeo conectava as coisas que você percebia ao que elas devem ser (servente não é sorvete, nem ralo, brócolis), e sem ele você amarra mal pontas polares de idéias, reconstrói pontes de pó, infla e estoura bolhas beges de noções bichadas, e teu raciocínio descola, escapa triste, vaza, transborda. Olha só o caminho que fizemos, está todo emporcalhado de idéias incompletas que escorrem sem parar do &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;teu ouvido, daria até pra untar uma fôrma de pão de queijo gigante com elas. Vamos com calma. Sugiro-te, se assim preferires, esta versão, &lt;a style=""&gt;mais branda&lt;/a&gt;&lt;span class="MsoCommentReference"&gt;&lt;span style="font-size: 8pt;"&gt;&lt;!--[if !supportAnnotations]--&gt;&lt;a class="msocomanchor" id="_anchor_2" onmouseover="msoCommentShow('_anchor_2','_com_2')" onmouseout="msoCommentHide('_com_2')" href="#_msocom_2" language="JavaScript" name="_msoanchor_2"&gt;[A2]&lt;/a&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;, e na segunda pessoa: a deserção desta lesma safada te destrava a engrenagem otimista. Vai ver ela era um tumor maligno de pessimismo galopante, que fuzilado de pósitrons festivos, abriu janelas para deslumbrantes paisagens, com algumas pedrinhas lisas à beira de um lago, para ricochetes, se quiseres. Andas lendo auto-ajuda demais, que eu sei, tá na testa, coisas do tipo: &lt;i style=""&gt;"Faça do sofrimento um motivo a mais para sair caminhando. Faça das tristezas, das agruras do dia-a-dia, aquela alavanca que faltava para o impulso que leva à felicidade. Faça do desânimo um motivo a mais para encontrar a vontade escondida, deixada num canto, esquecida.” ...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;Ba&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style=""&gt;- &lt;/i&gt;Esse é um trecho de um livro teu!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;Bu&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style=""&gt;- É, &lt;/i&gt;eu sei, essa parte ficou na minha cabeça. Ruminei-a, ruminei-a, ruminei-a, e agora caminho o dia todo sem parar, estou construindo uma alavanca de assaltos e desencontros, e meu desânimo achou minha vontade jogando xadrez com frias aranhas lésbicas. Ah! E também descobri que para ser feliz numa terça à tarde, nada melhor do que as deliciosas entrevistas-relâmpago com atores de penteados lisérgicos e arrojados, jovens&lt;i style=""&gt; chefes &lt;/i&gt;em voga ou obesos decoradores de casamento, que enquanto esperam a vez no consultório dentário, citam elegantemente Bohr, Lorca ou Borges: “Existe uma dignidade na derrota que dificilmente se encontra na vitória”. Tocante, oásis de sabedoria em meio à semana agreste. A frase provavelmente não é assim, e nem ela, nem conselhos ou presunções farão sentido na próxima xícara de café expresso num sábado de ressaca.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;                                                                       &lt;/span&gt;&lt;b style=""&gt;2&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;i style=""&gt;(na altura do supermercado Pão de Açúcar é a fome grande que chega)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;Ba&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;- &lt;/b&gt;Mas vem cá&lt;b style=""&gt;, &lt;/b&gt;“kind of”? Que porra é essa? Tu sabes onde estamos?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;Bu&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Onde? Com minha amada adentrando o mar revolto após uma manhã de amor? Na boca do tubo de ventilação das Sendas, olhando telhados e pássaros ensolarados e percebendo repentinamente que o uso da segunda pessoa aqui é ridículo?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;Ba&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Não, olha o vento, estamos no caminho do mar, no Flamengo, em direção à Glória, há horas. Aliás, que tal passar na Rotisseria, comer um kibe?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;Bu&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Tô sem um puto tá meio longe e não gosto de kibe pra dizer a verdade. E parece que trocaram o esfiheiro de lá, você soube?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;Ba&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Não, pra não dizer a mentira, trocaram o esfiheiro do árabe da Cobal, o de lá ainda é o mesmo, esquerda ou direita, pela frente ou por trás, a cozinha é um forno fértil só. E vejo lá todo um povo adorador da esfera da direita, digo, da esfiha de verdura, que não passa de acelga de ponta a ponta.... que é boa é, mas daí ser pesca-papo o tempo todo nas conversas já é demais ... e você quer saber, querer saber dos bastidores da Rotisseria é abandonar-se demais à contemplação desinteressada das historietas cotidianas, e a improdutividade assim reinará, amém. Mas esquece, a má divagação é pior do que o filme do Almodóvar, e este blá blá blá, enquanto aquela blé blé blé.....tô cansado. Sabe “As vitrines”, do Chico? &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;Bu&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Sei, que tem?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;Ba&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Então, pensa na melodia inicial da voz cantando isso aqui:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style=""&gt;Rotisseria&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style=""&gt;Cada kibão&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style=""&gt;Eu como um dia, depois outro dia&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style=""&gt;Kafta com pão&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style=""&gt;Árabe preste atenção&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style=""&gt;Dá-se uma mordida na esfiha &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style=""&gt;De carne na tarde&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style=""&gt;Pingando limão&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Ah! O &lt;i style=""&gt;Kafta&lt;/i&gt; é pra ler como se tivesse um &lt;i style=""&gt;i &lt;/i&gt;entre o &lt;i style=""&gt;f&lt;/i&gt; e o &lt;i style=""&gt;t.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;Bu&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- É aquela idéia do guia gastronômico do Rio através das paródias de clássicos? Você anda com isso no bolso, é?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;Ba&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Lembra?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;Bu&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Um dia isso sai do papel...mas vem cá... uma perguntinha...por que cargas d´água pesca-papo? Que gíria é essa? Pesca-papo não dá, não há grupo que acate, rodinha que aceite nem tertúlia que cite, é solto, aleatório, um tanto besta, abacate...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;Ba&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Ô Da Puta, cultivar babosas é o caminho, já te disse que envelhecendo há de se irrigar arte ou chover relatórios, assim, estas singelas babosas verdes hão de crescer e virar imponentes baboseiras coradas.......acho que vai chover.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;Bu&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;-Llamas, então, vamos no Llamas!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;Ba&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Ah! O Llamas e seus cronistas de espelhos, procurando bucetas e só topando jubartes.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;Bu&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Não, eles estão apenas ajeitando suas jubas no espelho. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;Ba&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Aqui?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;Bu&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Aqui tá bom.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;Ba&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Opa! Dois chopes e uma porção de bolinho de bacalhau, por favor...e rápido, que meu amigo aqui sem cevada enferruja, e além do mais, coitado, uns marginais vestidos de branco deram-lhe um porre feio de glicose na veia, muito feio.......olha só, nem meio minuto sentado à mesa, olha como ela já está toda rabiscada! Sem chope ele vai começar o rococó nas profiteroles do espelho!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;Bom...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Alô? Fala Barril! Estamos eu e Balofas aqui no Llamas, chega aí?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;É...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Tá vendo, ele já está chamando o Barril pra cá!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;Garçon&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Vocês estão bem idiotas hoje, hein?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;Olha&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Os idiotas são grandes pessoas, e bateriam com a testa no corredor rebaixado da entrada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;Maître&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Ok, ok... e vossas jubas, como estão?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;Pessoas (Bu)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- A dele casou-se com Dr. Glitergel e tiveram três filhinhos: Topete Nervoso, Cabelosa Insolente e Mulet Namoda.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;Tem (garçom)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Eles vêem?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;Prazo&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Não, um parafuso safado fugiu da Máquina do Tempo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div style=""&gt;&lt;!--[if !supportAnnotations]--&gt;  &lt;hr class="msocomoff" align="left" size="1" width="33%"&gt;  &lt;!--[endif]--&gt;  &lt;div style=""&gt;&lt;!--[if !supportAnnotations]--&gt;  &lt;div id="_com_1" class="msocomtxt" language="JavaScript" onmouseover="msoCommentShow('_anchor_1','_com_1')" onmouseout="msoCommentHide('_com_1')"&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportAnnotations]--&gt;&lt;a name="_msocom_1"&gt;&lt;/a&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoCommentText"&gt;&lt;span class="MsoCommentReference"&gt;&lt;span style="font-size: 8pt;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;!--[if !supportAnnotations]--&gt;&lt;a href="#_msoanchor_1" class="msocomoff"&gt;[A1]&lt;/a&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;piano cabaré&lt;/p&gt;  &lt;!--[if !supportAnnotations]--&gt;&lt;/div&gt;  &lt;!--[endif]--&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div style=""&gt;&lt;!--[if !supportAnnotations]--&gt;  &lt;div id="_com_2" class="msocomtxt" language="JavaScript" onmouseover="msoCommentShow('_anchor_2','_com_2')" onmouseout="msoCommentHide('_com_2')"&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportAnnotations]--&gt;&lt;a name="_msocom_2"&gt;&lt;/a&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoCommentText"&gt;&lt;span class="MsoCommentReference"&gt;&lt;span style="font-size: 8pt;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;!--[if !supportAnnotations]--&gt;&lt;a href="#_msoanchor_2" class="msocomoff"&gt;[A2]&lt;/a&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Brian eno&lt;/p&gt;  &lt;!--[if !supportAnnotations]--&gt;&lt;/div&gt;  &lt;!--[endif]--&gt;&lt;/div&gt;  &lt;/div&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Augusto Malbouisson&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34439133-116111941655054999?l=pescotexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/116111941655054999/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34439133&amp;postID=116111941655054999&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/116111941655054999'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/116111941655054999'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/2006/10/bulhufas-e-balofas-nadando_116111941655054999.html' title='Bulhufas e Balofas nadando num campo semântico ridículo'/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133.post-115977011201580854</id><published>2006-10-02T03:21:00.000-03:00</published><updated>2006-10-02T03:22:04.510-03:00</updated><title type='text'>Acidente</title><content type='html'>&lt;h1 style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style="text-decoration: none;font-family:Garamond;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="text-decoration: none;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="text-decoration: none;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;No dia do acidente me irritava perceber o tempo. Em blocos. Entrei no prédio da minha amiga errado como uma cena socada no filme de algum babão. Podia então começar um conto desastrado, imaginar um filme e esquecer, repensar no filme e escrever, dormir cansado de pensar... qualquer idéia desgastava.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Disperso. Eu vagava num grande intervalo, distante, aeroplano, asfalto. Saio na rua e paro na esquina. Tomo um&lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-family:Garamond;" &gt; Café&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt; &lt;i&gt;Café&lt;/i&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 204, 0);"&gt;Café&lt;/span&gt; Café &lt;span style="color:red;"&gt;café&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%; color: rgb(153, 51, 0);font-family:Garamond;" &gt;café&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;...traz um cafezinho e quanto que dá, por favor. Atraves...&lt;/span&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-family:Century;"&gt;se liga na moto!. – Porra, mermão, se liga&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-family:Century;"&gt;!&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt; ...ando. Vejo na moto partir junto com meu risco a pizza quente. Eu ando na faixa. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Um engarrafamento se arrastava em silêncio na terra. Fosse o que fosse era sem rumo; do apartamento dela tudo da rua entrando na minha cabeça: a brisa, o bafo das coisas. Ainda mais abaixo, o Rio, no térreo, esperando: resisti em silêncio sem saber o gesto de reagir. Fui pra cima disso tudo sem saída, sabendo o futuro. Despejei caçambas de aborrecimento de cima, pro lado, pra baixo, pro play. Só me restava nem entender porque o acidente, o automóvel. Estava há dias assim, sofrendo o que passava. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Salvador: pela janela dos fundos eu via o descampado. Movimento o dedo, girando a velocidade da máquina fotográfica, enquanto embaixo, meu alvo. Um guri do prédio verde em frente se mexia, e vi que se divertia correndo em círculos pelo pátio sem sombra, sem graça, vazio. Eu que não queria viver uma infância naquele pátio. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Eu sabia que ficaria na agonia de pensar que havia uma seqüência, que faria o que quer que fosse depois da janela. Virar, me desinteressar, despertar e ler o jornal, arrumar alguma coisa pra achar graça, tomar café... Escrever, no final, provável. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Diminuí um pouco, cantarolei um pouco. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;De ônibus vamos até Lençóis. Entre o verde da trilha e os...&lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-family:Garamond;" &gt;lençóis&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;... cavalos, guias, gringas...&lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-family:Garamond;font-size:100%;"  &gt;lençóis&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;... coisas de pensar, de contar o tempo. Fiquei com medo de não conseguir mais &lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-family:Garamond;font-size:78%;"  &gt;lençois&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt; andar... de tanto pensar.... imagens nas&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;dobras dos lençóis.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Trilhas, andar no mato: um passo, pedregulhos pretos e pretinhos, a mão dela segurando a minha mais forte nas horas íngremes. Outro passo, anoto. Troco uma palavra por outra. Troco de dia, esqueço o mês, fotografo, silencio...penso em ser uma praia em crônica de domingo velho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Em Salvador, li todos os dias desenhados em relevo num caderno escolar barato. Enquanto o dendê pingava nas folhas finas, transparecia a praia, as ondas, o camarão suculento&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;caindo todo vatapazento do acarajé, os botões do elevador. Eu sabia meu andar. E ainda me satisfazia comendo acarajé. Comecei a rascunhar em Lençóis, e percebi toda aquela programação dissecando o dia subindo diamantina demais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Eu estava feliz, a viagem estava ótima, mas parecia que rascunhavam na minha cabeça: “consciência demais é doença”. Assim, nas linhas, estradas ou trilhas vãs. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Algum tempo depois....&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Fui saindo do prédio da minha amiga. Se eu não tivesse saído do prédio nada teria começado, aliás, não devia nem ter entrado por aquele portão com defeito, passado por aquele porteiro sorridente. Ele sabia do acidente, rabiscaram naquele sorriso pra mim: &lt;/span&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;cuidado com o carro! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;“Aliás, não devia ter entrado naquele prédio”:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 53.4pt; text-align: justify; text-indent: -18pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;&lt;span style=""&gt;-&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Será que é esse prédio aqui?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 53.4pt; text-align: justify; text-indent: -18pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;&lt;span style=""&gt;-&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Não sei, olha o número. Olha só a fachada daquele prédio, tem uma criança e um lobo em relevo, sinistro!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 53.4pt; text-align: justify; text-indent: -18pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;&lt;span style=""&gt;-&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;É, quem será que mora aí? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 35.4pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Olha, o número do apartamento é 401. Engraçado, tenho vários amigos que moram no 401! Acho que as pessoas que moram no 401 são chegadas, se parecem, né não? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 53.4pt; text-align: justify; text-indent: -18pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;&lt;span style=""&gt;-&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Claro.... vamos entrar...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Eu já conhecia bem tudo que eu ia falar, não dá pra ser diferente, o mudo agente conhece e vive dentro. Fui perdendo as letras na boca. Apesar de nunca ter ido ali, eu conhecia bem a cena, e isso me entediava, a sensação de conhecer esse tipo de noite, em que podem acontecer coisas deferentes.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 35.4pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Então o acidente...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 35.4pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Calmo e articulando como nunca pensamentos claros em frases virguladas e diplomáticas, contendo e expondo gestos corretos de acordo com as normas internacionais do conselho de prevenção de tabefes pós-colisão, segurava estático uma coca cola....olhei por uns cinco segundos a mais para o vermelho da latinha. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Tive que consumir, o acidente foi em frente a um posto de gasolina com am pm. Então desço do carro e logo a dica : “Compra uma coca cola!”. Como não? Cedi à sede. Quanta luz naquela esquina! Entro na loja. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Eu era misto quente e o Audi um X-tudo. Não espirrou muito ketchup pelo asfalto. Vejam, o acidente foi imbecil com uma analogia rastaqüera socada num conto com jovens da cidade depois dos anos 60. Uma seqüela pop, contos desastrados.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Vi minha certeza cochichar serena no meu ouvido que todo o cenário, os sons, as roupas, iam do real pra outra dimensão frouxa, assim, meio tomate-etamot que atravessa na faixa e vira verde, laranja, vermelho... Bem, tinha um frentista colorido, mão na cintura. Eu: mão na latinha, outro gole, coisas atravessando a rua, indo pro meio dos lençóis.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Lentidão, e uma lembrança dos acidentes televisionados nos canais abertos pro público de apartamentos mal iluminados nos finais de tarde. Tinha uns finais de tarde daqui da janela que eu escutava os automóveis derraparem e frearem, mas nunca batiam, e eu tentava montar a cena na minha &lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-family:Garamond;" &gt;cabeça: &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;a colisão&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;!, com a mesma câmera&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="letter-spacing: 10pt;"&gt;lenta&lt;/span&gt;e detalhista de ontem à noite no acidente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Perseguição de caminhonetes desatinadas sambando em rodovias desertas, narrações alucinadas, tomadas de helicóptero em VHS, é isso que aparece quando penso na batida: programas importados pela Rede Bandeirantes, venda de vídeos dos “piores acidentes do mundo 1990-95”. Barulhos de hélice, coisas que detesto. Som de vidro que não quebra e não escuto. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Na verdade, fiquei calmo, foi uma colisão de olhos abertos. Ato consumado, todos aos devidos lugares. O pai coronel do jovem motorista, vítima de chinelo, 20% culpado, estava lá para consolar o filho. Todo mundo compareceu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Instruções:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;“Seguindo as marcas de pneu você chega lá... mas se você não ver é assim: dobra à direita, aí você já fica à sua esquerda logo, porque você vai dobrar na primeira à esquerda, o trânsito ali é pesado e passar pro outro lado da pista depois é mais complicado... aí vai ter uma Igreja na esquina, e você dobra à esquerda logo depois dela. Aí você vai ver as luzes já te ofuscando, brilhantes, assim, fortes. Ei, pssiu, olha, presta atenção no protagonista, ele é ótimo, sabe, transmite assim uma coisa densa, sabe, uma tensão, ótimo”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 53.4pt; text-align: justify; text-indent: -18pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;&lt;span style=""&gt;-&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Muito obrigado, Madame. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 35.4pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Chegamos lá, instalados num carro prateado e azul. É bom que combina com os discos que escuto aqui enquanto escrevo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 35.4pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 35.4pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Então o acidente....&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 35.4pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Lamento....começo novamente a escrever, escrevo sobre estar aqui sentado com o ventilador ventando forte e remexendo meu cabelo curto, recém-curto. Pensando no acidente. Cortado. Tentando não pensar no acidente. Curto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Releio, rasuro e reescrevo no quarto: “as tiras tortas da persiana branca. A luz do quarto”. Rasuro. “É um feixe fino que deixa passar a noite no meu quarto”. Não gosto. “Não entra brisa nenhuma.” &lt;b&gt;Apago&lt;/b&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 35.4pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Nos dias que se seguiram, nada de novo. Hoje eu andava na rua, vi um gato branco&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;alaranjado sob a luz do supermercado. Vi outro, preto, na porta do prédio da esquina, e, no caminho entre os dois, pensei no primeiro e acabei acariciando o segundo, que fugiu assustado. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Alguma coisa teria mudado comigo se alguém tivesse morrido naquele acidente. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Agora que o tempo mudou e o nublado estanca em casa a cabeça, começo de novo a poder começar, sem o agitado cromatismo dos dias de sol. Provável que eu mude o rumo de escrever hoje, e por um bom tempo. O acidente passou, e agora que toca uma música pop antiga na rádio de algum apartamento longe, bem longe por causa da minha preguiça, entre o murmúrio das caixas de som silenciosas aqui no meu ouvido, como uma respiração contínua imaginada, e o estacionamento do supermercado.... entre o pássaro histérico preso na gaiola do apartamento defronte da minha janela e os pombos comendo o milho no telhado encima.....ai ai, zzzzz..zzz..zz... posso escutar a arquitetura desmanchar pacífica. Tudo isso eu escrevo, e a música antiga já não sei se era ruim mesmo, sei que já acabou e sigo para outra direção, talvez a de outro acidente. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Nem lembro da esquina&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Augusto Malbouisson&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34439133-115977011201580854?l=pescotexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/115977011201580854/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34439133&amp;postID=115977011201580854&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/115977011201580854'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/115977011201580854'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/2006/10/acidente.html' title='Acidente'/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34439133.post-115976991179204409</id><published>2006-10-02T03:16:00.000-03:00</published><updated>2006-10-02T03:18:31.810-03:00</updated><title type='text'>ANZOL E ISCA PRA VER SE texto</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Tema tema tema texto nada nada nada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;É bom brincar de apertar com os dedos esses botõezinhos e ver na tela as palavras se formando. Vejo as letras virarem palavras sucessivamente na tela do meu computador. É incrível. É mágico, apesar de ainda sem muito &lt;span style="color: black;"&gt;porquê.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;E por que acordei tão urgente hoje?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Concordei, entre um chope e outro, que escrever seria uma ótima idéia e prometi alguma coisa do &lt;i style=""&gt;meus documentos&lt;/i&gt; para dar o &lt;i style=""&gt;start&lt;/i&gt;. Mas ao reler o que as pastas me guardavam tive vontade alucinada de jogar tudo na lixeira. Literalmente, da maneira mais real, deixando o computador na rua para a Comlurb levar. Fui demovida da idéia ao vislumbrar a possibilidade de perder minha paciência &lt;i style=""&gt;spider&lt;/i&gt; que mantém o tempo ocupado casando copas e espadas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Escreva qualquer coisa que qualquer coisa será melhor do que aquilo que você viu que não deveria nunca ter nem existido e você prometeu.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Você Prometeu.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Queria ter a delicadeza do paulo mendes campos que li no leblon recostada à cama de A. enquanto os meninos eram anilina anilina john john. Isso antes de chegarmos ao tio sam, isso antes dos ponteiros do relógio anunciarem que já é hoje, isso antes de S. não ter mais a idade de cristo na cruz e na mistura do claro-escuro chope ir de plutão a hitler e franz ferdinand. Isso antes da promessa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Com a delicadeza de paulo mendes campos seria mais fácil.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Voltando à mesa do tio sam e ao papo, que a essa altura descambou pra busca do tempo perdido: garçom, mais algumas linha na pressão, por favor.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;TRÊS MOVIMENTOS DA MEMÓRIA ALEATÓRIA E PLENAMENTE AFETIVA DE B.K.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;u&gt;Movimento Hum:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/u&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;u&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="text-decoration: none;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/u&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Lá de cima podíamos ver alguns rostos conhecidos e uma multidão de foliões anônimos. Entre os rostos conhecidos estava P. com a cabeça cheia de cachaça. Já havíamos nos cruzado naquele dia e prometido passar a noite brincando juntos, nas folias da cidade. Mas o fluxo louco das fantasias em meio ao bloco nos separou na primeira hora de festa na rua, quando o sol batia a pino no cocuruto de nossas cabeças ainda sóbrias.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Avisei M. que iria resgatar P. para irmos a outro bairro qualquer em busca de frescor. Ali todas as serpentinas já estavam enlameadas nos pés e não havia mais batuque.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;No nosso campo de visão, dispersão e conversas embaladas aos restos de cerveja quente das latinhas. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Deixei M. sambando ao zumbido bêbado dos burburinhos cruzados e pulei da mesa, para senhores jogarem dominós nas tardes frescas, ao encontro de P. que conversava numa roda de pessoas que eu não (S.) ou mal (A.) conhecia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Isso já faz três anos, talvez já faça quatro anos. Entre 2000 e 2003 eu me perdi, e conforme passam os anos, menos &lt;span style="color: black;"&gt;me&lt;/span&gt; encontro. Quase lembranças de três anos em um.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Desse dia, ver P. lá embaixo conversando do alto de uma mesa de praça é tudo o que me resta na memória. Não me lembro de mais nada. Nem de antes, nem de depois. Mas estranhamente procurando um tema, um assunto, uma motivação pra justificar essas linhas&lt;span style="color: red;"&gt;.&lt;/span&gt; me veio esse momento, esse fragmento de um carnaval.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;u&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="text-decoration: none;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/u&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A ironia do acaso, ou o acaso da ironia, me faz escrever agora. O estranho de ontem é com quem eu faço planos hoje. Talvez o rapaz que em certo momento adentrou o tio sam apenas em busca de cigarros seja o pai dos meus filhos, ou meu maior inimigo, ou os dois e, amanhã, num esforço de escrever esse chope com A. e S. me venha apenas o momento &lt;st1:personname productid="em que X.Y" st="on"&gt;em que X.Y&lt;/st1:PersonName&gt;.Z colocou o malrboro no bolso detrás da calça jeans, saiu da minha vida, e eu achei que foi para sempre. Daqui a três ou quatro anos atrás.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Já existiu um carnaval &lt;st1:personname productid="em que A." st="on"&gt;em que A.&lt;/st1:PersonName&gt; e S. eram estranhos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;u&gt;Movimento Dois&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/u&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;u&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="text-decoration: none;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/u&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Perdi o prazo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;CARTELA: Um sábado e domingo depois.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Há três dias o movimento dois era pra ser uma história sobre meu pai.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Quer dizer, uma história não. Mas era minha intenção resgatar mais um desses momentos que por nenhuma razão lógica estacionam no pensamento, às vezes até atropelando.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Há três dias era um pequeno fato sobre um dia em que eu ouvia musica e meu pai disse... bem, não é mais sobre isso que eu preciso escrever agora.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Perdi o prazo e vivi.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ontem, por exemplo, M. me lembrou que quando conhecemos P., há sete anos, o odiamos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;P. parecia mesmo odioso. Antipático, Machista, Patético, Mentiroso. Essa foi a primeira impressão. Muito pouco tempo depois, talvez horas, talvez dias, percebemos que ele era só mentiroso e que o resto era apenas farsa. É engraçado porque hoje eu vejo que P. não tem tino &lt;span style="color: black;"&gt;pra&lt;/span&gt; fingimentos. Não consigo entender como, mesmo por pouco ou pouquíssimo tempo, ele conseguiu enganar e irritar tanto a mim e a M.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Hoje P. é pai. A menina caçula tem nem mês. Hoje sei que P. é incrível. Esse leonard cohen que escuto enquanto tento organizar essas linhas foi presente de P. Esse leonard cohen me faz lembrar tantas outras coisas como F. e M.J. entoando so long marianne pelas ruas do centro em 1998. Esse leonard cohen me faz lembrar muitos dias de solidão em 99 ou 2000 ou 2001 ou 2002 ou 2003... daí em 2004 esse leonard cohen me faz lembrar uma festinha na gávea &lt;st1:personname productid="em que A." st="on"&gt;em que A.&lt;/st1:PersonName&gt; sacou o violão e depois de quase seis anos eu pude re-ouvir its time to laugh and cry and cry and laugh about it all again sem me sentir tão estrangeira.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;u&gt;Movimento Três&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/u&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;u&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="text-decoration: none;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/u&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Em suspenso.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Às vezes tudo se encaixa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O prazo já foi pro caralho mas eu persisto. Não sei precisar quanto tempo se passou pois não sei quantos dias ainda passarei insistindo em apagar ou digitar vírgulas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A lembrança de M.J me faz colocar em um repeat incessante wouldn´t you miss me. Essa é outra de 98 e que dias desses surrupiei da casa de D. e F. No encarte do cd diz que barrett a gravou em 26 july 1969. Para onde foram esses quase quarenta anos, meu deus? Quando M.J. a cantava nas nossas andanças pelo centro, ela nem tinha chegado aos trinta. Para onde foram esses dez anos, meu deus?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;2006, três dias depois. O tempo continua correndo. Falei que iria postar essas palavras há coisa de semana e elas continuam aqui, somente para minha leitura e compulsão em ficar trocando as letrinhas do lugar para ver se o significado muda.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Existem impossibilidades para o terceiro movimento.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Se eu tivesse letras invisíveis exprimiria em palavras invisíveis o constrangimento, o susto e tudo, tudo, tudo, tudo, tudo que foi inadvertidamente lembrado quando D. no final da noite, num boteco em copa, doze horas depois do som da primeira latinha sendo aberta, já desembalando o nosso terceiro maço, deu com a língua nos dentes.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Isso até daria um bom relato mas.............................................................................................. ............................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................ .&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;No rodapé da folha do word abre a janela windows media player acusando a mudança de faixa. hey, that´s no way to say goodbye.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt;Bárbara Kahane&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34439133-115976991179204409?l=pescotexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pescotexto.blogspot.com/feeds/115976991179204409/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34439133&amp;postID=115976991179204409&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/115976991179204409'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34439133/posts/default/115976991179204409'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pescotexto.blogspot.com/2006/10/anzol-e-isca-pra-ver-se-te_115976991179204409.html' title='ANZOL E ISCA PRA VER SE texto'/><author><name>Pescotexto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09023283137173509122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_rzAtQ0JH1hA/TD6JMsxoQWI/AAAAAAAAAZQ/rSuqDxT8sfo/S220/peeter.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
